Índice GS1: indústria reduz lançamentos em 2025 e deve se manter cautelosa em 2026

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Vestuário registra a maior retração (25,2%) no índice de inovação entre os setores
(Freepik/Imagem gerada por IA)
  • Vestuário é o setor de maior retração (25,2%) no índice, que mede lançamentos a partir dos pedidos de novos códigos de barras
  • Com Copa do Mundo e de eleição, 2026 tende a ser um Marina Pereira, gerente GS1 Brasil: "Momento é mais de focar no portfólio"
Por Pedro Jansen

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
“A indústria não deixou de inovar, mas está mais seletiva”, afirmou Marina Pereira, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil. O Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial mostrou queda de 13,8% na intenção de lançamentos de produtos em 2025, sinalizando mudança de estratégia das empresas após o ciclo mais intenso de renovação observado no pós-pandemia. Trata-se da maior retração anual desde 2022, quando o PIB industrial cresceu 3,3%, de acordo com o IBGE.

O indicador é calculado a partir dos pedidos de códigos de barras (GTIN) feitos pela indústria e funciona como antecedente da produção, ao medir a intenção de colocar novos itens no mercado. Segundo Marina, o movimento do ano passado refletiu menos volume e mais análise sobre o que deve permanecer no portfólio. “É mais o momento de fazer funcionar o que está no portfólio e menos de inovação e renovação de produtos”, disse Marina.​

Na leitura do índice do GS1, o comportamento ao longo de 2025 mostrou mudança de ritmo. O primeiro trimestre foi o melhor da série histórica (2002-2025), ainda refletindo o dinamismo de 2022 e 2023, para depois adotar postura mais prudente. No terceiro trimestre, os lançamentos se concentraram em produtos voltados a datas sazonais, enquanto o fim do ano trouxe desaceleração, já ligada ao planejamento do período seguinte.​

BEBIDAS – Entre os setores, o recuo foi disseminado. Vestuário registrou retração de 25,2%, Alimentos tiveram queda acumulada de 16,3%, Bebidas recuaram 11,0% e apenas Produtos Diversos avançaram, com alta de 15,4%. “Bebidas sempre se destaca pela renovação de portfólio, mas mesmo assim teve um ano que não refletiu resultado positivo”, afirmou Marina, ao relacionar o desempenho ao fim do efeito mais forte do pós-pandemia e à estabilização do mercado.

Regionalmente, o Norte se destacou, com crescimento de 22,8% na intenção de lançamentos, impulsionado por investimentos ligados à COP30 e Zona Franca de Manaus. Sudeste (+2,0%), Sul (+3,1%) e Centro-Oeste (+3,8%) também registraram variações positivas, enquanto o Nordeste teve queda de 6,9%. A executiva citou o histórico de dinamismo da região Norte como fator explicativo. “Mesmo que a COP30 tenha sido um evento [pontual], foi capaz de atrair investimentos e novidades, movimentando o mercado”, disse.

O desempenho de 2025 também evidenciou a limitação do indicador atual. Hoje, o índice mede os pedidos de códigos, mas não separa os registros que efetivamente se transformam em produtos disponíveis ao consumidor. Diante disso, a GS1 Brasil desenvolve uma nova versão do índice, com cruzamento de dados de pedidos, consultas e cadastro de produtos, para acompanhar melhor o que de fato chega ao mercado.

Para 2026, a tendência é de manutenção da cautela, em um cenário de Selic projetada em 14,75%. pela CNI e Reforma Tributária em transição gradual desde o início de janeiro. “Com Copa do Mundo e de eleição, 2026 tende a ser um ano mais cauteloso para lançamento de novos produtos”, afirmou Marina. A avaliação é que o empresariado deve priorizar o portfólio já existente, abrindo espaço pontual para oportunidades ligadas a eventos e movimentos específicos do mercado, como a própria Copa do Mundo.

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