RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O setor de turismo deve faturar R$ 218,77 bilhões na alta temporada deste verão no Brasil, de acordo com projeção da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Caso a estimativa se confirme, a movimentação terá novo recorde, crescendo 3,7% frente ao período anterior (R$ 211 bilhões), indica a entidade empresarial.
A alta temporada considera o intervalo de dezembro de 2025, que engloba as festas de Natal e Réveillon, até o Carnaval, celebrado em fevereiro em 2026.
Segundo a CNC, um impulso para os negócios vem do maior desembarque de estrangeiros.
Com base em dados da Embratur, a entidade afirma que o Brasil totalizou quase 7,7 milhões de chegadas de viajantes de outros países no período de janeiro a outubro de 2025 um aumento de 42,2% ante 2024.
A Argentina (2,9 milhões) liderou a lista de origens, seguida por Chile (662 mil) e Estados Unidos (614 mil).
“A economia argentina não está nadando de braçada, mas saiu de uma situação caótica para uma situação um pouco melhor. Isso ajuda a movimentar o turismo, porque a Argentina é a principal emissora de turistas”, diz o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
O setor envolve uma série de atividades de serviços, como os de alimentação fora de casa, em bares e restaurantes, e os de transportes.
Na avaliação de Bentes, o consumo de serviços tem sido menos influenciado pelos juros altos do que a compra de bens de maior valor agregado no país.
Isso, segundo o economista, também ajuda a explicar a perspectiva de crescimento na alta temporada.
A CNC afirma que o período será “decisivo” para a economia do setor turístico, respondendo por cerca de 44% da receita esperada para o ano.
A entidade ainda prevê abertura de 87,6 mil postos temporários de trabalho formal na alta temporada. Caso o número se confirme, será o maior volume de vagas para o período desde 2014 (88,4 mil).
De acordo com a CNC, o faturamento do turismo brasileiro está 13% acima do nível pré-pandemia.
Após a crise sanitária, iniciada em 2020, quando o setor encolheu 36,7%, a atividade conseguiu anular as perdas de receita em dezembro de 2022, mantendo uma trajetória de crescimento desde então.
Em nota, o presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, diz que as diversidades geográficas e culturais são “apenas dois dos vários fatores” que fazem o Brasil ser um “destino completo”.
Ele afirma, porém, que é necessário desenvolver a malha aérea no Norte e no Centro-Oeste para que o potencial de negócios dessas regiões seja mais aproveitado.
Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que, pela segunda vez consecutiva, o Brasil registrou recorde no número de passageiros em voos internacionais partindo ou chegando ao país no acumulado dos primeiros 11 meses do ano.
De janeiro a novembro de 2025, foram mais de 25 milhões de viajantes, o maior patamar da série histórica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), iniciada em 2000.