SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O aiatolá Alireza Arafi, 67, assumiu como líder supremo interino do Irã após a morte de Ali Khamenei no sábado (28) em um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica. Ele está à frente do Conselho Interino de Segurança e comandará o processo de definição do novo líder.
O sucessor de fato de Khamenei só vai ser eleito quando a chamada Assembleia dos Especialistas, que tem 88 integrantes, se reunir o que não tem prazo para acontecer.
Segundo informações publicadas pelo think tank Middle East Institut, Arafi nasceu em 1959 na cidade de Meybod, na província de Yazd, e vem de uma família clerical. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, foi retratado pela imprensa estatal como próximo de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.
Arafi mudou-se ainda criança para Qom, principal centro teológico do país, onde estudou com figuras que mais tarde ocupariam postos-chave no regime. Ao longo dos anos, alcançou o título de mujtahid, que lhe confere autoridade para interpretar a lei islâmica.
Ele é fluente em árabe e inglês.
Em 1992, Arafi foi nomeado por Khamenei líder da oração em sua cidade natal. Mais tarde, tornou-se reitor da Universidade Internacional Al-Mustafa, em Qom, projeto pessoal de Khamenei voltado à formação de clérigos xiitas e à exportação da ideologia do regime.
Sob sua gestão, a instituição expandiu a rede de seminários dentro e fora do país. Em 2019, foi indicado para o Conselho dos Guardiães, órgão que pode vetar leis e candidaturas.
Em maio de 2022, Arafi se encontrou com o então papa Francisco no Vaticano durante uma visita oficial representante o Irã. Uma foto dos dois cumprimentando-se foi divulgada pela Igreja na época.
O clérigo era uma figura de confiança de Khamenei, mas não é considerado uma pessoa com uma base política própria e não possui proximidade com o aparato de segurança.
Após ser atacado, o Irã retaliou e atingiu bases militares aos EUA, aeroportos e pontos turísticos em outros países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Bahrein e Omã. O regime islâmico fala em vingança à morte de Khamenei.
Nesta segunda (2), o conflito se espalhou pelo Oriente Médio. O Hezbollah, aliado de Teerã, disparou foguetes contra Israel, que bombardeou o Líbano e jurou o líder rival de morte. Houve ainda ataques no Kuwait, refinaria saudita atingida e Qatar prometendo retaliar.
Em cima disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que projetou a guerra no Irã para durar entre quatro e cinco semanas, mas afirmou que o país tem capacidade para “ir muito além disso”.