[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O volume de vendas no varejo cresceu 0,4% de dezembro para janeiro e, segundo o IBGE, atingiu o ponto mais alto da série da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). A expectativa do mercado era de estabilidade ou leve retração. Na comparação com janeiro de 2025, as vendas crescem 2,8%. Em 12 meses, a alta é de 1,6%. Segundo o gerente da PMC, Cristiano Santos, o resultado mensal (0,4%) pode ser interpretado mais como estabilidade, mas mesmo assim “faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da margem, igualando-se, em volume, a novembro de 2025”. Ele afirmou que “renovações de pico”, como as que ocorreram nesses dois meses, não costumam ser muito comuns. A anterior havia sido em março do ano passado.
Segundo Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmartXP, o resultado da PMC em janeiro surpreendeu positivamente o mercado, que esperava variação de -0,1%. E pode influenciar o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nas próximas terça e quarta (17 e 18). “É mais um indicador hawkish para o Copom”, disse, referindo-se a um possível comportamento mais agressivo em relação aos juros. Ela acredita que a expectativa de um corte de meio ponto percentual diminuiu, com maior chance de redução de 0,25 p.p., para 14,75% ao ano.
O gerente da pesquisa destacou o comportamento do setor farmacêutico, que incluem produtos de higiene pessoal e beleza: +2,6% no mês – a maior das oito pesquisadas pelo IBGE –, +5,1% sobre janeiro de 2025 e +4,5% em 12 meses. “À exceção de dezembro, a atividade tem apresentado crescimento constante na série da margem desde julho de 2025”, disse Santos.
AMPLIADO – Na comparação com janeiro do ano passado, o segmento de hiper e supermercados (mais produtos alimentícios) cresce 2,9% e o de móveis&eletrodomésticos sobe 6,1%, mas com comportamentos distintos: -3% e +9,5%, respectivamente. A atividade de tecidos, vestuário e calçados sobe 0,8%. No varejo ampliado (+1,1% na comparação anual, veículos, motos e peças cai 3,3% frente a janeiro/2025 e material de construção recua 2,3%. Mas os dois segmentos crescem ante dezembro (+2,8% e +3,4%).
Para Sara Paixão, a recuperação dessas duas atividades (veículos e material de construção) de dezembro para janeiro chama a atenção. “Os dois setores sofrem influência da concessão de crédito”, afirmou. “O primeiro por representar produtos de alto valor agregado e o segundo por estar relacionado ao crescimento do setor imobiliário.”