[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A busca por propósito no ambiente corporativo exige não apenas do profissional, mas da empresa como um todo. É o que diz a pesquisa Putting purpose to work, da PwC. Segundo o relatório, as lideranças podem aumentar os rendimentos ao utilizar o propósito para dar significado ao trabalho dos colaboradores. A pesquisa mostra que somente 52% dos líderes enxergam significado no trabalho durante o cotidiano. Na estreia do videocast Tirando o Crachá, uma parceria da AGÊNCIA DC NEWS com Felipe Ladislau, fundador da Black H. Office, a conversa foi com Genesson Honorato, palestrante e sócio da Kuba Audio. Honorato afirma que não se deve apressar a busca por propósito, mas é preciso compreender que, tendo um, o caminho será mais promissor. “Na prática, você é resiliente quando você tem um propósito”, disse.
De acordo com Honorato, é necessário encontrar a própria direção guiado pelos próprios princípios. “O objetivo pessoal não precisa ser extraordinário, e sim fazer sentido para quem o vive.” Por outro lado, ele destaca também certa banalização do termo no mercado de trabalho, em especial em redes sociais, o que afasta o trabalhador da ideia de um propósito factível. “A fórmula [para encontrar um propósito] não é simples”, disse. O executivo chama atenção para o papel da intuição durante esse processo. “É uma ambiguidade no mundo dos negócios, mas a sua intuição ainda é importante.”
Também professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Honorato reforça que, mesmo com esforço e foco, o contexto e o acaso também são fatores importantes durante a jornada profissional. Segundo ele, o mundo moderno tem direcionado os profissionais a repetir frases vazias como “trabalhe com o que ama e não trabalhará um dia na vida”, e essa é uma meia-verdade. “As pessoas partem de lugares diferentes. Há quem trabalhe por prazer, há quem trabalhe por subsistência”, disse.
De acordo com ele, essa questão se torna ainda mais delicada quando o ambiente corporativo põe na agenda do colaborador que ele precisa ser parte da marca da empresa e ter o mesmo propósito que seu empregador. “É uma corrida que não tem linha de chegada e o cansaço é generalizado para o trabalhador”, afirmou.
Isso porque é preciso entender como as relações organizacionais se formaram em cima de um imediatismo e uma ânsia que não acompanha o desenvolvimento humano natural. Tanto do ponto de vista dos resultados, com buscas e metas acima das expectativas, quanto da euforia de mostrar ser o melhor empregador. De acordo com ele, esse sonho construído em muitos profissionais e o conceito de employer branding não se sustenta.
Com tantas questões envolvendo o ambiente corporativo, o profissional precisa respirar fundo, tomar decisões pensando em pequenos avanços e almejar algo maior. Encontrar o propósito, para o especialista, é uma jornada única e singular e não significa, necessariamente, ser um sonho. “Passei pela fase do emprego para sobreviver, fui para grandes empresas e hoje posso parar e escolher o próximo passo”, disse. “É tudo pela jornada.”
VIDA PESSOAL – Nascido em Mascote, na Bahia, Honorato passou por experiências de trabalho diversas. Foi cobrador de ônibus, chapeiro e guia turístico, mas seu primeiro serviço foi ainda criança, vendendo sonhos recheados de goiabada e canela, feitos pela mãe. “Hoje vejo o sonho pra mim como um grande motor de transformação”, afirmou. “Saía gritando, ‘olha o sonho’. Para mim, essa é uma boa metáfora, a possibilidade de sonhar, sem glamourizar.”
Com essa premissa apoiada no braço, Honorato multiplicou sua experiência e, no ano passado, ficou entre os dez palestrantes mais requisitados do Brasil. Psicólogo de formação, ele passou por grandes empresas, como a L’Oréal, e transitou pela área de recursos humanos, mas se encontrou também no marketing. “O desafio maior é sempre o próximo”, disse. Tudo isso escutando, sempre, a própria intuição. A AGÊNCIA DC NEWS divulga os episódios toda sexta-feira, que também estarão disponíveis no Spotify e YouTube.