Superávit comercial atinge recorde histórico em 2024 - ING

Uma image de notas de 20 reais

São Paulo, 13 de janeiro de 2025 – O superávit comercial da China alcançou um marcohistórico em 2024, atingindo US$ 992,2 bilhões, segundo dados recentes. Esse recorde foiimpulsionado por um desempenho sólido das exportações, que cresceram 5,9% no ano, totalizando US$3,58 trilhões, enquanto as importações aumentaram apenas 1,1%, chegando a US$ 2,59 trilhões.

De acordo com Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING, o desempenho dasexportações chinesas no final do ano foi particularmente forte, superando as expectativas domercado. “O crescimento de 10,7% registrado em dezembro em comparação ao mesmo período de 2023reflete não apenas uma recuperação global pontual, mas também adiantamentos estratégicos antesda posse do presidente eleito dos EUA, Donald Trump. O aumento de 15,6% nas exportações para osEstados Unidos foi um dos destaques do mês, marcando o maior nível em 30 meses”, explicou Song.

Embora o crescimento das exportações para economias desenvolvidas tenha sido mais modesto -com aumentos de 4,9% para os EUA e 3% para a União Europeia -, as vendas para a ASEAN e AméricaLatina lideraram o desempenho, crescendo 12% e 13%, respectivamente, ao longo de 2024. Produtos comonavios (57,3%), semicondutores (17,4%) e automóveis (15,5%) foram os grandes destaques, refletindoa competitividade da China em setores estratégicos.

Song também chamou a atenção para a dinâmica de preços nas exportações. “O fortecrescimento em volume comparado ao valor em alguns setores, como automóveis e eletrodomésticos,indica que a concorrência de preços segue intensa. Isso alimenta a narrativa de que a Chinacontinua a ‘exportar deflação’, um ponto de crítica em muitas frentes globais.”

No lado das importações, o cenário foi de crescimento modesto, evidenciando uma demandadoméstica ainda enfraquecida. Os setores de alta tecnologia, como semicondutores (10,4%) eequipamentos automáticos de processamento de dados (57,9%), se destacaram, impulsionados porpolíticas governamentais de incentivo à autossuficiência tecnológica.

Entretanto, setores tradicionais, como commodities e bens de consumo, registraram retraçõessignificativas. As importações de automóveis, por exemplo, caíram 16,7%, enquanto as decosméticos diminuíram 9%. Segundo Song, “esses números refletem uma mudança na preferência dosconsumidores por produtos domésticos e uma redução na disposição para adquirir bens de luxo,resultado tanto da competitividade local quanto da cautela econômica”.

Apesar do superávit recorde, economistas estão atentos aos desafios que a China enfrentará em2025. Song destacou que o crescimento global mais moderado e a possibilidade de novas tarifascomerciais, especialmente dos Estados Unidos, podem impactar negativamente a demanda externa.

“Acreditamos que as tarifas começarão a ter efeito no segundo trimestre de 2025, com possívelimpacto antecipado nas exportações chinesas. Embora a demanda doméstica deva ganhar maisprotagonismo, isso dependerá fortemente da eficácia das políticas de estímulo implementadas pelogoverno”, avaliou.

Larissa Bernardes- larissa.bernardes@cma.com.br (Safras news)

Copyright 2025 – Grupo CMA

Voltar ao topo