Tensão global alimenta especulação com preços de fertilizantes, diz governo

Uma image de notas de 20 reais

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) afirmou em nota nesta sexta-feira (27) que a guerra no Irã e a interrupção temporária de embarques russos de nitrato de amônio têm alimentado especulação sobre os preços dos fertilizantes.

“É momento de cautela e de combate à especulação. A melhor forma de enfrentar a especulação é não comprar quando o preço está artificialmente elevado”, disse o ministro Carlos Fávaro, segundo comunicado emitido pelo ministério.

A nota diz ainda que o Mapa monitora de forma permanente a cadeia de suprimentos e dialoga com diferentes setores para avaliar alternativas logísticas, de importação e estratégias que garantam o abastecimento nacional.

O ministério minimiza a gravidade do cenário, no entanto, e argumenta que a safra de inverno já está plantada ou em fase final de implantação, o que reduziria a demanda por fertilizantes. “A próxima grande demanda ocorrerá apenas com o início do plantio da safra de verão, tradicionalmente a partir de setembro”, diz a nota do Mapa.

A guerra iniciada em fevereiro pelos ataques americanos e israelenses ao Irã afetou gravemente o mercado global de commodities e energia. Ao retaliar, o Irã fechou o estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e do gás natural mundiais -este último, matéria-prima para fertilizantes.

Ataques de lado a lado também atingiram instalações de refino de petróleo e de produção de gás natural, ao passo que o Irã e o Catar, outro país atingido, são eles próprios grandes produtores mundiais de fertilizantes.

Ao mesmo tempo, a Rússia decidiu interromper temporariamente as exportações do nitrato de amônio, um fertilizante nitrogenado muito utilizado na agricultura. Em teoria, a medida visa garantir o abastecimento nacional da agricultura russa, mas o produto tem finalidades bélicas.

A Rússia responde por cerca de 40% do nitrato de amônio produzido globalmente, e fornece um quarto dos adubos importados pelo Brasil.

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