[DC NEWS TALKS #92]. EXCLUSIVO. Jae Ho Lee, da Morana: “Vamos entrar no mercado de joias. E avançar na América Latina"

  • Morana promete novo portfólio com preços competitivos para concorrer com player gigante do setor de joias. Operação tem início neste ano
  • Além do novo portfólio, Morana desembarca em Buenos Aires ainda no primeiro semestre estruturada em joint venture com companhia argentina
Por Bruna Lencioni

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
O ano de 2026 começa com movimentos bastante fortes na Morana, a maior rede de franquias de acessórios femininos (bijuterias) do Brasil, hoje com 331 unidades. “Vamos entrar no mercado de joias”, disse, com exclusividade, o fundador Jae Ho Lee, ao DC NEWS TALKS, o videocast da Agência DC NEWS. A decisão de entrar no segmento não surge como ruptura, mas como evolução de um negócio que amadureceu ao longo de mais de duas décadas, na avaliação do executivo. São 24 anos de trajetória e faturamento anual na casa dos R$ 500 milhões.

A companhia pretende trabalhar com ouro e prata, elevando tíquete médio e percepção de marca. O lançamento está previsto para abril. Além disso, a ideia está embasada em estudo de mercado. A nova linha de produtos deve concorrer com um player bastante conhecido, com preços mais competitivos. Consolidada em centenas de pontos de venda no Brasil, a empresa entende que há espaço para sofisticar o portfólio. “A marca está pronta para dar esse passo”, afirmou Jae. A linha de acessórios em bijuterias continua parte central do negócio, segundo Jae.

O avanço consolida a maturidade da operação no Brasil, após mais de duas décadas de expansão via franquias. A previsão é abrir no Brasil mais 45 unidades em 2026, mas a internacionalização está na mesa e acontecerá ainda no primeiro semestre. Começa pela Argentina, por meio da joint venture com a Blue Star (BSG), e depois se espalha pela América Latina. “Afiamos muito o machado para esta loja que abriremos em Buenos Aires. Um ano de planejamento”, disse. “Só a joint vai faturar R$ 800 milhões em dez anos.” A entrada em novos mercados ocorrerá por meio de joint venture, grupo argentino, dono da Todomoda, rede com cerca de 900 lojas na América Latina, e Isadora.

O plano de negócios da joint venture tem horizonte de dez anos e mira consolidação regional, mas já olha também para o mercado europeu. Para Lee, a América Latina representa um mercado equivalente ou superior ao brasileiro em potencial de consumo. “Existe mais um Brasil para explorar”, afirmou. A entrada na Argentina corrige erros do passado. A Morana já testou outros mercados e enfrentou dificuldades de adaptação cultural e operacional. O novo modelo prioriza parceiro local com estrutura e conhecimento do consumidor. “Erramos ao subestimar diferenças de mercado.”

Parte da competitividade, nessa nova fase de capilarizar na América Latina, vem da estrutura produtiva no Paraguai. A fábrica, que foi inaugurada 2019, realiza o banho das peças em latão e permite eficiência tributária no Mercosul. “Foi uma jogada tributária e de qualidade”, afirmou. Para o empresário, o mercado latino-americano ainda oferece espaço para consolidação de marcas fortes, sobretudo aquelas que combinam design, preço e operação eficiente. A parceria com a BSG é vista como atalho estratégico para acelerar esse processo. “Quem tem marca e gestão ganha espaço.”

Lee também é sócio da Alipar, holding do setor de alimentação que controla marcas como Jin Jin e Montana Grill, redes presentes em praticamente todos os grandes shoppings do país. A experiência em operações de grande escala influencia sua visão estratégica. “Escala exige gestão profissional.” Confira a entrevista.



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