Os resultados do terceiro trimestre do Magazine Luiza mostraram recuperação, ainda que com desempenho classificado como modesto ou moderado por analistas do varejo. A Genial Investimentos foi mais enfática e cravou um “Sensacional!” em seu comentário, afirmando que o Magalu de 2016 voltou com “sangue nos olhos”. Para a corretora, foi um trimestre de “forte recomposição de margens, superando com folga até as estimativas mais otimistas do mercado com relação ao bottom line” – referência ao lucro contábil de R$ 102,4 milhões, quase quatro vezes acima da estimativa da Genial (R$ 26 milhões). A margem Ebitda foi de 8%, ante 5,7% em 2023, e não era vista desde meados de 2018 e 2019 – “tempos áureos de crescimento da empresa”. As ações da empresa subiram 3,84% na sexta-feira (8).
As vendas totais somaram R$ 15,5 bilhões no terceiro trimestre, com crescimento de 4,5% sobre 2023. Segundo o Magalu, “atingindo patamares históricos para o período”. Proporcionalmente, as lojas físicas foram “o grande carro-chefe do resultado”. Era esperado. Mas o universo digital ainda predomina. Na divulgação de resultados, feita na quinta-feira (7) após o fechamento do mercado, a empresa reportou vendas de R$ 4,5 bilhões nas lojas físicas (+13,3%) e de R$ 11 bilhões no e-commerce (+1,3%) – R$ 6,5 bilhões com mercadorias próprias e R$ 4,5 bilhões no marketplace, representando 41% do movimento online. O Magalu anunciou ainda lucro líquido ajustado de R$ 70,2 milhões, revertendo resultado negativo (-R$ 143,4 milhões) de igual período do ano passado. 4
Segundo o comunicado do Magalu, a geração de caixa operacional no 3T24 foi de R$ 571 milhões, somando R$ 2,4 bilhões em 12 meses, quase o triplo do ano anterior. “Essa evolução está relacionada à significativa melhora no desempenho operacional do período e na evolução do capital de giro.” O lucro líquido de janeiro a setembro atingiu R$ 137,4 milhões, também revertendo o prejuízo registrado no ano passado (R$ 651,6 milhões).
Com Ebitda de R$ 2,9 bilhões em 12 meses (+40%) e queda de 21% nas despesas financeiras (4% da receita líquida), a empresa destacou que teve seu quarto trimestre de balanço positivo. “Uma ratificação de nossa crença de que o Magalu deve ser, antes de mais nada, uma empresa lucrativa, a despeito das condições externas.” A receita líquida foi de R$ 9 bilhões no trimestre (+4,9% sobre 2023) e somou R$ 27,2 bilhões de janeiro a setembro (3,9%). A companhia fechou o período com 1.245 lojas, ante 1.303 há um ano.
RECUPERAÇÃO – Para a XP, o Magalu está “recuperando a receita e expandindo as margens enquanto enfrenta o macro”. A consultoria destaca que o GMV (volume bruto de mercadorias) cresceu 4,5% na comparação anual, “mais uma vez apoiado por um forte desempenho de lojas físicas”, com alta de 15,2%. Isso “provavelmente resultou de um cenário competitivo mais favorável, e uma pequena aceleração do online, já que o canal continua a enfrentar um ambiente macro difícil”. A XP afirma ainda que a rentabilidade voltou a ser destaque, “com a margem bruta aumentando 1,1 ponto porcentual anualmente, para 31,5%, atingindo o maior nível em sete anos, depois que a empresa conseguiu repassar totalmente o Difal”. O comentário refere-se ao Diferencial de Alíquota do ICMS e a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no final o ano passado, a respeito do recolhimento sobre operações destinadas ao consumidor final.
Já sobre o aumento da margem Ebitda, na visão da XP isso se deve à alavancagem operacional e aos melhores resultados da LuizaCred, que teve lucro líquido de R$ 66 milhões, ante prejuízo de R$ 15 milhões no ano passado. O lucro líquido ajustado do Magalu foi de R$ 70,2 milhões, ante projeção bem menor (R$ 20 milhões), “por conta de impostos mais baixos, enquanto a geração de caixa foi positiva em R$ 120 milhões, impulsionado por melhores resultados operacionais”. A XP lembra também que a parceria Magalu/AliExpress já está operando plenamente. Em junho, as empresas anunciaram acordo para oferecer seus produtos nas duas plataformas de marketplace. E o fulfillment (processo que abrange do pedido à entrega da mercadoria) respondeu por 24% dos pedidos, crescimento anual de 10%, “com a diretoria notando que ele dobra as taxas de conversão”.
Para o Itaú BBA, o desempenho das lojas físicas (+15,2%), acima da projeção (12,8%). Já o GMV online teve alta “suave”, de 1% na mesma base de comparação. Os analistas ressaltam ganhos consistentes na margem, diluição de despesas e “fortes resultados” na LuizaCred, com expansão da margem Ebitda. “As tendências de melhoria se mantiveram, mas o crescimento online ainda não se materializou”, disse o banco, apontando preços mais competitivos após o Difal e recuperação gradual do consumo.
ESTRATÉGICO – Em comunicado, o Magalu informou que está prestes a concluir um segundo ciclo estratégico, após o da digitalização (2016-2020). “O segundo e atual ciclo – iniciado em 2021 e que se encerrará no próximo ano – é o da construção e consolidação de um ecossistema de empresas que operam em sinergia e que amplia de forma radical os territórios de atuação do Magalu”, afirmou a empresa no documento. “E tão importante quanto tudo isso: é esse ecossistema – baseado na diversificação dos chamados earnings streams, ou fontes de resultados – que blinda a companhia dos efeitos das ciclicidades macroeconômicas. Estamos, rapidamente, nos transformando num negócio à prova de Selic. Não é pouca coisa num país como o Brasil.”
Assim, para criar o ecossistema – “termo banalizado no mercado, mas que faz todo sentido no nosso caso” –, a companhia fez mais de 20 aquisições nos últimos quatro anos. Foi “uma forma de acelerar tanto a diversidade de categorias de produtos oferecidas em nossa plataforma digital quanto de aumentar as receitas com serviços”. Depois da complexidade inicial, a empresa considera bem sucedido o processo de aquisição e integração dos negócios. “O Magalu não teria a escala, a abrangência e resultados mais resilientes sem isso.”