[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Especializada em soluções para o mercado de energia fotovoltaica, a rede de franquias Solarprime tem planos ambiciosos para o Brasil. Este ano a empresa espera faturar R$ 100 milhões, o dobro dos R$ 50 milhões faturados em 2025. O plano é otimista e contrasta com o ambiente tímido para novos investimentos e marcado por ajustes regulatórios. Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) indicam que o mercado encolheu 29% em 2025, pressionado pela desaceleração de geração centralizada e pelo encarecimento do financiamento. Para crescer sem sentir a crise, Raphael Brito, fundador e CEO da Solarprime, quer focar na geração distribuída e fortalecer a rede de franquias após um período de descontros entre franqueados e franqueadoras. “O que define um projeto bem sucedido é o serviço, não o produto, por isso o foco”, afirmou em entrevista à DC NEWS.
A estratégia de melhorar o desempenho das franquias e estreitar o relacionamento entre a matriz e as unidades aponta, simultaneamente, para futuro e passado recente. Em julho de 2025, Raphael reassumiu a gestão executiva da empresa, após o encerramento de uma parceria societária firmada em 2022 com um distribuidor. À época, a operação passou a ser conduzida por uma gestão profissionalizada, com CEO e executivos externos. Segundo o fundador, a estrutura não conseguiu reagir às mudanças rápidas do mercado, como a entrada em vigor da nova regulação da energia solar, o aumento das taxas de juros e a retração do crédito, um fator sensível para o setor e, especialmente, para a empresa, em que cerca de 70% das vendas dependem de financiamento. “Os processos construídos ao longo de oito anos foram desmontados. Se não houvesse a retomada, a empresa fecharia as portas”, disse o CEO.
Quando Raphael voltou ao comando da empresa, 350 franqueados haviam permanecido dos 500 que a Solarprime já teve. Deu-se início a uma reorganização profunda na rede, com a revisão de contratos e o desligamento de unidades que não estavam operacionais. Hoje, a empresa tem 173 franquias. “O foco dos últimos anos foi o crescimento pelo volume. Agora, a prioridade é fazer os franqueados atuais terem sucesso”, afirmou. “Nos sentamos com todos, entendemos quem fazia sentido continuar e quem queria sair. Agora queremos retomar o crescimento.” Segundo o CEO, a estratégia de pouco mais de um semestre vem dando resultados. Apenas em janeiro de 2026, a receita já foi 20% superior à registrada no mesmo mês do ano anterior.
FUTURO DA ENERGIA – “Eu caí de paraquedas nesse mercado”, afirmou Raphael. Sua trajetória no setor da energia solar começou em 2014 em Passos, no interior de Minas Gerais. Depois de anos trabalhando em diferentes funções, ter deixado a escola sem completar o ensino médio e se formado em um curso para ser piloto de avião, um empresário que vendia sistemas fotovoltaicos o empregou como vendedor. “Mas meu contratante deu um calote nos clientes. Eu liguei para o fornecedor das placas e expliquei a situação”, disse. O fornecedor decidiu fazer as instalações mesmo sem receber e chamou Raphael para ser seu representante comercial. Aos 21 anos, Raphael decidiu empreender no ramo, ainda emergente no Brasil, e abriu a Solarprime com o amigo, Agnaldo Marques, e apenas R$ 1 mil de investimento para os primeiros folders.
Quando a empresa vendeu o primeiro projeto, que Raphael lembra ter sido residencial no valor aproximado de R$ 30 mil, deu-se início a uma metodologia que até hoje é usada no mercado de energia fotovoltaica. “Usamos o dinheiro do cliente para bancar o projeto. Com as primeiras parcelas pagamos o produto e fazemos a instalação”, afirmou o executivo. O que sobrasse se tornava lucro da empresa. Pouco tempo depois, em 2016, a Solarprime entrou no franchising, que além de modelo de negócio, se tornou o principal investimento da companhia. A segunda prioridade, para se manter competitivo no mercado, é acompanhar as últimas tendências e enxergar novas oportunidades.
O sistema fotovoltaico tradicional conectado à rede continua relevante nos negócios da Solarprime, sobretudo no segmento residencial, mas deixou de ser a única aposta. O novo foco, em matéria de portfólio, está nos sistemas híbridos, que combinam geração solar com baterias de armazenamento, que permite autonomia parcial em casos de queda de energia. Há também investimentos em soluções de armazenamento em larga escala, conhecido como BESS (Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias), voltadas a indústrias, supermercados, hospitais e hotéis, que enfrentam tarifas muito altas nos horários de pico. “Permite armazenar energia quando está barata e usar nos horários em que o custo pode ser até dez vezes maior”, disse Raphael. Na Solarprime, projetos de grande porte continuam sendo executados diretamente pela franqueadora, enquanto as franquias concentram-se em residências e pequenos e médios negócios.
Raphael tem a expectativa de que a energia solar se torne uma solução mainstream no Brasil dentro de alguns anos. Ele também aposta na construção de cada vez mais data centers em território nacional, e disse já ter firmado contrato com uma empresa do ramo. “A demanda por energia vem crescendo demais. De residências, com mais aparelhos eletrônicos, aos data centers, que consomem muita energia”, afirmou. Mas apesar das oportunidades, os desafios permanecem. A instabilidade regulatória e o alto custo do crédito são entraves para uma expansão mais acelerada da Solarprime. “O sistema de energia solar é autofinanciável, mas precisa de juros mais baixos. Com crédito caro, o mercado trava”, disse o CEO. “Se a tecnologia vai crescer, ainda bem que existe energia solar para atender essa demanda com uma fonte limpa.”