União das direitas na França ronda eleições municipais, vistas como prévias da presidencial

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PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – A França vai às urnas neste domingo (15) e no próximo (22), em dois turnos, para eleger seus prefeitos. O pleito é visto como uma prévia da eleição presidencial e legislativa prevista para abril do ano que vem. Simbolicamente, as três maiores cidades do país, Paris, Lyon e Marselha, podem passar às mãos da direita.

A capital francesa é governada há 25 anos pelos socialistas. Mas desta vez a direita tem chances concretas com Rachida Dati, 60, uma carismática pupila do ex-presidente Nicolas Sarkozy, até poucos dias atrás ministra da Cultura.

Para vencer, porém, ela pode precisar de um controvertido pacto no segundo turno com a ultradireitista Sarah Knafo, 32.

Com 13% das intenções segundo as pesquisas, Knafo pode atuar como fiel da balança. Nas eleições municipais francesas, podem concorrer ao segundo turno todos os candidatos com pelo menos 10% dos votos, o que complica os cálculos políticos.

Historicamente impensável, vem se normalizando na França a especulação de uma “união das direitas”, alianças entre a direita gaullista tradicional e a ultradireita de origem neofascista. Se Dati for eleita assim, aumenta a chance de que o cenário se repita, com outros nomes, nas eleições de 2027.

Dati adotou um discurso radical de direita, sem receio de se contradizer. Prometeu ao mesmo tempo, por exemplo, mais áreas verdes e mais vias para automóveis no centro de Paris, revertendo a atual política em favor de pedestres e ciclistas.

“Conclamo à união de todos os parisienses que querem acabar com essa esquerda radical, que destrói nossa cidade e nossos valores”, afirmou Dati em um dos comícios finais.

Contra Dati pesam suspeitas de corrupção, que ela rejeita. É investigada por supostamente ter recebido propina de empresas do setor de combustíveis fósseis quando era deputada no Parlamento Europeu.

O principal adversário de Dati parece ser o deputado Emmanuel Grégoire, 48, do Partido Socialista, um pouco à frente dela nas pesquisas (33% a 27%). Até 2024, Grégoire era o vice da atual prefeita, a também socialista Anne Hidalgo.

No cargo desde 2014, Hidalgo, 66, decidiu não concorrer a um terceiro mandato, embora na França não haja limites à reeleição de prefeitos. Apesar de internacionalmente reconhecida por ter despoluído Paris, o desgaste do poder tornou-a impopular entre o eleitorado parisiense.

Este ano, as eleições de Paris, Lyon e Marselha são as que mais concentram a atenção não apenas por serem as cidades mais populosas da França, mas por uma mudança no sistema eleitoral.

Até a eleição passada, nessas três cidades, e apenas nelas, o sistema era chamado de “indireto de dois andares”. O eleitor votava em conselheiros distritais, uma espécie de vereadores de subprefeituras. Estes, por sua vez, elegiam os conselheiros municipais, que só então escolhiam o prefeito.

No ano passado, foi promulgada uma nova lei, apelidada de PLM em referência às iniciais das metrópoles. Agora, o eleitor vota tanto no conselheiro distrital quanto no conselheiro municipal.

A alteração foi polêmica. Alguns analistas a consideraram casuística, por ter ocorrido menos de um ano antes do pleito. Em tese, favorece Dati, pois a dupla votação indireta dava maior peso a distritos parisienses tradicionalmente de esquerda.

Em Lyon, o atual prefeito, o ecologista Grégory Doucet, 52, deve ser derrotado pelo popularíssimo cartola do futebol Jean-Michel Aulas. Como presidente do Olympique Lyonnais, Aulas, 76, foi responsável pela melhor fase do clube, heptacampeão francês entre 2002 e 2008, tendo como craque o brasileiro Juninho Pernambucano.

O atual prefeito de Marselha, o esquerdista Benoît Payan, 48, corre risco contra Franck Allisio, 45, do Reunião Nacional (RN), principal partido da ultradireita.

Em Nice, outra grande cidade do litoral sudeste francês, o atual prefeito, o direitista Christian Estrosi, 70, é suspeito de ter forjado um incidente antissemita para viralizar nas redes sociais. Casado com uma judia, Estrosi anunciou que uma cabeça de porco havia sido jogada na frente de sua residência. Uma investigação apontou que os dois suspeitos presos haviam se reunido dias antes com assessores do prefeito.

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