DETROIT, EUA (FOLHAPRESS) – Aberto ao público até domingo (25), o Salão de Detroit 2026 tem cheiro de gasolina. Com o término dos incentivos tributários aos carros elétricos nos Estados Unidos, no fim do ano passado, as montadoras apresentam lançamentos que resgatam o prestígio dos motores V8 alimentados por combustível de origem fóssil.
A expectativa global é de desaceleração do segmento de carros puramente a bateria, que deve crescer em ritmo mais lento ao longo de 2026. Até a China sinaliza essa tendência, com montadoras lançando opções híbridas de carros já conhecidos tanto para o mercado interno como voltadas às exportações.
Para os EUA sob o governo de Donald Trump, que nunca foi simpático a incentivos fiscais aos veículos puramente elétricos, espera-se queda dos emplacamentos nessa categoria.
Um sinal desses novos velhos tempos é a escolha do Dodge Charger como Carro do Ano 2026 no mercado americano, premiação divulgada no salão. O modelo, que nasceu como um cupê a bateria em 2023, foi o escolhido justamente por ter voltado à gasolina nas versões lançadas em 2025.
Atentas aos movimentos do mercado e da política nos EUA, as montadoras fazem seu trabalho e exibem em Detroit modelos como o novo Mustang Dark Horse SC, que traz um compressor para aumentar a disposição do motor 5.2 V8. A potência ainda não foi revelada, mas deve superar com folga os 600 cv.
A Ford apresenta ainda novas versões do SUV Bronco, como a RTR, inspirada nas trilhas que cortam desertos americanos. Seu turbinado 2.3 Ecoboost rende 300 cv e é conciliado a um câmbio automático de dez marchas.
Não se trata, contudo, de uma variação do Bronco Sport vendido no Brasil, mas, sim, da opção desenvolvida para a utilização off-road pesada. Apesar das semelhanças visuais, são modelos diferentes. O mais parrudo concorre com o Jeep Wrangler.
O ápice da retomada dos grandes motores nos EUA é a volta dos Hemi V8 às picapes RAM, marca que pertence ao grupo Stellantis.
A montadora havia abandonado essa opção para seus utilitários de grande porte, que receberam novos V6 turbo de maior eficiência energética.
O mercado interno, contudo, não gostou da mudança. As vendas da RAM caíram e, em junho de 2025, foi anunciada a volta das opções V8 ao mercado.
A configuração mais poderosa da linha Hemi equipa a picape 1500 TRX, que reestreia com 787 cv de potência e aceleração do zero aos 100 km/h em aproximadamente quatro segundos. O modelo chegará ao mercado americano no segundo semestre, onde vai custar o equivalente a R$ 570 mil.
Enquanto isso, os elétricos são vistos em partes de menor destaque dos estandes e nas pistas de teste instaladas dentro do pavilhão de exposições de Detroit algo possível devido à ausência de muitas marcas. Audi e Volkswagen, por exemplo, são representadas por concessionários que ocupam pequenos espaços.
Os únicos carros a bateria a ocupar um espaço de destaque são o Corvette CX e o Cadillac Elevated Velocity, ambos protótipos futuristas da General Motors. A empresa anunciou, em 2021, que encerraria a produção de carros a combustão até 2035. Entretanto, voltou atrás e, hoje, não dá mais um prazo para essa transição energética.
No começo do mês, a montadora confirmou que iria reduzir os investimentos voltados a automóveis a bateria. A Ford seguiu o mesmo caminho e anunciou que a picape elétrica F-15o Lightning receberá um sistema híbrido.
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O jornalista viajou a convite da Ford