[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Operar integrado a um ecossistema digital robusto tem se mostrado um diferencial competitivo para marcas especializadas. É o caso da Estante Virtual, marketplace de livros novos e usados. Na função de head da empresa desde junho do ano passado, após passagem pelo Skeelo, plataforma de e-books e audiolivros, André Palme afirma que a Estante Virtual é parte estratégica do Grupo Magalu. A varejista adquiriu a companhia por R$ 31 milhões em leilão da Livraria Cultura em 2020. “Avançamos bastante na integração com o ecossistema Magalu, o que ampliou nossa visibilidade e capacidade de conversão”, disse em entrevista à AGÊNCIA DC NEWS. Apesar de exaltar a conexão com o universo da varejista, que em 2025 faturou R$ 64,7 bilhões, somente no ano passado a Estante Virtual participou da live Black das Blacks do conglomerado. A participação ocorreu aliada ao lançamento do aplicativo para smartphones da empresa no mesmo mês de novembro, o que levou a alta de 15% nas vendas na véspera da Black Friday. Em menos de dez dias o aplicativo alcançou a marca de 10 mil downloads.
Para o executivo, o resultado é fruto da aproximação com o sistema Magalu, que colocou a Estante Virtual diante de uma audiência que “ainda não associa a plataforma à experiência de compra rápida e competitiva da Black Friday”. Na avaliação de Palme, a Black Friday mostrou para a empresa que o posicionamento também é essencial. “Livros também têm protagonismo nesse grande evento do varejo”, afirmou o head da plataforma de livros. Apenas em 2019, o e-commerce vendeu 3 milhões de livros para 1 milhão de clientes, movimentando mais de R$120 milhões, conforme comunicado do Magalu na ocasião da aquisição. No documento, a varejista colocou que a Estante Virtual é “historicamente rentável”. Os números atuais da livraria não são divulgados. Com relação ao setor, de acordo com o 13º Painel do Varejo de Livros no Brasil, pesquisa conduzida pela Nielsen Book e divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), no ano passado foram comercializados 60 milhões de livros, com faturamento de R$ 3,08 bilhões, crescimento de 7,17% em volume e 8,14% em valor.
Em dezembro, o grupo inaugurou a Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, em São Paulo, ocupado pela Livraria Cultura até abril de 2024. Na visão de Palme, o modelo ilustra uma tendência mais ampla do varejo digital: marketplaces verticais ganham escala ao se conectar a grandes hubs, sem abrir mão de curadoria e especialização. “O digital garante escala e variedade. A loja física oferece experiência, curadoria e descoberta”, disse. “Juntas, essas frentes fortalecem a marca.” Confira a entrevista.
AGÊNCIA DC NEWS – Como a presença simultânea no site, no app e, agora, na livraria física no Conjunto Nacional amplia as oportunidades de negócio para a Estante Virtual?
ANDRÉ PALME – Essa presença amplia tanto alcance quanto profundidade. O digital garante escala e variedade. A loja física oferece experiência, curadoria e descoberta. Juntas, essas frentes fortalecem a marca, atraem novos públicos e criam mais oportunidades para nossos parceiros vendedores.
AGÊNCIA DC NEWS – A loja física no Conjunto Nacional representa um novo capítulo para a marca. Como tem sido essa experiência e qual seu papel dentro do ecossistema Estante Virtual e Magalu?
ANDRÉ PALME – A loja é um espaço de experiência, curadoria e conexão. Ela traduz o universo da Estante Virtual para o físico, ao mesmo tempo em que se integra ao digital. É um ponto de encontro entre leitores, livros e tecnologia, e reforça nossa ambição de ser a principal plataforma de livros do País, em todos os canais.
AGÊNCIA DC NEWS – O app também é apresentado como uma vitrine para sebos, editoras independentes e pequenos livreiros. Como vocês enxergam o impacto dessa expansão digital para esses parceiros?
ANDRÉ PALME – Vemos como uma grande alavanca de crescimento. O aplicativo reduz fricção, aumenta a visibilidade e coloca esses parceiros no bolso do leitor. Para muitos sebos e editoras independentes, isso significa acessar um público que dificilmente alcançariam sozinhos, com tecnologia, logística e meios de pagamento já estruturados.
AGÊNCIA DC NEWS – Como a Estante Virtual planeja expandir sua atuação nos próximos anos?
ANDRÉ PALME – Sem dúvida, a multicanalidade é um dos nossos pilares estratégicos. Vamos continuar fortalecendo o digital, expandindo a presença física de forma estratégica e aprofundando parcerias. Tudo isso com foco em escala, eficiência e experiência do leitor.
AGÊNCIA DC NEWS – Desde sua chegada como head da empresa, em junho do ano passado, quais têm sido as principais prioridades na modernização das plataformas e processos?
