Ata do Copom, pacote no Congresso, relatório de inflação e definição do Fed

Uma image de notas de 20 reais

São Paulo, 13 de dezembro de 2024 – Após o Comitê de Política Monetária do Banco Central(Copom/BC) ter receitado um remédio amargo para tentar controlar a inflação e sinalizado dosessimilares nos seus próximos dois encontros, as incertezas fiscais deverão seguir no radar domercado na semana de 16 a 20 de dezembro. Os investidores aguardam para a próxima semana a ata dareunião, tentando enxergar mais sinais sobre os próximos passos . No campo internacional, asatenções se voltarão para a definição da política monetária nos Estados Unidos, na próximaquarta, 18.

O Copom optou por elevar a Selic em 1 ponto percentual para 12,25% ao ano. Antes do encontro, amaioria do mercado apostava em 0,75 ponto de aumento, mas perto da reunião as apostas de umaelevação de 1 ponto aumentaram. Mas o que surpreendeu o mercado foi o tom mais duro do que oesperado do comunicado. Principalmente o forward guidance indicando mais duas elevações da mesmamagnitude nas próximas duas reuniões.

Na teoria, a posição do Copom acalmaria o mercado. Mas não foi o que aconteceu. Na quinta, odólar chegou a esboçar uma correção, mas o movimento não se sustentou e a moeda deve fechar asemana acima de R$ 6,00. A instabilidade do mercado responde às indefinições no campo fiscal.Apesar de intensas negociações, o pacote fiscal engatinha no Congresso. E a possível aprovaçãodas medidas seguirá no centro das atenções na próxima semana.

Outro ponto de atenção para o mercado vem do exterior. Na quarta é a vez do Federal Reserveanunciar a decisão sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos. Os mais recentes indicadores dedesempenho da economia americana reforçaram o sentimento de um corte de 0,25 ponto deverá seranunciado, sem grandes surpresas. A expectativa se voltará mesmo para o tom do pronunciamento dopresidente do Fed, Jerome Powell. Powell aliás foi confirmado no cargo até 2026, após opresidente Donald Trump ter descartado a troca.

às 13h55 da sexta, 13, o Ibovespa marcava 125.762 pontos, com desvalorização semanal de 0,32%. Odólar estava cotado a R$ 6,0596, com queda de 0,27% no acumulado da semana. As taxas DIs parajaneiro de 2029 abriram a semana a 14,375% ao ano e encerraram a 14,390%.

Na agenda de indicadores domésticos, poucos pontos, mas que merecem atenção redobrada dosinvestidores. Na segunda, sai o boletim Focus, com as previsões do mercado para a economiabrasileira. É a primeira edição após a decisão do Copom. Na terça, logo às 8h, serádivulgada a ata do encontro do Comitê. E na quinta, o Banco Central vai divulgar o RelatórioTrimestral de Inflação (RTI), o último boletim da era Campos Neto na presidência dainstituição.

Política

Com a aprovação da regulamentação da Reforma Tributária no Senado e o encaminhamento àCâmara, as atenções do mercado se voltam para a tramitação e possível aprovação do pacote decontrole dos gastos. A semana entre 16 e 20 será a última antes do recesso de final de ano e ogoverno concentra esforço para ver o pacote aprovado e com o mínimo de desidratação. Em meio atramitação deste importante ponto, há ainda atenção especial para a recuperação do presidenteLuiz Inácio Lula da Silva, após dois procedimentos para estancar sangramento no crânio.

O pacote fiscal é o ponto a ser acompanhado. O governo está encontrando muita dificuldade naarticulação política. O problema é a liberação das emendas parlamentares. Apesar daliberação de recursos nas últimas semanas, há descontentamento dos parlamentares ainda sobre aforma do acordo e os impedimentos vindo do Supremo Tribunal Federal. Enquanto não houver umasolução para o impasse, as dificuldades persistirão.

Para dar um recado ao STF, várias pautas polêmicas voltaram a ser tramitadas em comissões. Pautasque são sensíveis ao Judiciário. Em meio a essa briga, a brigada do Executivo colocada a postospara ver o pacote avançar encontrou mais uma semana de obstáculos na negociação. E estaindefinição política traz isegurança ao mercado. A dominância fiscal é fato e estáestressando o mercado neste final de ano, mesmo com o duro recado dado pelo Comitê de PolíticaMonetária (Copom) na reunião do dia 11.

