[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Unificar marcas para ganhar escala, ajustar preços para ampliar demanda e acelerar a expansão: essa é a estratégia por trás da criação do grupo Tavola, holding que reúne as franquias da Spedini, It’s Grill e Massah!. Com forte atuação no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, a empresa projeta a abertura de 12 lojas este ano e crescimento de 11% no faturamento. Em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS, a sócia-diretora de operações, Juliana Titon, afirmou que a estrutura formaliza a integração das operações e sustenta mudanças recentes na estratégia comercial, como a revisão de preços para ampliar o público. “É preciso recuar no preço dos produtos para conseguir atingir uma parcela maior de mercado.”
O Tavola não revela seu faturamento. Para a inauguração de lojas, a meta atual é de 12 unidades por ano (quatro de cada bandeira). E o caminho até aqui foi longo. O Spedini foi lançado em Curitiba (PR) em 1994. Dois anos depois, a família Titon entrou no negócio como franqueada e inaugurou mais algumas unidades. Em 1999, os fundadores e franqueadores da rede resolveram se desfazer do ativo. O It’s Grill só foi ser lançado em 2011. Mas a executiva afirma que o negócio tem um considerável reconhecimento nos estados sulistas. “Em Curitiba, estamos em basicamente todos os shopping centers”, disse ela, destacando também a presença em Florianópolis (SC) e Londrina (PR). “A reestruturação da empresa como grupo Tavola é para expandi-la.”
O food service respondeu por um faturamento de R$ 7,9 bilhões no franchising dos estados da região Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) em 2025, crescimento de 16,5%, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Em São Paulo, o segmento faturou R$ 20,4 bilhões e cresceu 8,2% no ano passado. Para atrair mais clientes e consolidar as redes, Titon diz que a estratégia são cardápios modulares, onde o cliente faz a montagem do próprio pedido com diversas possibilidades de saladas, massas e grelhados, e uma estratégia de precificação que acompanha de perto a média de vale-refeição de cada cidade, além dos preços que estão nos menus dos restaurantes concorrentes. “Recuamos em alguns preços”, disse ela, explicando que a precificação das refeições é uma medida indispensável. “Foi preciso para conseguir atingir uma parcela de mercado.” Confira a seguir a entrevista completa:
AGÊNCIA DC NEWS – Pensando o plano de expansão atual, qual é a previsão de inauguração de lojas esse ano?
JULIANA TITON – O plano do grupo Távola, na verdade, tem um teto, que a gente entende que é sustentável para a empresa. A gente não quer passar da abertura de quatro lojas de cada marca por ano. Essa é uma meta em que não queremos ficar abaixo nem acima dela, pois é o número que conseguimos abrir e manter a qualidade do atendimento que temos hoje com os nossos franqueados.
AGÊNCIA DC NEWS – Em que cidades serão inauguradas essas lojas e por que o plano de expansão se concentra na região Sul?
JULIANA TITON – Ainda não temos os pontos exatos, mas o nosso foco é Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. O negócio vai se consolidar no Sul do país mesmo porque entendemos que a marca, antes de a comprarmos, já tinha as operações mais para o Sul. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, ainda é uma marca reconhecida, tanto que as mensagens e demandas de clientes que recebemos nas mídias sociais são especificamente de Porto Alegre, Florianópolis, Blumenau. A nossa expertise é aqui no Sul, ela é mais bem aproveitada, até em quesito de logística que é bem complexo hoje.
AGÊNCIA DC NEWS – Qual é a principal vantagem de atuar localmente?
JULIANA TITON – Para o custo benefício da nossa operação, eu consigo mandar meus consultores para as lojas com mais frequência, e fazendo aquela continha – o royalty que a minha loja está pagando –, tem que suprir a necessidade de atendimento do franqueado. Se eu abro uma loja no Norte, por exemplo em Rondônia, o custo da consultoria vai ser muito mais alto do que aquela loja vai gerar de royalties para o franqueado, então acaba não fechando a conta, tanto para nós como para eles.
