[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Vinicius Pessin lembra com clareza da primeira entrega, em 2016. O primeiro dashboard não se esquece. “A gente acompanhou quase em tempo real”, disse Pessin. Eram os primeiros passos da Eu Entrego, criada por ele e pelo sócio João Machado, que haviam saído do marketplace B2W (Lojas Americanas). Naquele 2016, foram aproximadamente 8 mil encomendas entregues. No ano passado, esse número chegou a 30 milhões. E a empresa atingiu pela primeira vez a marca de R$ 100 milhões em receita bruta, alta de 43% em relação a 2024. A expectativa é de crescer em torno de 25% neste ano, e até 30% em volume transportado. Nos primeiros tempos, eram no máximo 20 encomendas por dia. Pessin, CEO da Eu Entrego, abre o painel com o mapa do país e descreve: “São 121.858 [entregas] neste momento, e 22% já foram concluídas”.
Quando ainda estava na B2W, em 2014, Pessin passou a observar uma “revolução” na logística do e-commerce. “Até então, eram grandes centros de distribuição, normalmente em São Paulo. E as entregas levavam seis, sete, dez dias.” Algo não tinha lógica. Às vezes, o consumidor encomendava um produto que viria de outra região, mas que poderia estar na mesma cidade. Ele e Machado pensaram em um sistema análogo ao do Uber: em vez de aceitar a corrida de um passageiro, o transportador aceitaria uma encomenda – que seria retirada na loja física para ser entregue ao cliente. Um conceito denominado ship from store – pedidos feitos remotamente e retirados nas lojas. “Múltiplos pontos de coleta com volumes menores”, disse o CEO da Eu Entrego, que conta ter sido “zombado” no início. “Nesse caso, ou você realmente está louco ou tem uma grande oportunidade nas mãos.”
O primeiro passo foi testar o protótipo do entregador, por meio de avisos nas redes sociais, checando antecedentes, confirmando a geolocalização, procurando a mão de obra. “Ele começa com produtos mais baratos e vai conquistando a confiança da plataforma”, afirmou o CEO. Hoje, segundo Pessin, são 250 mil entregadores ativos. “O cadastro de espera chega a 2 milhões de pessoas.” A Casas Bahia foi a primeira empresa de grande porte a entrar no sistema. Só aí já eram 200 cidades. Hoje, são 400. Pouco antes, a Eu Entrego fez uma parceria com a Flores Online para o Dia dos Namorados. “Até eu fui pra rua. Enchi meu carro de flores.”
Assim, o sistema combina entregadores autônomos e varejistas. “A nossa diferença é que a gente constrói rotas. Isso é ganho de eficiência”, disse Pessin. Segundo ele, a empresa – que agora tem 12 sócios, além de 100 funcionários – já atende 200 das 300 maiores varejistas do país. O Boticário, Cobasi, Petz e Vivo são algumas clientes. O serviço ganhou impulso na pandemia – de 2019 para 2020, o crescimento foi de 600%. “Era um público que não estava acostumado com o comércio online. Uma parte ficou.” Há ainda um público mais jovem para atender: “As novas gerações não vão ao mercado, pedem comida em casa”. Isso significa o fim do comércio tradicional, ressalta Pessin. “A nossa visão é que a loja física não vai morrer. Ela está se transformando. Ela virou uma grande fortaleza logística.”
Fortaleza apta, inclusive, a disputar mercado com grandes marketplaces, que não têm lojas físicas, segundo Pessin. Ele conta o que viu em viagem recente a Nova York – onde participou da NRF´26, o encontro mundial do varejo –, com entregas da Amazon em Manhattan. “Eles encostam um grande caminhão, desce um exército de entregadores com carrinhos, que vão levar as encomendas a pé.” Para ele, a conclusão é simples: a constante inovação tecnológica não prescinde do fator humano. “Ainda me parece que vamos precisar de pessoas para entregar produtos na porta da casa de outras pessoas”.