Renan cita quebras de sigilo, Lula e Galípolo em comissão do Senado sobre o Master

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Visitas, diligências, análise de documentos, depoimentos, audiências públicas e até quebra de sigilo. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, apresentou nesta semana seu grupo de trabalho (GT) para acompanhar as investigações do escândalo do Banco Master sob promessas ambiciosas.

Nesta quarta-feira (4), dia em que o grupo foi formalizado -e sobre o qual o senador pediu que a consultoria técnica chame de “Comissão do Master”- Renan disse que as digitais de Daniel Vorcaro, dono do banco, estão em todos os Poderes, em muitos escalões e por muitas gestões. “Por isso, é desaconselhável politizar a investigação.”

A comissão vai, segundo Renan, analisar as investigações de Polícia Federal, TCU (Tribunal de Contas da União), CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Banco Central e não tem previsão de data de encerramento. O colegiado deve produzir relatórios preliminares conforme as informações forem levantadas e deverá aprovar uma mudança legislativa para incluir fundos de investimentos sob a alçada de fiscalização do BC.

Na tarde de quarta, ele e outros senadores do grupo de trabalho estiveram com Gabriel Galípolo, presidente do BC. Na saída, Renan classificou como boa a conversa com o chefe da autoridade monetária, que teria concordado em compartilhar com a comissão tudo o que fosse possível. Segundo o senador, a comissão quer traçar uma linha do tempo das fraudes envolvendo o Master.

Na véspera, questionou se a apuração interna aberta pelo BC e a própria liquidação não tinham sido feitas com atraso. Na quarta, horas antes do encontro com Galípolo, citou o atual chefe da autoridade monetária em meio a uma anedota sobre um presidente do BC que deixou uma comissão sob ordem de prisão.

“Um presidente do Banco Central já saiu do Congresso Nacional preso, o Chico Lopes. É evidente que nós não queremos que isso volte a acontecer, mas o presidente Galípolo, com quem temos o melhor relacionamento, precisa ajudar a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a destrinchar o que houve”, afirmou.

Chico Lopes era ex-presidente do Banco Central quando, em 1999, durante uma CPI, se recusou a assinar um termo de compromisso de que falaria a verdade e responderia a todas as questões feitas.

Também durante a sessão de instalação da comissão, Renan chegou a dizer que pediria explicações ao presidente Lula sobre o contexto das visitas de Vorcaro ao Planalto.

“Ao presidente da República, nós pretendemos fazer por escrito algumas perguntas sobre o fato. Se ele puder nos responder, ótimo. Isso, sem dúvida, vai ajudar na investigação que pretendemos fazer.” Depois, o presidente da CAE baixou o tom em relação ao petista e disse que apenas contava com a colaboração do governo.

O presidente Lula recebeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024. O encontro foi antes do escândalo de fraude financeira ser conhecido do público. O ex-banqueiro estava com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e Augusto Lima, ex-sócio do banco.

Nos dois dias dedicados ao grupo de trabalho, Renan Calheiros também citou mais de uma vez a cúpula do Congresso como um braço político ligado ao escândalo, sem nomear ninguém. O presidente da CAE se referia ao projeto de lei que permitiria ao Congresso a demissão do chefe do BC.

“Durante o processo de aquisição do Banco Master pelo BRB de Brasília, os dirigentes da Câmara dos Deputados tentaram alterar a lei do Banco Central independente. Isso tudo é público”, afirmou. “Vocês noticiaram o tempo inteiro.”

Questionado se os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ou do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ou outros nomes da cúpula do Congresso Nacional seriam chamados a falar na comissão, tergiversou. “A respeito da convocação de depoentes na comissão, não há definição de nomes. Nosso objetivo é apurar os fatos, sem expor indivíduos.”

O plano de trabalho apresentado na quarta não estabeleceu um calendário de reuniões ou audiências. Isso dependerá, segundo Renan, do andamento do trabalho. Nos próximos dias, ele e outros senadores do grupo querem se encontrar com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Na terça, Renan Calheiros esteve com Vital do Rêgo, presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), que teria se comprometido a compartilhar informações sobre a inspeção da corte de contas quanto à conduta do BC na liquidação do Master.

A atuação do TCU no caso Master ficou sob pressão pública depois que o ministro Jhonatan de Jesus determinou inspeção na autoridade monetária e chegou a falar na possibilidade de reverter a liquidação.

Nos dois dias de trabalho do grupo de trabalho, Renan Calheiros citou supostas chantagens sofridas por técnicos do TCU para que revertessem a liquidação determinada pelo Banco Central.

O GT do Master terá participação dos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Humberto Costa (PT-PE), Izalci Lucas (PL-DF), Leila Barros (PDT-DF), Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Soraya Thronicke (Podemos-MS).

A maior parte dos integrantes é do MDB de Renan. Também há três senadores de Brasília. O caso é do interesse da política do Distrito Federal porque o banco estatal local, o BRB, comprou carteiras de crédito do Banco Master e tentou adquirir a instituição financeira, operação barrada pelo Banco Central.

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