Taxas seguem em alta, ainda impactadas com questão fiscal

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Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

São Paulo, 23 de dezembro de 2024 – As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros(DIs) seguem em alta por conta de deterioração do fiscal interpretada pelo mercado e boletim Focuscom desancoragem da expectativas de inflação.

“Acho que o principal explicação aqui a continuidade desse cenário de deterioração fiscal éque foi aprovado o pacote, mas o pacote desidratado. Não existe nenhum tipo de aceno a mais umarodada de corte de gastos com vistas a atingir pelo menos aquilo que havia sido anunciado semanasantes, então isso tem isso tem trazido aumento das taxas de juros futuras”, explica o consultoreconômico da Remessa Online, André Galhardo.

“Muita gente atribuindo a volatilidade ao boletim Focus, mas toda semana tem nova rodadadesancoragem, então só para mim é chover molhado. O mercado já deveria precificar hoje adesancoragem do boletim Focus da semana que vem, é simples. Porque toda semana é a mesmahistória. Hoje aparentemente nós temos uma liquidez no mercado um pouco menor porque temos umferiado importante no meio da semana, isso tem tem causado menor liquidez e consequentemente maisvolatilidade.” explica.

O Focus mostrou que a projeção para a inflação medida pelo Indice Nacional de Preços aoConsumidor Amplo (IPCA) em 2024 subiu de 4,89% para 4,91% em 2024. A meta para a inflação noperíodo é de 3,0%. Para 2025, a projeção também foi elevada de 4,60% para 4,84%.

Para a Selic, a expectativa para 2025 subiu de 14% para 14,75%. Na análise de Étore Sanchez,economista-chefe da Ativa Research, “há uma crise de confiança que afeta as expectativas e,consequentemente, a realidade brasileira. Esse é um dos poucos fatores capazes de provocarsimultaneamente uma elevação das expectativas de juros e de inflação.”

Ainda sobre o Focus, o especialista lembra que o PIB também foi revisado para cima. “Contudo, apequena magnitude dessas revisões, de +7 pontos-base e +1 ponto-base, respectivamente, éinsuficiente para justificar os fortes avanços inflacionários, o que só fecha a conta seadicionarmos a crise de confiança ao cenário.”

Considerando o avanço do câmbio, das expectativas e do PIB, estimamos que a projeção condicionaldo Banco Central para 2025 subiu de 4,50% (no último Copom) para 4,70%. “Na contramão, sob oefeito da maior restrição esperada na política monetária, passamos a estimar uma desaceleraçãodo IPCA projetado pelo BC para 2026, de 3,50% (no último Copom) para 3,30%. ”

Felipe Salto, economista chefe da Warren Investimentos entende que embora as medidas apresentadassejam consideradas importantes, acredita-se que elas não sejam suficientes para garantir que ogoverno cumpra suas metas fiscais em 2025 e 2026. “Além disso, essas medidas não fazem parte de umplano mais abrangente que poderia levar a uma situação financeira mais saudável, com superávitprimário, que ajudaria a reduzir os juros e estabilizar a dívida pública.”

Segundo o especialista, as projeções indicam que o pacote pode resultar em cortes de despesas deR$ 19,2 bilhões em 2025 e R$ 26,2 bilhões em 2026,no entanto, estima-se que essas cifras sãoinferiores às projeções oficiais do governo e que essa diferença tende a aumentar ao longo dotempo. “Para 2025, o funcionamento do corte de R$ 19,2 bilhões é questionado, já que ele podepermitir cumprir a meta fiscal, mas não garante. A meta inclui um déficit máximo de R$ 31bilhões e outros gastos que não estão sendo contabilizados.”

Para 2026, a previsão de déficit chega a R$ 117,5 bilhões, calcula Salto. Após considerardespesas não computadas, o corte necessário para equilibrar o orçamento seria de R$ 61,8bilhões, um desafio que não pode ser resolvido apenas por meio de cortes em gastos.

“Portanto, o pacote fiscal atual é visto como insuficiente para assegurar que o governo atinja suasmetas fiscais nesse ano. As projeções também sugerem que a dívida pública continuaria a crescersignificativamente, com riscos fiscais que, se não tratados, podem afetar negativamente a economia,impactando os juros e a inflação.”

Por volta das 15h50 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 12,174%% de12,161% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 15,230%, de 14,945, o DIpara janeiro de 2027 ia 15,455%, de 15,140%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 15,235% de14,900% na mesma comparação. O dólar opera em alta, cotado a R$ 6,1926 para venda.

Camila Brunelli / Safras News

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