Número de mulheres na bolsa cresce 41% em quatro anos e já soma 1,4 milhão

Uma image de notas de 20 reais
Entre os estados, Tocantins tem maior resultado, com alta de 7,34%
(Freepik)
  • Mulheres já representam 26% dos investidores em renda variável e estoque mediano é 80% mais alto do que o dos homens
  • Christianne Bariquelli, da B3: "Mulheres costumam se preparar mais antes de investir, priorizando segurança e diversificação"
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O mercado financeiro passa por uma constante mudança de perfil do público. Conforme levantamento da B3 (B3SA3), o número de mulheres investidoras chegou a 1,4 milhão em 2025, um salto de 41% desde 2021. Hoje, elas representam 26% dos 5,5 milhões de investidores em renda variável registrados na bolsa brasileira. “Esse avanço é muito positivo e reflete o maior interesse pelo mercado de capitais”, afirmou Christianne Bariquelli, superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3. Segundo ela, o resultado foi impulsionado pela simplificação da jornada de investimentos e pela alta oferta de conteúdos sobre o tema na internet.

Em relação a 2024, o acréscimo foi de aproximadamente 55 mil mulheres ao longo de 2025. Bariquelli explica que a B3 tem buscado expandir a base de investidores para torná-la mais inclusiva e diversa. “Estamos muito satisfeitos com os resultados que temos alcançado”, disse. A diversidade também se reflete em um novo perfil de investidor: as mulheres investem 80% a mais que os homens. Enquanto o estoque mediano por investidor do gênero masculino é de R$ 1.682, o do gênero feminino é de R$ 3.029. “As mulheres que topam desbravar esse universo costumam se preparar mais antes de investir, priorizando segurança e diversificação”, afirmou Bariquelli, “o que adia a entrada em produtos de maior risco”.

A executiva afirma que as diferenças em relação aos homens decorrem de fatores culturais, como o ambiente predominantemente masculino, mas também de aspectos históricos e comportamentais. “A conquista das mulheres no mercado de trabalho e o acesso à renda, assim como a busca pela autonomia financeira, são relativamente recentes”, disse.

Ela reforça que o fato de a maioria das mulheres ser responsável pela gestão do orçamento familiar e pelas compras para manutenção da casa e da estrutura familiar influencia esse perfil. Conforme a pesquisa Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho, lançada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), as brasileiras dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana ao trabalho de cuidado não remunerado do que os homens. “Isso consome tempo e recursos financeiros que poderiam ser direcionados para investimentos.”

Bariquelli acrescenta que qualquer pessoa se beneficia ao se preparar antes de investir. “A educação financeira é a base para tomadas de decisões mais seguras”, disse. Mas ressalta que é essencial ter uma carteira diversificada. “É aquela velha premissa de não colocar todos os ovos na mesma cesta”, afirmou. “Carteiras diversificadas são mais resilientes às intempéries do mercado.” Em todo o país, a B3 mantém projetos voltados à educação financeira para alcançar futuras investidoras. São produzidos conteúdos gratuitos no Bora Investir, HUB3 e B3 Educação, com linguagem acessível.

POR ESTADO – De acordo com o relatório da B3, o Tocantins, na região Norte, foi o estado que apresentou o maior crescimento percentual de investidoras entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, com aumento de 7,34%. Em seguida aparecem Amapá (6,95%) e Ceará (6,94%). Em termos absolutos, São Paulo lidera, com 17.768 novas investidoras — um terço do total de entrantes. Na sequência estão Rio de Janeiro (6.598 novos CPFs femininos) e Minas Gerais (6.089). Em todos os estados, a variação da presença feminina foi positiva.

Escolhas do Editor
Voltar ao topo