RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, a abertura de uma investigação sobre os investimentos da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) no Banco Master.
O processo ocorre a partir de uma denúncia do deputado estadual Luiz Paulo (PSD).
Em fato relevante divulgado em novembro, a Cedae confirmou a aplicação de recursos em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) emitidos pelo Master. O saldo remanescente dos investimentos era de cerca de R$ 220 milhões à época, segundo a companhia ligada ao Governo Cláudio Castro (PL).
Na ocasião, a Cedae indicou que buscaria habilitação de crédito junto ao liquidante do Master e falou em adotar todas as providências cabíveis para a preservação dos seus direitos.
Ao ler o seu voto na sessão desta quarta, o conselheiro Rodrigo Nascimento, relator do caso no TCE-RJ, mencionou “substanciosos indícios de irregularidades” e solicitou esclarecimentos aos responsáveis.
Em nota, a Cedae disse que vai prestar todas as informações requeridas pelo tribunal. Também afirmou que as operações seguiram rigorosamente as normas estabelecidas pela política de aplicações financeiras, compliance e governança.
“Os investimentos foram informados mensalmente aos Conselhos de Administração e Fiscal, Comitê de Auditoria e Diretoria Executiva”, acrescentou.
A Cedae é a segunda instituição ligada ao Governo do Rio de Janeiro que aparece na mira de investigações por aportes no Master. A outra é o fundo de aposentadorias e pensões Rioprevidência.
“O Tribunal de Contas do Estado aceitou ontem [quarta] nossa denúncia contra os investimentos de altíssimos riscos da Cedae em CDBs do Banco Master. Foram mais de R$ 200 milhões que estão virando pó”, afirmou o deputado Luiz Paulo.
“Tudo isso tem que ser apurado de forma intensa e, caso constatadas as irregularidades, [é preciso] punir os responsáveis”, acrescentou o parlamentar.
O Rioprevidência, por sua vez, é alvo de uma apuração da PF (Polícia Federal) por aplicações de cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do Master.
O ex-presidente do fundo Deivis Marcon Antunes foi preso na terça (3). A investigação da PF ocorreu após alertas do TCE-RJ e de denúncia de Luiz Paulo.
Comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Master foi liquidado pelo BC (Banco Central) em novembro, depois de suspeitas de um amplo esquema de irregularidades e dificuldades financeiras.