Supermercados Dia reconhecem prejuízo de R$ 166 milhões em CDB do Letsbank

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A rede de supermercados Dia, em recuperação judicial, reconheceu em demonstrações contábeis a perda de R$ 166,6 milhões provenientes de um acordo feito com o Letsbank, banco que integra o grupo do Banco Master, antes de o Banco Central liquidar as empresas da instituição.

Em relatório referente à fiscalização das atividades da rede no mês de janeiro, o administrador judicial da companhia explicou que aguarda, desde a liquidação do Letsbank em novembro, uma publicação com a lista de credores do conglomerado Master.

A divulgação dessa lista é aguardada pelo Dia porque pode indicar qual será o desfecho de um acordo firmado em outubro com o banco para o pagamento de uma dívida avaliada, naquela ocasião, em R$ 163,3 milhões.

Pelo acordo assinado um mês antes da liquidação do Master, o Dia receberia R$ 116,6 milhões referentes a cessão de crédito de um precatório do Letsbank e outros R$ 50 milhões que seriam pagos em dez parcelas (o primeiro pagamento seria realizado em fevereiro).

No relatório para o mês passado, os administradores judiciais apontavam que o dinheiro era importante para a operação do Dia porque poderia gerar fôlego de liquidez no caixa da companhia para obrigações de curto prazo.

No último dia 20, o liquidante determinado pelo Banco Central para cuidar dos ativos do Banco Master informou a consolidação e validação de credores de todo o conglomerado, que inclui ainda o Will Bank, o Banco Master de Investimento S.A., o Letsbank e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

“Até a conclusão deste relatório, a gestão do Grupo Dia não havia informado eventuais efeitos da liquidação no acordo firmado com o Letsbank. Apesar disso, em virtude das incertezas sobre os efeitos da liquidação, o Dia Brasil reconheceu em suas demonstrações contábeis a perda de R$ 116,6 milhões referentes aos precatórios cedidos e R$ 50 milhões referentes ao saldo que seria recebido em 10 parcelas”, escreveu a Expertisemais, empresa que faz os relatórios da recuperação judicial do Dia.

A administradora afirma, no entanto, que a “liquidez do ativo ainda não é certa”, indicando que existe a possibilidade do acordo com o Letsbank ser reconhecido como um passivo do banco na futura lista de credores.

O relatório mais recente também não menciona os problemas financeiros enfrentados pelo empresário Nelson Tanure, controlador principal da rede.

Desde que foi alvo da 2ª fase da operação Compliance Zero, no mês passado, Tanure perdeu boa parte de ações detidas na Light, Ligga Telecomunicações e Alliança Saúde com credores (principalmente bancos) executando dívidas em que suas ações eram dadas como garantia. Recentemente, ele vendeu sua participação na petroleira Prio para pagar dívidas, segundo a Bloomberg.

Em dezembro, o grupo Dia registrou faturamento de R$ 156 milhões, um aumento de 1% em relação ao mês anterior. Ainda que o valor esteja abaixo da meta estabelecida no plano de reestruturação, a gestão da companhia informou que o número auferido reflete a maior venda diária média desde o início da recuperação judicial.

No mesmo período, os custos das mercadorias vendidas caíram 6%, resultando em uma margem bruta de 24%. Por outro lado, a queima de caixa, que é apontada mensalmente pela administração judicial como problema, chegou a R$ 7,7 milhões, aumento de 767% em relação ao mês anterior.

Segundo a gestão do Dia, a queima de caixa foi efeito de investimentos na operação.

No relatório anterior, a Expertisemais havia dito que a gestão do grupo Dia passou a adotar a antecipação de recebíveis para financiar a operação. Em dezembro, houve um crescimento de 282%, salto de R$ 15,7 milhões para R$ 59,9 milhões.

“Como de costume, solicitamos à gestão do Grupo Dia que apresentasse as projeções de fluxos de caixa para os próximos 3 meses, todavia, as informações não foram prestadas, limitando significativamente o alcance das nossas análises e fiscalização”, afirma o relatório.

No mês passado, o Dia reportou o início de um programa de redução de custos que envolve, principalmente, a logística da operação. De acordo com o administrador judicial, nessa primeira etapa de contenção foram diminuídas as entregas de frutas, legumes e verduras nas lojas, além da rescisão de um contrato de serviços de armazenamento de produtos congelados e refrigerados mantido com uma empresa terceira.

Com o armazenamento próprio de alimentos perecíveis, a gestão da rede de supermercados espera uma redução de custos de R$ 1,7 milhões ao mês.

“As recuperandas informaram ainda que trabalham em um plano de ação que tem o objetivo de impulsionar as vendas das lojas que não têm performado satisfatoriamente, sobretudo aquelas que apresentavam bons resultados quando eram franquias, mas que viram seus faturamentos despencarem quando foram transformadas em lojas próprias”, diz a Expertisemais.

Internamente, o CEO do grupo, Fabio Farina defende que o equilíbrio financeiro da rede depende da expansão de lojas para diluir custos. A intenção, no entanto, ainda não se traduziu em movimentação efetiva, já que não existe expectativa de novas inaugurações no curto prazo.

Por outro lado, a gestão dos supermercados reclama que o limite de compras acordado com os credores virou impeditivo para o crescimento das vendas e da operação. Não há, no entanto, solução para o impasse no curto prazo.

Atualmente, o grupo Dia opera com 239 lojas ativas, sendo 195 delas próprias e 44 franquias. Ao todo, são mais de 2.600 funcionários.

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