Voto distrital é a solução!
Fica cada vez mais claro que a transição para o sistema distrital é o ponto essencial da necessária reforma política que precisamos implementar para enfrentar a crise de representatividade e os altos custos do sistema proporcional vigente

*Com Arthur Gebara, jornalista e professor da Faculdade do Comércio de SP
Está mais do que evidente a urgência de ampliar o debate sobre o voto distrital (misto) e acelerar o avanço de uma pauta que, desde o início de 2025, vem sendo debatida por lideranças do Congresso Nacional. Não é uma preocupação gratuita: fica cada vez mais claro que a transição para o sistema distrital é o ponto essencial da necessária reforma política que precisamos implementar para enfrentar a crise de representatividade e os altos custos do sistema proporcional vigente.
Para todos eles, está claro que o sistema atual de voto proporcional gera um distanciamento em que muitos eleitores não se sentem representados ou sequer lembram em quem votaram. O modelo distrital divide o estado em regiões menores, aproximando o deputado de sua base geográfica e garantindo uma participação efetiva do eleitor em decisões relacionadas às questões mais próximas de sua realidade.
Também é fundamental levar em consideração um aspecto que, no cenário atual, pode ser considerado uma trincheira na luta do povo brasileiro contra o crime organizado e sua influência nas eleições. Com distritos menores, a fiscalização da sociedade, da imprensa e dos órgãos de controle sobre os candidatos torna-se mais eficaz, dificultando a infiltração de criminosos na política.
Com um representante direto para cada distrito, a cobrança por resultados e a fiscalização do mandato tornam-se mais diretas. Além disso, uma eventual implementação do sistema distrital nas eleições de 2030 pode significar redução de custos, já que a atuação do político passa a ser mais restrita geograficamente.
O foco do Congresso Nacional, portanto, deve ser a aprovação do voto distrital misto (como o modelo alemão), no qual o eleitor dá dois votos: um no candidato do seu distrito e outro na legenda partidária. Outra questão é a necessidade de criar instrumentos legais que possam evitar a manipulação na definição do desenho dos distritos (gerrymandering) para beneficiar quem já detém o poder. A proposta que está avançando no Legislativo é um projeto do ex-senador José Serra (PSDB), que já foi aprovado no Senado e segue em análise na Câmara. Para passar a valer nas eleições de 2030, deve ser avaliada o mais urgentemente possível.
Por outro lado, precisamos mobilizar as entidades empresariais que representam a sociedade civil e o setor produtivo. Deve existir um esforço mais efetivo junto ao Congresso para, quem sabe, iniciar uma nova fase da política no nosso país. O voto distrital é parte da nossa luta pela construção de um país mais justo e desenvolvido, livre das ameaças do crime, da corrupção e, especialmente, da má gestão que tanto impacta a economia e a sociedade brasileira.
IMAGEM: Reprodução do site/TSE
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