Crime organizado foi alvo de três operações nesta quinta (28)

Uma image de notas de 20 reais

Imagem gerada por IA
Compartilhe: Ícone Facebook Ícone X Ícone Linkedin Ícone Whatsapp Ícone Telegram

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Três operações miraram a infiltração do crime organizado, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), na cadeia produtiva do setor de combustíveis e do mercado financeiro nesta quinta-feira (28).

A Quasar e a Tank foram realizadas pela Polícia Federal, já a Carbono Oculto, pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Receita Federal. O Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que esta foi uma das maiores operações da história brasileira.

Veja os objetivos e os alvos de cada operação.

OPERAÇÃO TANK

– Objetivo: Desmantelar uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná. De acordo com a PF, o grupo criminoso existia desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

– Alvos: Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba, no Paraná, estavam envolvidos nessas práticas, além de empresários e integrantes de organizações criminosas.

– Como a organização atuava: A estrutura criminosa utilizava diversas táticas para ocultar a origem dos recursos, como depósitos fracionados em espécie (que ultrapassaram R$ 594 milhões), uso de “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços. O grupo também é suspeito de se valer de brechas no Sistema Financeiro Nacional para realizar transações de forma anônima por meio de instituições de pagamento. Investigações também revelaram práticas de fraude na comercialização de combustíveis, como adulteração de gasolina e a chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é inferior ao indicado.

– Mandados: 14 de prisão e 42 de busca e apreensão. No estado do Paraná, nas cidades de Pinhais e Curitiba, em São Paulo, na capital, Santana de Parnaíba, Barueri, São Caetano do Sul, Mairiporã, Jundiaí, Paulínia, Jardinópolis, Bertioga e Rio de Janeiro. Também foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, totalizando uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.

OPERAÇÃO QUASAR

– Objetivo: Desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras. A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.

– Alvos: Facções criminosas e fundos de investimento.

– Como a organização atuava: Por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas. Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos. Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos -como imóveis e títulos- entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.

– Mandados: Doze mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. A Justiça Federal também autorizou o sequestro integral de fundos de investimento utilizados para movimentação ilícita, além do bloqueio de bens e valores até o limite de cerca de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

CARBONO OCULTO

– Objetivo: Desarticular a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal.

– Alvos: A fintech BK Instituição de Pagamento S.A., também conhecida como BK Bank, foi um dos principais alvos da operação. Segundo a Receita Federal, a fintech atuaria como banco paralelo da organização e teria movimentado sozinha R$ 46 bilhões não rastreáveis de 2020 a 2024. A Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes -ou seja, sem ligação com um banco- do país também entrou na mira da força-tarefa.

– Como a organização atuava: Apurou-se que a organização criminosa trabalha com metanol, nafta, gasolina, diesel e etanol. Controla elos da estrutura portuária, a formulação e o refino. Tem frota para transporte e distribuição, postos de abastecimento e, inclusive, loja de conveniência. A força-tarefa informou que nas diferentes redes investigadas foram encontradas irregularidades no fornecimento de combustível em mais de 300 postos. Em bombas viciadas, os consumidores pagavam por um volume inferior ao informado ou por combustível adulterado, fora das especificações.

– Mandados: De busca e apreensão contra mais de 350 alvos, pessoas físicas e jurídicas que são suspeitos de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato. Locais – São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

Voltar ao topo