Alguns pontos da agenda econômico-social avançaram nesta semana. O Plenário do Senado aprovou aregulamentação da reforma tributária (PLP 68/2024) sobre o consumo. O texto manteve a isençãode tributos para cesta básica, como carnes, queijos, arroz, feijão, massas e café. E incluiu aerva-mate nessa lista, na versão do relatório aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça(CCJ), ontem.

Um dos pontos de divergência entre os senadores foi a retirada de armas e munições do ImpostoSeletivo (IS). Um destaque apresentado em Plenário tentou voltar a sobretaxar armas e munições,mas não obteve votos suficientes. A proposta volta para a Câmara, para análise final dosdeputados.

Entrou em em vigor o mercado de créditos de carbono. O presidente da República, Luiz Inácio Lulada Silva, sancionou a lei que regulamenta o setor e cria o Sistema Brasileiro de Comércio deEmissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) ( Lei 15.042, de 2024). O texto foi publicado na ediçãoda quinta-feira (12) do Diário Oficial da União (DOU).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido a dois procedimentos ao longo da semana. Ainformação mais recente é de que o presidente retirou na noite da quinta o dreno inserido nacabeça na cirurgia de terça (10). Segundo o boletim médico mais recente, o procedimento ocorreusem intercorrências e o petista segue lúcido e orientado, conversando normalmente, como destaca odocumento. O presidente está internado em um hospital particular de São Paulo (SP). A expectativados médicos é de alta até a próxima terça-feira (17).

Internacional

A queda do regime do presidente da Síria, Bashar Al-Assad chamou a atenção pela rapidez: emboragrupos contrários ao seu governo estivessem agindo para tomar regiões dentro do país, foi com asua chegada à capital síria, Damasco, que o movimento rebelde chegou ao seu ápice.

Agora, o comandante Ahmad al-Sharaa, também conhecido como Abu Mohammed al-Golani, do grupo rebeldeHayat Tahrir al-Sham (HTS), anunciou planos para desmantelar as forças de segurança do antigoregime de Bashar al-Assad e fechar as prisões conhecidas por tortura e abusos. A comunidadeinternacional está acompanhando os desdobramentos do novo governo, os riscos de surgimento degrupos considerados terroristas, o relacionamento com o Irã, Rússia, Estados Unidos, Israel eUnião Europeia.

Na Coreia do Sul, o presidente Yoon Suk Yeol passou pela votação de impeachment para retirá-lo docargo no final de semana anterior, mas sua permanência está bastante fragilizada. Yeol haviadeclarado lei marcial alegando ações ‘antinacionais’, que foi logo derrubada pelo parlamentocoreano.O BCE se reuniu pela última vez em 2024 e decidiu cortar os juros em 0,25 ponto percentual (pp).Havia a expectativa de um corte maior, de 0,50 pp, mas a presidente do banco, Christine Lagarde,disse que, embora a inflação esteja em ritmo de queda, ainda não é hora de ‘declarar vitória’,e que outros cortes estão a caminho.

Para a próxima semana, teremos uma enxurrada de decisões de bancos centrais: FED, BOE, BOJ e PBOC.O Fed divulga também as projeções, e os investidores estarão de olho nas perspectivas de seusdirigentes para a economia nos próximos anos.

Além disso, nos Estados Unidos, teremos os índices Empire State de atividade industrial, do FedNova York e do Fed Filadélfia, as vendas no varejo, a produção industrial e capacidade utilizada,o índice de confiança das construtoras NAHB, construção de novas residências, estoques depetróleo, pedidos de seguro-desemprego, a terceira leitura do PIB do terceiro trimestre, vendas deimóveis usados, o índice PCE de inflação, a renda e gastos pessoais, e o Michigan/Reuters deconfiança do consumidor.

A zona do euro divulga o saldo da balança comercial, a leitura revisada do índice de preços aoprodutor, o saldo em conta corrente, e a confiança do consumidor. A Alemanha publica o índice IFOde confiança do empresário, o ZEW de sentimento econômico, o Gfk de confiança do consumidor, e oíndice de preços ao produtor. O Reino Unido publicará a taxa de desemprego, os índices depreços ao consumidor e ao produtor, e as vendas no varejo.

