Inadimplentes no varejo têm perfil: jovem, homem e que compra em óticas e lojas de roupas e calçados

Uma image de notas de 20 reais
Roupas e Calçados mantém-se, segundo o indicador, "em um patamar de alerta" com 9,20%
(Freepik)
  • Pesquisa do Meu Crediário aponta inadimplência de 8,48% em fevereiro no crediário. Indicador mede parcelas com mais de 90 dias de atraso
  • Indicador sinaliza ambiente de cautela no consumo parcelado. Média do trimestre móvel fica em 8,51% e mostra pressão persistente no crédito
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A inadimplência no crediário do varejo – modalidade de financiamento oferecida pelas próprias lojas – alcançou 8,48% em fevereiro, segundo dados do Índice de Inadimplência do Meu Crediário. Mais do que indicar estabilidade em relação a janeiro (8,46%) e alta de 1,74 ponto percentual frente a fevereiro do ano passado (6,74%), o levantamento ajuda a traçar o perfil de quem mais atrasa esse tipo de dívida: consumidores jovens, majoritariamente homens, com pendências concentradas nos setores de ótica e moda, e com maior incidência nas regiões mais populosas do país.

Em fevereiro, o segmento de Óticas assumiu a liderança da inadimplência, registrando a taxa mais alta da carteira (9,48%). Logo atrás, Roupas e Calçados mantém-se, segundo o indicador, “em um patamar de alerta” com 9,20%. Em contrapartida, o setor de Móveis e Eletro continua sendo a categoria de maior estabilidade do varejo, sustentando o índice mais saudável e seguro entre as opções analisadas (7,37%).

Em relação ao gênero, o maior risco de crédito da carteira continua sendo o do público masculino, com 10,37%. Em contrapartida, o público feminino apresenta um controle financeiro significativamente maior, mantendo o índice em 7,89%. Essa diferença considerável de 2,48 pontos percentuais reforça a tendência histórica de maior estabilidade entre as mulheres.

O grupo mais jovem (18 a 25 anos) desponta como o maior risco de inadimplência, com taxa crítica de 14,99%, seguido pela faixa de 26 a 35 anos (11,48%). A estabilização do indicador ocorre no público intermediário de 36 a 50 anos (8,48%), que se alinha à média geral do mês. Já os consumidores mais velhos consolidam-se como o perfil mais seguro: clientes de 51 a 65 anos registram 5,86%, enquanto aqueles com mais de 66 anos atingem a mínima da carteira, com apenas 5,64%.

O cenário regional de fevereiro de 2026 mantém uma clara disparidade de 3,19 pontos percentuais entre os extremos. O Sudeste continua isolado como o maior ofensor da carteira, sendo a única região a registrar taxa de dois dígitos (10,21%). No extremo oposto, o Sul sustenta o melhor desempenho do país com 7,02%. O bloco intermediário é liderado pelo Norte (9,01%), seguido por Nordeste (8,78%) e Centro-Oeste (8,19%).

VISÃO AMPLIADA – O indicador considera apenas operações de crediário concedidas diretamente por varejistas ou por parceiros financeiros das lojas. Para chegar ao índice, o Meu Crediário divide o valor total das parcelas com mais de 90 dias de atraso pelo volume de vendas realizadas a prazo no período. O cálculo não inclui inadimplência em cartões de crédito ou empréstimos bancários. Segundo a pesquisa, o resultado de fevereiro aponta para a “interrupção da trajetória de queda observada ao longo de parte de 2025” e reforça um ambiente de maior cautela para o consumo parcelado no início do ano. O trimestre mais recente – de dezembro de 2025 a fevereiro – registrou média de 8,51%, acima dos 7,12% observados no mesmo intervalo do ano anterior.

O comparativo histórico revela forte volatilidade para o mês. Após registrar o patamar crítico de 9,74% em 2024, o indicador apresentou queda brusca e atingiu sua mínima no ano seguinte, em 2025 (6,74%). Em 2026, contudo, “observamos uma correção de rota, com o índice repicando para 8,48% (alta de 1,74 p.p. no ano)”, disse a pesquisa. A conclusão do Meu Crediário é que, apesar dessa elevação recente, “o cenário atual ainda se mantém mais saudável do que o observado há dois anos”.

O aumento da inadimplência nesse tipo de financiamento ocorre em um contexto mais amplo de pressão sobre as finanças das famílias. Segundo o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 84,91% dos negativados em janeiro eram devedores reincidentes –consumidores que já haviam aparecido em cadastros de inadimplência nos últimos 12 meses. A maioria (65,16%) ainda não havia quitado pendências anteriores e foi negativada novamente. Cerca de 19,75% tinham saído do cadastro de inadimplentes no último ano, mas retornaram. Outros 15,09% tiveram restrições no CPF ao longo de 2025.

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