São Paulo, 4 de março de 2026 – A respeito da deflagração da terceira fase da OperaçãoCompliance Zero, o Banco Central declara sua convicção de que o trabalho desenvolvido pelaPolícia Federal representa um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos, disse aautarquia, em nota.
“O Banco Central informa que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por doisservidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos defiscalização e liquidação do Banco Master. De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente osreferidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e aseus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou osindícios de prática de crimes à Polícia Federal.”
“Esclarece o Banco Central que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, ascondutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com alei.”
Terceira fase da Operação Compliance Zero
A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada no início da manhã desta quarta-feira(4) pela Polícia Federal (PF). Entre os presos está Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A PF cumpre, desde cedo, quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. As ordensjudiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos endereços ligados aosinvestigados nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio doBanco Central do Brasil.
O banqueiro também mantinha interlocução próxima com dois servidores que ocupavam posiçõesestratégicas no Banco Central (BC) e trabalhavam como uma espécie de empregado/consultor deVorcaro, fornecendo informações privilegiadas. Os servidores são o ex-diretor de fiscalizaçãodo Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.
Nesta fase, os policiais investigam possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagemde dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
O STF determinou também afastamento de cargos públicos de alguns investigados, além de sequestroe bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões.
A medida tem por objetivo interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado epreservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas, informou a PF.
Intimidação de pessoas
Vorcaro mantinha com comparsas uma estrutura voltada àvigilância e intimidação de pessoas vistas como contrárias aos interesses do grupo financeiro,apontou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (4).
A prisão preventiva do banqueiro e de mais três pessoas envolvidas no caso foi a primeira decisãodo ministro no caso, após ele ter assumido a relatoria em substituição a Dias Toffoli.
As investigações indicam que o caso do Master pode representar a maior fraude financeira jápraticada no país. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima, por exemplo, que os ressarcimentosa clientes prejudicados devem ultrapassar os R$ 50 bilhões.
O processo foi parar no Supremo em novembro, após surgirem indícios de envolvimento de autoridadescom foro privilegiado. Contudo, até o momento não figuram pessoas com foro no Supremo entre osinvestigados.
Com informações da Agência Brasil.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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