O Japão divulga o saldo da balança comercial e o índice de preços ao consumidor. A China publicaa produção industrial, vendas no varejo e a taxa de desemprego. Haverá também as leituraspreliminares dos PMIs dos Estados Unidos, Reino Unido, zona do euro, Alemanha e Japão.

Empresas

Na última semana antes das festas de fim de ano, os investidores seguem atentos à sinalizaçãodas empresas sobre as estratégias para os próximos meses, que prometem muita volatilidade em 2025diante do cenário desafiador para o mercado de ações brasileiro, principalmente diante do ajustefiscal emperrado no Congresso e à projeção de alta da Selic a 14,25% até fevereiro. Na próximasemana, por exemplo, a Usiminas realiza sua reunião anual pública na Associação dos Analistas eProfissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec), na quinta-feira (19), às10h. A semana também terá a divulgação dos números de fechamento de novembro e as previsõesfuturas do Instituto Aço Brasil na segunda (16) e do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço(Inda), na quinta.

Na última semana, o grande destaque foi o Investor Day da Suzano, na quinta-feira (12), realizadoentre São Paulo (SP) e sua unidade em Ribas do Rio Pardo (MS). A companhia atualizou suasestimativas de longo prazo de desembolsos operacionais do seu negócio de celulose, para R$ 1.900,00por tonelada em 2027, de R$ 1.753,00/t. A perspectiva considera os seguintes fatores em comparaçãoà estimativa anteriormente divulgada: atualização monetária prevista para 2025 e a variaçãodos índices de inflação (IPCA, INPC e IGP M) observados em 2024 em relação ao previsto para oano; variação cambial; e atualizações relacionadas a custos operacionais e iniciativas degestão visando maior competitividade estrutural.

Na terça-feira, outra gigante do setor de papel e celulose, a Klabin, atualizou suas estimativas deinvestimentos (capex) e outras projeções de negócios na sua reunião anual com analistas einvestidores. A companhia investirá R$ 3,3 bilhões por ano, em 2024 e 2025, R$ 2,9 bilhões em2026, R$ 2,8 bilhões em 2027 e R$ 2,5 bilhões por ano em 2028 e a longo prazo após 2028. O custode caixa total por tonelada projetado pela empresa é de um intervalo entre R$ 3,1 mil/ton e R$ 3,2mil/ton em 2024 e em 2025. A projeção referente às sinergias do Projeto Caetê, divulgada emdezembro de 2023, foi descontinuada, uma vez que, a partir de 2025, passará a compor a projeçãodo custo caixa apresentada.

No setor de siderurgia e mineração, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) celebrou na últimaterça (10) uma proposta vinculante para aquisição de 70% do capital social da Estrela, por R$742,5 milhões, sendo que R$ 300 milhões serão pagos na conclusão da transação e o restante dopreço total será pago em três parcelas anuais. A Estrela é a Holding do grupo Tora Transportes,um dos maiores operadores logísticos do país que há mais de 50 anos acumula expertise na área deintegração rodoferroviária e operação de terminais, voltada à movimentação de grandestonelagens. O relacionamento comercial entre o Grupo Tora e a Companhia perdura há 35 anos e estaaquisição estratégica tem por objetivo promover forte crescimento das operações intermodaisexplorando mais intensamente a infraestrutura atual nas regiões de operação, fortalecendo aatuação da CSN no segmento de logística, informou a companhia, em fato relevante. O negócioainda dependerá da obtenção das aprovações legais e regulatórias, como a aprovação doConselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), por exemplo.

Na quarta (11), a CSN informou novas projeções, que incluem, a substituição da projeção decapex consolidado de R$ 6,0 bilhões em 2024 e um intervalo de R$ 6,0 a R$ 7,0 bilhões no períodode 2025 e 2028 para o novo patamar de R$ 5,3 bilhões em 2024 e de R$ 5,0 a R$ 6,0 bilhões em 2025e a substituição da projeção de alavancagem, medida pelo indicador dívida líquida sobre oebitda ajustado de um patamar de 2,50 vezes no fechamento do balanço anual de 2024 para uma metaabaixo de 3,0 vezes em 2025. Outra projeção foi a substituição do exercício de sensibilidade doebitda consolidado em 2028 para um ebitda potencial e incremental de R$ 9,3 bilhões após amaturação dos projetos em curso.

