[Série: Tirando o Crachá #05] Silvestre, da Avanade: "Hoje, carreira em T (o especialista versátil) é uma necessidade”

  • Para Adalberto Silvestre, a capacidade de observação se torna diferencial competitivo ao extrair aprendizados de situações em tese triviais
  • Pesquisa Loved Companies: 20,4% dizem que a possibilidade de crescimento nas empresas é a principal característica do emprego ideal
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
No novo episódio do Tirando o Crachá, parceria da AGÊNCIA DC NEWS com Felipe Ladislau, fundador da Black H. Office, o convidado foi Adalberto Silvestre, gerente sênior de Consultoria Digital na Avanade, fornecedora global de serviços digitais. Durante o bate-papo, o executivo abordou a ideia de carreira T-shaped, que une especialização e versatilidade e permite ao profissional colaborar em diversas áreas. “O T hoje é uma necessidade”, afirmou. “Se você tiver os princípios, vai nadar de braçada em qualquer empresa.”

Segundo ele, é importante que os conhecimentos gerais não sejam superficiais. “Amplitude por si só não gera nada”, disse. “É fundamental, mas muitas vezes demanda profundidade.” Silvestre ressalta a relevância de ser especialista em algo, mas afirma que o mercado de trabalho complexo atual exige habilidades transversais. Para isso, recomenda quebrar preconceitos no ambiente corporativo, o que exige conhecimento, estudo e interação.

Nesse sentido, destaca que a capacidade de observação se torna um diferencial competitivo ao extrair aprendizados de situações aparentemente triviais. Ele chama essa habilidade de “superpoder” e afirma que nenhuma experiência deve ser descartada – todo conhecimento pode gerar valor futuro. “Não tem nenhum conhecimento que você tenha na sua vida que não possa ter utilidade.” Assim, a atenção seletiva e o repertório acumulado projetam o profissional ao longo da trajetória.

Episódio do Tirando o Crachá com Adalberto Silvestre
Participação de Silvestre também aborda a falta de linearidade na carreira
(Divulgação)

Um profissional especialista e ao mesmo tempo versátil ajuda a evitar uma cilada comum: a do profissional linear que espera ser reconhecido e recompensado. Como afirmou Vanessa Pimentel, head de Recursos Humanos da Templo, no segundo episódio do Tirando o Crachá, a promessa de linearidade faz com que “pessoas adoeçam e criem expectativas que não necessariamente vão ser atingidas”.

Essa percepção se torna ainda mais relevante diante da atual falta de linearidade nas carreiras. Segundo a pesquisa Loved Companies, da ILoveMyJob, 20,4% dos entrevistados apontam a possibilidade de crescimento dentro das empresas como principal característica do emprego ideal – ficou acima de todos os demais itens, inclusive de salários e benefícios (13,6%).

Silvestre critica a organização “simplista” do mercado, que tenta colocar profissionais em “caixinhas” corporativas. “Eu me enxergo como um canivete suíço: tenho muitas competências.” Ele afirma que, por causa dessa lógica, o mercado ainda tem dificuldade em precificar profissionais híbridos.

Por isso, sugere pensar a carreira como um portfólio de opções, antecipando tendências. “Precisa ter um plano claro. E entender, caso algo aconteça, quais são as alternativas que você terá”, disse. O executivo acrescenta que é essencial considerar a conexão entre ambição pessoal e leitura do mercado antes de tomar novos passos. “Isso que eu estou fazendo hoje vai fazer sentido daqui a cinco anos? Daqui a dez?”

A AGÊNCIA DC NEWS divulga novos episódios toda sexta-feira. O programa também está disponível no Spotify e no YouTube.

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