Refit, de Ricardo Magro, fez operação de R$ 1,4 bi com Master e diz que sofreu calote

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Grupo Fit -antiga Refit, a refinaria Manguinhos, que pertence ao empresário Ricardo Magro- diz ter sofrido um calote do Banco Master em operações de câmbio que somaram R$ 1,4 bilhão.

Em comunicado enviado à reportagem, o conglomerado, que atua no setor do petróleo, diz que as transações dizem respeito a operações de câmbio, registradas no Banco Central, mas acrescenta que sofreu calote do Master em parte das operações -e tenta, na Justiça, reaver o dinheiro.

Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e obtidos pela reportagem mostram que empresas do grupo Manguinhos enviaram R$ 1,4 bilhão ao Master entre outubro de 2024 e novembro de 2025 e receberam de volta R$ 5 milhões.

O Banco Master não respondeu aos questionamentos da reportagem. A assessoria do banqueiro foi procurada por email às 21h desta quarta-feira (11).

O Grupo Fit disse à reportagem que parte das operações de câmbio não foi efetivada.

“Uma das ordens, porém, não foi realizada pelo Banco Master, ficando acordado que os valores seriam devolvidos à Refinaria em parcelas. No entanto, o banco não devolveu a totalidade dos recursos, levando a refinaria a fazer uma representação no Banco Central e também pedir na Justiça o bloqueio do valor devido pelo Master pela transação de câmbio não realizada”, afirmou.

A refinaria do grupo, a Refit, está em recuperação judicial depois de ter sido alvo de uma operação policial em novembro de 2025 que apura um possível prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A empresa nega as irregularidades.

A Refit acionou a Justiça do Rio de Janeiro pedindo o bloqueio de R$ 53,1 milhões do banco, em razão da não efetivação de dois contratos de câmbio firmados em setembro de 2025. A petição foi protocolada em novembro de 2025.

Cada um desses contratos seria, segundo a refinaria, para converter R$ 26,6 milhões em 18,4 milhões de dihrams, moeda corrente nos Emirados Árabes Unidos.

Os alertas do Coaf foram enviados tanto pelas notícias negativas contra a refinaria de Manguinhos quanto o Master. Os bancos enviam relatórios desse tipo ao Coaf toda vez que transações financeiras suspeitas de irregularidades são identificadas.

O banco de Vorcaro apa rece em quatro alertas diferentes, de acordo com os documentos obtidos pela reportagem. Em três deles constam envios de R$ 1,132 bilhão, R$ 163 milhões e R$ 133 milhões do grupo Fit para o Master. O quarto trata de recursos enviados pelo Master ao grupo, no montante de R$ 5 milhões.

Em um desses comunicados, o Coaf alerta para o “envio de recursos a pessoas jurídicas com mídia desabonadora e envolvimento em lavagem de dinheiro”, referente à transferência de R$ 133 milhões feito pelo grupo Manguinhos ao Master.

A PF (Polícia Federal) investiga a Refinaria de Manguinhos e o Master em operações diferentes e sem conexão.

Ricardo Magro foi classificado como o maior sonegador do país. A avaliação das autoridades é que a operação de combustíveis do grupo se sustenta com base em um esquema de irregularidades que vai “do porto ao posto sem pagar imposto”, incorporando fraude aduaneira e evasão de tributos, como parte central da estratégia de negócios.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, em setembro, Ricardo Magro afirmou que suas empresas não sonegam.

Contra o Master, há duas apurações em andamento. A primeira envolve operações fraudulentas entre a instituição comandada por Daniel Vorcaro e o BRB (Banco Regional de Brasília). A segunda apura o uso de uma vasta rede de fundos de investimento para desviar dinheiro do Banco Master.

Apesar de não terem relação direta, as operações de Ricardo Magro e da Refit e de Daniel Vorcaro e do Banco Master têm em comum a relação com políticos do centrão.

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