Para o capex na Siderurgia, a companhia prevê aproximadamente R$ 7,9 bilhões no período de2023-2028 para R$ 8,0 bilhões até 2028, relativos à modernização do parque industrial, compotencial de gerar até R$ 2,8 bilhões de ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação eamortização) incremental até 2030.

A projeção de capex de expansão no segmento de cimentos foi substituída de R$ 5 bilhões para R$7,7 bilhões em crescimento orgânico, adicionando um total de 9 milhões de toneladas/ ano. A CSNinformou a projeção de volume de vendas de cimentos de 14 Mton em 2024.

A companhia atualiza a projeção de gerar até R$ 3,8 bilhões de ebitda na Transnordestina após oinício das operações, estimado para começar em 2027.

A CSN Mineração substitui a projeção de volume de produção e compras de minérios de terceirospara um patamar entre 42,0 e 43,5 Mton em 2025, 43,5 e 47,5 Mton nos anos de 2026 e 2027, 50 e 55Mton em 2028, 55 e 60 Mton em 2029 e 60-65 Mton em 2030. A companhia prevê custo C1 para um patamarentre US$21,5/ton e US$23,0/ton em 2025.

A empresa também substitui a projeção de capex de expansão de um patamar de R$ 15,3 bilhões noperíodo de 2023-2028 para um patamar de R$ 13,2 bilhões no período de 2025-2030, relativos àfase 1 do projeto de adição de capacidade.

Em energia, a Cemig informou ontem (12) seu plano de investimentos para o período 2025/2029, nomontante de R$39,2 bilhões, que será dividido entre os segmentos deDistribuição (R$ 23,2 bi); Geração (R$ 4,2 bi); Transmissão (R$ 4,3 bi); Geração Distribuída(R$ 2,6 bi); Gás Natural (R$ 1,6 bi); Inovação (R$ 2,3 bi); e TI (R$ 1,0 bi).

Cias informam datas de divulgação dos balanços do 4T24 e de 2024

As companhias do Ibovespa e outras também listadas na Bolsa B3 começaram a confirmar as datas dedivulgação dos resultados do quarto trimestre (4T24) e do ano de 2024 por meio dos calendários deeventos corporativos enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nos últimos dias.

Confira as datas divulgadas até o momento no calendário abaixo:

Fevereiro5/2 – Santander Brasil, Itaú Unibanco6/2 – Multiplan, CCR7/2 – Bradesco10/2 – TIM, BTG Pactual12/2 – Totvs13/2 – Suzano14/2 – Usiminas18/2 – Iguatemi, Pão de Açúcar, Carrefour Brasil19/2 – Vale, Banco do Brasil, Metalúrgica Gerdau, Gerdau20/2 – Engie Brasil, Caixa Seguridade, Lojas Renner, B3, Rumo, Assaí24/2 – ISA Brasil Energia, Azul, Auren25/2 – MRV, RD Saúde (RaiaDrogasil), IRB Brasil Re, Telefônica Brasil26/2 – Weg, Klabin, Petrobras, Cosan, Ultrapar, BRF, Marfrig, Braskem, Azzas 215427/2 – Fleury, Embraer, Localiza

Março12/3 – Prio, SLC Agrícola, Vivara, CSN, CSN Mineração13/3 – Locaweb, Eletrobras, Natura, Magazine Luiza17/3 – Itaúsa18/3 – Energisa, Taesa, Yduqs19/3 – Minerva, Brava Energia20/3 – Petz, Cogna, Cyrela, Hypera, Hapvida, Eneva24/3 – Sabesp25/3 – JBS, Bradespar26/3 – CVC, Equatorial, Americanas SA, Rede DOr, Oi28/3 – Gol

Cynara Escobar, Dylan Della Pasqua e Vanessa Zampronho / Safras News

Copyright 2024 – Grupo CMA

Voltar ao topo