AGÊNCIA DC NEWS – Em São Paulo, quais os planos?
JULIANA TITON – Em São Paulo, como a gente tem uma loja, a expansão ali acaba sendo um pouco melhor, porque já temos uma esquematização de logística ali dentro, mas é uma entrada um pouco mais complicada como marca.
AGÊNCIA DC NEWS – Por que vocês decidiram criar o grupo Tavola, reunindo as três redes de restaurantes?
JULIANA TITON – Nós desenvolvemos a marca no ano passado. De uma forma orgânica, nós que éramos franqueados e nos tornamos franqueadores – em 2011 criamos a It’s Grill e em 2024 a Massah! –, nunca passou pela nossa cabeça agrupar, colocar um guarda-chuva, porque eram marcas distintas. Apesar da gestão ser muito próxima, elas funcionam independentemente. Como a gente começou a se virar um pouco mais para a expansão das redes em 2025, sentimos falta de atrelar a expertise da Spedini, com 30 anos de história, às outras marcas, especialmente para a Massah!, que é uma marca nova. Às vezes colocávamos Massah! e a pessoa achava que, ah, não tem uma fama né, é muito recente – não sabiam de nada a respeito. Mas não: nós temos 30 anos de expertise no franchising de food service, então sentíamos falta dessa credibilidade, que vai junto quando ligamos uma marca à outra.
AGÊNCIA DC NEWS – O que muda na gestão?
JULIANA TITON – Na questão interna, gestão, atendimento a franqueado, não muda nada com o Távola. Porque elas sempre foram marcas independentes, operadas independentemente, com franqueados diferentes. Mas para fora nos ajuda muito para gerar essa sensação de confiança. Então eu não estou abrindo a primeira loja agora. Tenho 30 anos de experiência, 30 lojas, e o que eu erro numa marca, consigo trazer esse know-how e evitar que o erro se triplique por não ter tido essa conversão de experiência.
AGÊNCIA DC NEWS – E para o franqueado, assim, o que que você acha que vai ser diferente na relação com cada franqueado?
JULIANA TITON – Acho que a marca Tavola vai agregar valor na visão do cliente – essa noção de que ela é compartilhada e vende marcas já consolidadas no mercado. E isso vai servir na parte de publicidade. Principalmente na parte de suporte, de atendimento, tudo se mantém, tanto que isso é uma coisa que a gente quis deixar muito claro para o nosso franqueado. Para ele, não vai mudar nada. Ainda tenho a minha nutricionista para cada marca, ainda tenho o meu consultor para cada marca, tenho o meu auditor para cada marca e isso não muda. Por detrás das cortinas, as coisas se mantêm.
AGÊNCIA DC NEWS – O crescimento que você espera este ano é maior. O que será feito para atingir a meta?
JULIANA TITON – Eu acho que todo o trabalho que a gente vem fazendo desde o ano passado é para uma consolidação de base de clientes. Um aumento do total de pessoas atendidas. Tanto que no final do ano a gente fez uma movimentação no cardápio. Recuou alguns preços. Considerando o aumento dos insumos, pode ter sido um pouco questionável, mas entramos forte com os nossos fornecedores para fazer essas parcerias, reduzir os preços e atingir mais público.
AGÊNCIA DC NEWS – A redução de preços foi no cardápio inteiro?
JULIANA TITON – Não, em pratos específicos e especificamente os que já são de um tíquete mais baixo. Os pratos mais simples, porque a gente entende que é um público que paga no vale-refeição. Se meu prato estoura de preço e a média do vale-refeição da região é menor, não adianta. Eu não vou conseguir esse cliente e ele também não vai consumir o que precisava no dia a dia. Nós tentamos sempre encaixar opções que vemos nos sites dos tíquete de refeição. Quais são as médias por cidade? E encaixamos os nossos preços ali dentro para fazer aquilo funcionar. Não filtramos pelos shoppings: A ou B, pois estamos em todos os tipos de shopping. O importante é o preço e um mix que propicie essa presença.