[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Maior distribuidora de drones da América Latina, a Gohobby fechou 2025 com R$ 200 milhões de faturamento. Com seus produtos cada vez mais disseminados em diferentes segmentos, do agronegócio à educação, a empresa fundada e dirigida por Adriano Buzaid projeta alcançar R$ 500 milhões até 2028, crescimento de 150% em três anos. “Não esperamos o futuro chegar para reagir. Olhamos para frente e vamos ao encontro dele o mais rápido possível”, afirmou Buzaid, CEO da companhia, ex-piloto das categorias GP2 (atual F2) e Fórmula 3. A performance da Gohobby estará ancorada em três pilares: ampliação do portfólio com novas tecnologias; fortalecimento da marca própria com equipamentos que agregam valor e aumentam margem. E evolução para soluções completas.
Nesse último quesito, segundo Buzaid, a Gohobby deixa de atuar apenas como distribuidora de hardware para se posicionar como parceira estratégica dos clientes ao oferecer softwares, processamento de dados, treinamentos e serviços especializados. Outra aposta da companhia é o desenvolvimento de negócios relacionados a robôs, especialmente humanoides, que representam hoje 7% da receita da Gohobby.
A projeção é alcançar entre 20% e 30% do faturamento até 2028. Na melhor perspectiva, a linha de robótica sairia de R$ 14 milhões em vendas neste momento para R$ 150 milhões daqui a três anos, crescimento de 970%. Há poucos anos, esses equipamentos custavam por volta de US$ 3 milhões, atualmente são comercializados no exterior entre US$ 7 e US$ 15 mil. No Brasil, o investimento fica entre R$ 250 mil e R$ 300 mil.
QUATRO FRENTES – Mas qual é o mercado endereçado a um item tão específico? Adriano Buzaid vê quatro frentes de adoção. A primeira, utilities e segurança, com os robôs detectando vazamento de gás ou inspecionando redes elétricas, por exemplo. “A lógica é simples: tira o humano da área de risco e coloca a máquina”, disse o executivo. A segunda, indústria e logística, com foco em força bruta, já que a tecnologia permite levantar cargas pesadas sem desgaste físico humano.
A terceira frente é a saúde, com exoesqueletos ajudando enfermeiros a mover pacientes, por exemplo. E a quarta frente está no auxílio das tarefas diárias das famílias, o que o CEO da Gohobby chama de “momento Jetsons”, em referência à Rosie, robô que na ficção auxiliava nos afazeres do cotidiano domiciliar. “Estamos caminhando para isso. A demanda por serviços domésticos vai impulsionar a entrada desses robôs nas nossas casas”, afirmou Buzaid.
Há ainda fatores imponderáveis que podem aumentar o interesse do mercado pelo produto. Como ocorreu com o que ele chama de efeito Alok, quando o DJ postou vídeos com o robô cachorro Unitree Go2, em fevereiro de 2024, o conteúdo viralizou e o interesse pelo modelo aumentou. “Nós já tínhamos o produto e a estrutura prontos. Quando os posts viralizaram, já estávamos lá”, disse Buzaid.
Além dos drones e de sua linha robótica, a Gohobby também mira o setor de eVTOLs, veículos elétricos de decolagem e pouso vertical. A companhia realizou em setembro de 2024 o primeiro voo experimental de um eVTOL no Brasil, mais especificamente na cidade de Quadra, a cerca de 170 quilômetros da capital paulista. A atividade marcou a entrada da empresa em sua próxima fronteira: a mobilidade aérea urbana.
COMEÇO – A história da Gohobby começou em 2011, quando Adriano Buzaid investiu US$ 1 milhão em quatro contêineres com 700 drones cada. Segundo o executivo, foi a primeira empresa do Brasil a importar e distribuir esses equipamentos em larga escala. Nas palavras de Buzaid, foi um all-in (jogada do pôquer em que o jogador aposta todas as suas fichas) quando não havia demanda clara, regulamentação ou histórico de mercado para o produto.
O executivo vendeu bens pessoais, usou reservas acumuladas como piloto profissional e driver coach na Inglaterra, e começou com uma estrutura extremamente enxuta. “Nos primeiros anos, acumulei praticamente todas as funções. Cheguei a passar feriados inteiros trabalhando, dormindo no escritório”, afirmou Buzaid, ao relembrar o início da operação. A aposta deu certo.
O negócio evoluiu sem investidores externos ou aquisições, apenas reinvestindo os próprios resultados. A fórmula foi estudar o mercado, captar as tendências e antecipar o movimento do setor. Tudo com a visão empreendedora aguçada e a experiência de quem vivenciou o mundo das corridas de carro com alta tecnologia, engenharia de ponta e negociações internacionais. Foi nesse ambiente que Buzaid descobriu o hobby de pilotar helicópteros e aviões de controle remoto.
Quando voltou ao Brasil, transformou a paixão por aeromodelismo em negócio, com a perspectiva de que os drones poderiam ter aplicações além do lazer. “O Brasil ainda não conhecia os drones, mas a estabilidade e a facilidade de operação indicavam enorme potencial de crescimento”, afirmou o fundador da Gohobby, que estreou na Abrin (Feira Internacional de Brinquedos) de 2011. “Quando ligamos os motores, o estande lotou na hora. A gente simplesmente não parava de tirar pedidos.”
SOLUÇÃO COMPLETA – Aos poucos, a empresa deixou de ser apenas uma distribuidora de equipamentos para ampliar sua área de atuação e atender de modo mais amplo à clientela. “Rapidamente percebemos que o cliente precisava de muito mais do que apenas o aparelho”, disse. Um exemplo está na Petrobras. A petroleira transformou completamente a inspeção de estruturas offshore com os drones da Gohobby. Antes, verificava instalações em alto mar manualmente, o que envolvia complexidade e risco. Com os equipamentos, ganhou eficiência, praticidade e segurança.
O mesmo ocorre no setor de energia. A inspeção de redes exigia que operadores subissem em torres. Hoje, o drone faz a varredura completa e identifica rachaduras, corrosão e oxidação. “Nesses casos, não entregamos apenas um equipamento que voa, entregamos uma operação que preserva vidas”, afirmou Buzaid.
Essa mudança reflete uma tendência do mercado. O hardware virou apenas o começo da conversa. Na linha Enterprise, a Gohobby trabalha com soluções da marca DJI, como o FlightHub e o Terra (softwares para monitoramento e escaneamento 3D). No agronegócio, o software AgroScout não apenas captura imagens como também faz análise inteligente da plantação, identifica causas de baixa produtividade e detecta pragas específicas. “O valor real não está mais apenas no drone voando, mas no que fazemos com os dados”, afirmou o CEO da Gohobby, que hoje tem 50 colaboradores, um time multidisciplinar que inclui pilotos, engenheiros, vendedores técnicos e advogados.
Na cultura do time, o olhar para o futuro. “Na Gohobby, nunca estamos 100% no presente. Temos uma parte da empresa dedicada a produtos para 2027, 2028 e 2029”, disse Buzaid. O cenário competitivo mudou desde 2011, com mais players no mercado. Preocupação? Não para o fundador da companhia pioneira no setor. “Não é sobre trazer um produto antecipadamente. É sobre ler o futuro muito antes da concorrência”, afirmou.