Pequenas operadoras sustentam concorrência na banda larga fixa, diz Anatel

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Falta de infraestrutura exigirá consolidação do mercado para expansão geográfica, diz, Anatel
(Freepik)
  • Na banda larga fixa, Prestadoras de Pequeno Porte (PPP) respondem por 63,3% do total de acessos, contra 36,7% das grandes operadoras
  • Já na telefonia móvel, ocorre o oposto: 94,3% do share está com as grandes operadoras e apenas 5,7% com PPP. Vivo lidera (38,1%)
Por Da Redação | Reportagem: Pedro Jansen

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O Brasil encerrou 2025 com 52,9 milhões de acessos em banda larga fixa, e o mercado segue com baixa concentração e ambiente competitivo, segundo relatório estratégico da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O indicador que mede a concentração – o HHI (Índice de Herfindahl-Hirschman) – fechou o ano em 0,0727. A agência estabelece como meta mantê-lo abaixo de 0,1500 até 2027. O índice varia de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, maior a concorrência; quanto mais próximo de 1, maior a concentração. Segundo a Anatel, “o indicador permanece em patamares reduzidos e apresenta tendência de queda ao longo dos últimos seis anos, evidenciando desconcentração estrutural”.

Na teoria, o HHI pode chegar a zero em cenário de concorrência perfeita, com grande número de empresas atuando. A agência destaca que a queda foi mais intensa até 2021 e, desde então, o índice passou a oscilar em níveis baixos e estáveis. No quarto trimestre de 2025 (0,0727), houve leve alta em relação aos três trimestres anteriores e ao mesmo período de 2024 – 0,0676 (3º tri), 0,0674 (2º tri), 0,0684 (1º tri) e 0,0690 (4º tri de 2024) –, mas o movimento é considerado pontual e “sem impacto sobre a trajetória de longo prazo”.

O relatório aponta que a estrutura fragmentada, sustentada pela forte presença de Prestadoras de Pequeno Porte (PPP), é central para a concorrência. Juntas, elas respondiam por pouco mais de 33,4 milhões de acessos (63,3%) ao fim de 2025, ante cerca de 19,4 milhões (36,7%) das grandes operadoras. Para a agência, o setor está “estruturalmente desconcentrado, com sinais pontuais de consolidação a monitorar”.

DESACELERAÇÃO – O mercado brasileiro de banda larga fixa cresceu 2,7% em 2025 ante 2024, após anos com média anual próxima de 8%. O arrefecimento é considerado natural, pois, à medida que a universalização avança, o espaço percentual de expansão diminui. Segundo a Anatel, a ampliação da rede enfrenta mais obstáculos em regiões com menor infraestrutura, e o desafio passa a ser equilibrar expansão geográfica e sustentabilidade econômica.

Entre as grandes operadoras, a Claro manteve a liderança, com cerca de 20% do mercado, seguida pela Vivo (15,1%) e pela Oi (7,1%), cuja falência foi decretada em novembro e cujos serviços estão sendo transferidos a outras empresas. Entre as PPP, a Brisanet lidera com 2,9%, seguida pela Giga Mais Fibra (2,8%). O restante do setor (52,1%) permanece pulverizado entre provedores de pequeno porte.

ALTA CONCENTRAÇÃO – Se na banda larga fixa o cenário é de concorrência elevada, na telefonia móvel ocorre o oposto: alta concentração. O segmento cresceu 2,6% em 2025 e terminou o ano com 270,3 milhões de acessos. Desse total, 94,3% pertencem às grandes operadoras e apenas 5,7% às PPP. A Vivo lidera com 38,1%, seguida por Claro (33,1%) e TIM (23,1%). O resultado se reflete no HHI elevado: no último trimestre de 2025, o índice estava em 0,3088 – abaixo do limite estratégico definido pela Anatel (0,3594 até 2027), mas ainda alto.

Apesar disso, houve leve queda ao longo do ano, de 0,3163 no quarto trimestre de 2024 para 0,3088 no fim de 2025. “Apesar dessa trajetória descendente nos últimos 12 meses, o nível do HHI permanece elevado”, afirmou a agência, caracterizando um mercado ainda altamente concentrado. Até o início de 2022, o índice ficava abaixo de 0,2600, compatível com um oligopólio de quatro grandes grupos. A partir daquele ano, houve salto abrupto após a venda dos ativos da Oi Móvel, resultando no atual cenário de competição centrada em diferenciação de planos, qualidade e estratégias comerciais.

MAIS INFRA – Em infraestrutura, a rede de backhaul e backbone de fibra óptica alcança 4.645 municípios, o equivalente a 83,4% do país. Em 2025, novos movimentos indicaram expansão do setor. A Lightera escolheu o Brasil como hub latino-americano para soluções de fibra voltadas a data centers. A TIM firmou acordo para construir 3 mil torres, e a Telebras abriu licitação para cessão de estruturas. Medidas regulatórias e legislativas – como endurecimento de penas para receptação de cabos e definição de preços de referência para dutos – reforçam o foco em segurança e custos.

No compartilhamento de postes, avançou na Câmara projeto que prevê modelo com cessionária independente e preço regulado. Já no segmento de cabos submarinos, o relatório destaca a ambição brasileira de liderança no Sul Global por meio de regulação e investimentos. O Ministério das Comunicações sinalizou alinhamento da fiscalização às expectativas de mercado, e há convergência entre governo e empresas sobre incentivos públicos para cabos e data centers como instrumentos de desenvolvimento regional e inclusão digital.

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