Associações Comerciais preparam manifesto contra a redução da escala 6x1

Sistema associativista articula agenda política e econômica para 2026, com mobilização contra a redução da jornada, defesa do voto distrital e busca por maior representação do micro e pequeno empreendedor.

Redação Facesp
24/Fev/2026
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Associações Comerciais preparam manifesto contra a redução da escala 6x1

Em meio a um importante ano eleitoral e à polarização dos debates que impactam diretamente os pequenos negócios, a Rede de Associações Comerciais inicia uma nova mobilização em defesa das micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior geração de emprego e renda no País.

Durante reunião de vice-presidentes da Facesp, realizada nesta segunda-feira na sede da Associação Comercial de São Paulo (23/02), lideranças do sistema associativista definiram três pautas prioritárias para 2026: protagonismo nas eleições, com apoio a propostas alinhadas à classe empreendedora, mobilização nacional pela aprovação do voto distrital, e a construção de um manifesto contra a redução da escala 6x1, com o objetivo de dar voz à insatisfação do setor produtivo.

Para fortalecer o posicionamento contrário à diminuição da jornada de trabalho, as Associações Comerciais receberão dados técnicos e econômicos que poderão ser compartilhados nos municípios e regiões, demonstrando os impactos negativos da proposta sobre a economia local e a sustentabilidade dos pequenos negócios.

Presente à reunião, o conselheiro da Facesp, Guilherme Afif Domingos, afirmou que a redução da carga horária sem contrapartida em qualificação profissional representa “um desastre anunciado”. Segundo ele, o tema exige uma mobilização pública expressiva, iniciando por São Paulo, para demonstrar a insatisfação do setor produtivo diante da exclusão do debate.

Afif também ressaltou que a mudança pode ser prejudicial aos próprios trabalhadores, ao comprometer a viabilidade financeira de milhares de pequenos negócios.

Uma das estratégias da mobilização será apresentar aos colaboradores os impactos diretos da proposta, mostrando que muitos empreendedores não terão condições de manter o negócio em funcionamento, gerando demissões.

Para o presidente da CACB e Facesp, Alfredo Cotait Neto, trata-se de projetos com viés eleitoreiros, que ignoram efeitos estruturais sobre a economia. Segundo ele, há risco de decisões parlamentares orientadas pela busca de popularidade, sem análise de consequências de médio e longo prazo. Cotait defende uma atuação firme das ACs e da sociedade civil organizada para expor a superficialidade do debate e os impactos reais sobre empresas, empregos e renda.

A Facesp avalia que, por se tratar de um tema eleitoral, a reação precisa ser rápida, estruturada e contundente, apresentando alternativas concretas à proposta em discussão.

Protagonismo

No campo político, Cotait reforçou a necessidade de eleger representantes comprometidos com a defesa do micro e pequeno empreendedor, tanto na Câmara Federal quanto no Senado. A orientação é que a Rede de Associações Comerciais assuma o protagonismo no processo eleitoral, atuando na construção de uma representação política alinhada ao desenvolvimento econômico.

O conselheiro da Facesp, Marco Bertaiolli, destacou que a independência partidária do sistema permite focar na causa, com atuação baseada em um único propósito: defender quem empreende e gera desenvolvimento.

A estratégia prevê início imediato do trabalho de articulação política, sem esperar o período eleitoral, com foco em resultados efetivos. Entre as propostas está a formação de uma bancada do micro e pequeno empreendedor, capaz de garantir voz ativa e poder de negociação em Brasília, de forma estruturada e permanente.

A capilaridade das Associações Comerciais será utilizada para identificar candidatos dispostos a assumir compromissos formais com a agenda do empreendedorismo, fortalecendo uma base política conectada às demandas reais do setor produtivo.

Reforma política

O voto distrital foi apontado como prioridade estratégica. Bertaiolli destacou o modelo como instrumento de fortalecimento da representação democrática, ao permitir que o eleitor identifique claramente o representante e exerça fiscalização direta sobre o mandato.

Afif definiu o voto distrital como passo decisivo para a descentralização efetiva do poder, ampliando a vigilância social e a responsabilidade política no âmbito local.

IMAGEM: Divulgação

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