Resultado positivo no varejo em janeiro faz crescer dúvida sobre decisão do Copom na semana que vem

Uma image de notas de 20 reais
Vendas no setor que inclui itens farmacêuticos e higiene pessoal cresce 4,5% em 12 meses
(Ato Press/Folhapress)
  • Vendas tiveram variação positiva (0,4%), enquanto o mercado esperava no máximo estabilidade. Segundo o IBGE, é o ponto mais alto da série
  • Copom se reúne na semana que vem. Para analista, aumentaram as chances de corte de 0,25 e não mais de meio ponto percentual
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O volume de vendas no varejo cresceu 0,4% de dezembro para janeiro e, segundo o IBGE, atingiu o ponto mais alto da série da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). A expectativa do mercado era de estabilidade ou leve retração. Na comparação com janeiro de 2025, as vendas crescem 2,8%. Em 12 meses, a alta é de 1,6%. Segundo o gerente da PMC, Cristiano Santos, o resultado mensal (0,4%) pode ser interpretado mais como estabilidade, mas mesmo assim “faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da margem, igualando-se, em volume, a novembro de 2025”. Ele afirmou que “renovações de pico”, como as que ocorreram nesses dois meses, não costumam ser muito comuns. A anterior havia sido em março do ano passado.

Segundo Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmartXP, o resultado da PMC em janeiro surpreendeu positivamente o mercado, que esperava variação de -0,1%. E pode influenciar o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nas próximas terça e quarta (17 e 18). “É mais um indicador hawkish para o Copom”, disse, referindo-se a um possível comportamento mais agressivo em relação aos juros. Ela acredita que a expectativa de um corte de meio ponto percentual diminuiu, com maior chance de redução de 0,25 p.p., para 14,75% ao ano.

O gerente da pesquisa destacou o comportamento do setor farmacêutico, que incluem produtos de higiene pessoal e beleza: +2,6% no mês – a maior das oito pesquisadas pelo IBGE –, +5,1% sobre janeiro de 2025 e +4,5% em 12 meses. “À exceção de dezembro, a atividade tem apresentado crescimento constante na série da margem desde julho de 2025”, disse Santos.

AMPLIADO – Na comparação com janeiro do ano passado, o segmento de hiper e supermercados (mais produtos alimentícios) cresce 2,9% e o de móveis&eletrodomésticos sobe 6,1%, mas com comportamentos distintos: -3% e +9,5%, respectivamente. A atividade de tecidos, vestuário e calçados sobe 0,8%. No varejo ampliado (+1,1% na comparação anual, veículos, motos e peças cai 3,3% frente a janeiro/2025 e material de construção recua 2,3%. Mas os dois segmentos crescem ante dezembro (+2,8% e +3,4%).

Para Sara Paixão, a recuperação dessas duas atividades (veículos e material de construção) de dezembro para janeiro chama a atenção. “Os dois setores sofrem influência da concessão de crédito”, afirmou. “O primeiro por representar produtos de alto valor agregado e o segundo por estar relacionado ao crescimento do setor imobiliário.”

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