[DC NEWS TALKS #91] Cincinato, ABCasa: “Vamos levar a ABCasa Fair para 18 regiões. Quatro em 2026”

  • Eduardo Cincinato, presidente da ABCasa: "isso aqui viraria uma China em 10 anos, tranquilamente", sobre gargalos da indústria
  • Segundo presidente, ABCasa Fair deixou de ser apenas uma feira de negócios, e se tornou um local para se abastecer de informação
Por Bruna Lencioni | Letícia Cassiano

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A Associação Brasileira de Artigos para Casa, Decoração, Presentes e Utilidades Domésticas vai ampliar o alcance da ABCasa Fair, a maior feira B2B do setor na América Latina. Cada uma das duas edições anuais recebe, em média, 450 expositores e 50 mil visitantes em São Paulo. A primeira edição de 2026 terminou ontem com uma novidade. A entidade anunciou que vai levar o evento para outras 18 regiões brasileiras, com quatro novas feiras previstas para este ano. Para o presidente da ABCasa, Eduardo Cincinato, a capilarização acompanha o tamanho e a diversidade de mercado do Brasil. “Queremos que os pequenos empresários, impossibilitados de ir para São Paulo, participem também”, disse em entrevista ao DC NEWS TALKS, o videocast da Agência DC NEWS. 

As primeiras regiões a receberem a versão pocket serão aquelas de onde partem menos visitantes. O primeiro circuito será em Fortaleza, seguido de Salvador, Belo Horizonte e, fechando o ano, Balneário Camboriú. A nova estratégia tende a impulsionar a produção, disse o presidente, que projeta crescimento de 6% para o setor neste ano (R$ 129 bilhões). O segmento, que abarca toda a produção brasileira de decoração, presentes e papelaria, utilidades domésticas, festas, flores e têxtil deve fechar 2025 com 5% de crescimento aproximadamente, R$ 119 bilhões de faturamento. No ano anterior, o resultado foi de R$ R$ 114 bilhões.

Segundo Eduardo, os valores poderiam ter sido melhores e parte do crescimento do ano de 2025 se explica pela inflação, cenário macroeconômico e juros altos (em 15% desde junho do ano passado), mas ele enxerga um horizonte positivo. “Em ano eleitoral e de Copa do mundo tem mais dinheiro circulando”, disse. “A questão do imposto de renda [isenção para quem tem salários de até R$ 5 mil] também favorecerá.” Apesar da força do consumo, Cincinato aponta para o desperdício de potencial da produção nacional. Custo Brasil é um dos pontos de entrave. Não equiparação tributária com mercados que entraram fortemente no país, como a China, é outro ponto.

“Comemora-se a exportação de commodities, mas deixam a indústria nacional capengando. Tem alguma coisa errada.” Ele afirma ainda que o mercado está desafiador, mas que o brasileiro tem capacidade de inovar frente aos problemas domésticos e externos. “Temos potencial para expandir o mercado localmente e fora.” Para ele, se o país diminuísse a exportação de produtos de base e focasse na produção interna, considerando redução de tarifas e custos operacionais, “isso aqui viraria uma China em 10 anos, tranquilamente”. Confira a entrevista.

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