ANDRÉ PALME – As prioridades têm sido tecnologia, experiência do usuário e integração. Investimos em performance, dados, usabilidade e na aproximação com o ecossistema Magalu, sempre sem perder a essência da Estante Virtual, que é a diversidade de catálogo e a força dos nossos parceiros. Minha missão é usufruir de todas as oportunidades que a nossa estratégia de multicanalidade oferece, com foco no fortalecimento da nossa marca como autoridade em livros, mas não só para vendas, falo também em conteúdos relacionados ao mercado editorial. Nesse sentido, gostaria até de destacar o recente lançamento da newsletter Índice que, diariamente, abastece os leitores com notícias sobre o mundo dos livros.
AGÊNCIA DC NEWS – E qual é o papel da Estante Virtual no fortalecimento da economia circular do livro e como essa visão influencia os novos canais de venda?
ANDRÉ PALME – A economia circular é praticamente a força motriz da Estante Virtual. Dar nova vida a livros usados, raros ou esgotados é uma forma concreta de impacto ambiental e cultural positivo. Essa visão orienta a nossa estratégia, inclusive o app e a loja física, que reforçam o valor do reuso, da curadoria e do acesso ao conhecimento.
AGÊNCIA DC NEWS – A Estante Virtual registrou um crescimento de 15% nas vendas na véspera da Black Friday do ano passado. A que fatores vocês atribuem esse desempenho?
ANDRÉ PALME – Esse crescimento é resultado de uma combinação de fatores. Primeiro, houve um trabalho muito consistente de antecipação da Black Friday, com curadoria de ofertas relevantes e comunicação clara sobre preços e fretes. Segundo, avançamos bastante na integração com o ecossistema Magalu, o que ampliou nossa visibilidade e capacidade de conversão. Além disso, o leitor está mais atento ao custo-benefício e à sustentabilidade, e o livro usado, raro ou fora de catálogo tem ganhado ainda mais relevância nesse contexto.
AGÊNCIA DC NEWS – Como foi participar pela primeira vez da live Black das Blacks ao lado de outras empresas do ecossistema Magalu? Que impacto direto esse movimento trouxe para a marca?
ANDRÉ PALME – Foi um marco importante para a Estante Virtual. Estar na Black das Blacks nos colocou diante de uma audiência massiva, que muitas vezes ainda não associa a plataforma à experiência de compra rápida e competitiva da Black Friday. O impacto foi imediato em tráfego, buscas e novos cadastros, mas, principalmente, em posicionamento: reforçamos que a Estante Virtual é parte estratégica do ecossistema Magalu e que livros também têm protagonismo nesse grande evento do varejo.
AGÊNCIA DC NEWS – Vocês observaram mudanças no comportamento dos consumidores durante este período promocional? Houve algum padrão relevante de compra?
ANDRÉ PALME – Sim. Observamos uma jornada mais híbrida. O consumidor pesquisa mais, compara preços, salva produtos e retorna para finalizar a compra. Além disso, outro ponto relevante foi o crescimento da busca por livros que dialogam com desenvolvimento pessoal, educação financeira e literatura contemporânea brasileira.
AGÊNCIA DC NEWS – O aplicativo atingiu 10 mil downloads em menos de dez dias. Qual foi a estratégia por trás desse lançamento e desse nível de engajamento?
ANDRÉ PALME – A estratégia foi lançar um aplicativo funcional, simples e alinhado ao que o leitor já conhece da Estante Virtual. Então, posso dizer que por trás do sucesso rápido e orgânico do app tivemos a enorme força da marca Estante Virtual, com a experiência que a plataforma proporciona e que agora está na palma da mão dos leitores. Passamos por 2025 como uma marca muito consolidada, com 20 anos de história e um diferencial enorme em relação a qualquer outro vendedor online de livros. Nós trabalhamos muito com livros usados, mas também com os novos e isso também ajudou no engajamento do app.
AGÊNCIA DC NEWS – Como o app se integra à estratégia de multicanalidade do Magalu e da própria Estante Virtual?
ANDRÉ PALME – O aplicativo é uma peça central da nossa estratégia omnichannel. Ele conecta o leitor ao nosso marketplace, dialoga com o ecossistema Magalu e se soma ao site e à loja física. O objetivo é que o usuário transite naturalmente entre canais, mantendo a mesma experiência, o mesmo catálogo e as mesmas vantagens.
AGÊNCIA DC NEWS – Quais gêneros e autores se destacaram em vendas e buscas durante os dias de promoção?
ANDRÉ PALME – Tivemos forte demanda por ficção contemporânea brasileira, clássicos da literatura, livros de não ficção ligados a comportamento e educação financeira, além de infantis. Esses dados confirmam uma tendência de leitores buscando tanto entretenimento quanto formação. Podemos citar, entre os títulos de destaque, livros como O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe, O Segredo Final, de Dan Brown, e a edição 2026 de Café com Deus Pai.
AGÊNCIA DC NEWS – O que essas preferências de compra dizem sobre o perfil do leitor brasileiro atualmente?
ANDRÉ PALME – Mostram um leitor mais plural, consciente de preço, curioso e disposto a explorar. É alguém que valoriza boas histórias, mas também quer aprender, se desenvolver e fazer escolhas mais sustentáveis