Semana do Consumidor: comércio projeta alta, e pesquisa aponta opção para quitar dívidas

Uma image de notas de 20 reais
Para 79% dos brasileiros, as promoções do período são mais adequadas para quitar dívidas
(Andre Lessa / Agência DC News)
  • Sindilojas-SP espera alta de 1,8%, repetindo 2025, enquanto a Associação Comercial projeta movimento de até R$ 8,6 bilhões
  • Apps de compra surgem e já concentram 30% da preferência. Pix lidera intenção de pagamentos com 35%, seguido por cartão de crédito (28%)
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Celebrado neste domingo (15), o Dia do Consumidor se origina de um movimento internacional pelos direitos de quem compra. Ainda nos anos 1980, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou diretrizes para proteção dos consumidores, que foram sendo atualizadas. Aos poucos, a data foi incorporada ao calendário do varejo, para estimular o consumo. Levantamento do Sindilojas-SP, por exemplo, mostra crescimento de 1,8%, de fevereiro para março, no volume de vendas no estado em 2025. A entidade projeta resultado semelhante para este ano.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de São Paulo (Sindilojas-SP), Aldo Nuñez Macri, destaca a importância da data no aspecto sazonal – para estimular as vendas no primeiro trimestre. “Nos últimos anos, o Dia do Consumidor deixou de ser apenas uma data simbólica e passou a representar uma oportunidade concreta” de estímulo às vendas no primeiro trimestre”, afirmou. “É uma forma de gerar fluxo nas lojas, movimentar estoques e manter o faturamento em um período tradicionalmente mais fraco.”

Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, em março do ano passado o volume de vendas cresceu 0,8% ante fevereiro e recuou 1% em relação a março de 2024. No primeiro trimestre, alta de 1,2%. Já o varejo ampliado (que inclui reparação de veículos e material de construção) teve variação de 1,9%, -1,2% e 1,1%, respectivamente. O resultado final de 2025 mostrou crescimento de 1,6% (0,1% no ampliado). Segundo o Sindilojas, o resultado refletiu “um ambiente de consumo mais cauteloso diante do custo do crédito elevado e da renda das famílias pressionada”. Assim, na avaliação e Macri, campanhas comerciais “bem planejadas” podem fazer a diferença: “Com o custo do crédito mais alto, o consumidor tende a pesquisar mais e aproveitar momentos de desconto”. Ele cita ainda o “espaço estratégico” da data, entre o fim das liquidações de verão e a Páscoa. 

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) estima que a data deve movimentar de R$ 8,4 bilhões a R$ 8,6 bilhões. A entidade se baseia em dados da Neotrust Confi, de 2024, esperando cresimetno de 2% a 4% neste ano. “A data, hoje, é fortemente associada ao comércio eletrônico”, afirmou Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV-ACSP). Mesmo com a data caindo em um domingo neste ano, ele acredita que isso não vai prejudicar o desempenho das vendas: “Grande parte das compras ocorre on-line”. Além disso, “muitos varejistas ampliaram as promoções para vários dias, transformando o evento em uma semana inteira de ofertas”.

LOJAS E DÍVIDAS – A data também é vista como oportunidade de quitar dívidas. Segundo pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, para 79% dos entrevistados as promoções da Semana do Consumidor são mais adequadas para acerto de contas do que para novas compras. A principal razão por trás do interesse dos inadimplentes está nas promoções exclusivas durante o período (51%), queda de 2 pontos percentuais em relação a 2025. “Entre os entrevistados, 55% afirmam que já aproveitaram programas de descontos e promoções para quitar pendências anteriormente.”

Ainda segundo a pesquisa, as lojas físicas caíram de 50% para 27% da preferência do público durante a Semana do Consumidor em apenas um ano. O e-commerce cresceu um ponto percentual, chegando a 30%. Aplicativos de compra representam outros 30%. A Serasa também levantou as formas de pagamento mais visadas pelos brasileiros no período: o Pix assume a liderança (35%), com alta de seis pontos percentuais, seguido pelo cartão de crédito (22%), que teve queda de seis pontos. Por fim, aparece o cartão de crédito parcelado, com 20% (+3,2 pontos percentuais).

EDUCAÇÃO FINANCEIRA – O levantamento traz ainda a atenção do consumidor ao planejamento financeiro: cerca de 26% dos compradores geralmente planejam as compras, mesmo fazendo aquisições não planejadas. Apesar disso, a relação com o dinheiro ainda é difícil. Conforme o estudo, 24% deixaram de pagar contas básicas para aproveitar as ofertas, resultado igual ao do ano anterior. Foram ouvidas pouco mais de 2 mil pessoas, de 11 a 23 de fevereiro.

De acordo com Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, esse comportamento mostra como as promoções influenciam o planejamento financeiro dos brasileiros. “Descontos e ofertas têm conquistado um espaço cada vez mais relevante na forma como os consumidores organizam as suas contas”, disse. “Isso pode ser um importante exemplo de como é possível se organizar financeiramente para alcançar certos objetivos.”

Escolhas do Editor
Voltar ao topo