Pela primeira vez, Impostômetro alcança R$ 2 trilhões ainda no primeiro semestre

Marca histórica reflete maior arrecadação impulsionada pela atividade econômica, inflação e aumento da carga tributária, enquanto gastos públicos já se aproximam de R$ 3 trilhões

Rebeca Ribeiro
27/Jun/2026
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Pela primeira vez, Impostômetro alcança R$ 2 trilhões ainda no primeiro semestre

Pela primeira vez desde sua inauguração, em 2005, o Impostômetro, painel instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), atingiu a marca de R$ 2 trilhões ainda no primeiro semestre do ano. O valor foi alcançado às 09h09 da manhã deste sábado (27/06) e corresponde ao total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros à União, aos estados e aos municípios, incluindo multas, juros e correção monetária.

No mesmo período do ano passado, o Impostômetro registrava R$ 1,9 trilhão e atingiu a marca de R$ 2 trilhões apenas em 03/07 - o que representa um crescimento de 3,1%. Em relação a 2024, quando o valor foi alcançado em 24/07, a antecipação registrada neste ano representa um aumento de 13,0% na arrecadação. Há dez anos, em 2015, a marca de R$ 2 trilhões foi atingida somente em 09/12.

O aquecimento da atividade econômica e a inflação, que pressiona os preços de bens e serviços, são fatores decisivos para a aceleração da arrecadação tributária, segundo Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da ACSP.

Para João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), essa antecipação recorde resulta principalmente do aumento do volume de transações tributáveis. “A isso se somam as recentes medidas de elevação da carga tributária, como a taxação de rendimentos no exterior, dos fundos exclusivos, a reoneração parcial dos combustíveis, o aumento do IOF e a tributação sobre apostas, entre outras novas formas de arrecadação”, afirma.

Gastos públicos alcançam quase R$ 3 trilhões

Apesar de a arrecadação já ter atingido R$ 2 trilhões, os gastos públicos ultrapassam R$ 2,7 trilhões, uma diferença de cerca de R$ 700 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 1,2 trilhão saiu do caixa do Governo Federal, R$ 729 bilhões dos estados e R$ 745 bilhões dos municípios.

De acordo com o Gasto Brasil, entre as principais despesas do Governo Federal destacam-se 11 categorias, responsáveis por 96% do total dos gastos. A maior parte dessas despesas corresponde à Previdência, às despesas com pessoal e aos encargos sociais, que, juntas, representam 60% do total. Até 25 de junho, os gastos federais com a Previdência somavam R$ 771 bilhões.

Para Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a arrecadação cresce, mas não consegue acompanhar o ritmo das despesas públicas. 

Esse descompasso é o nó central das dificuldades fiscais do país e explica, em grande medida, por que a carga tributária continua pressionando famílias e empresas sem que haja uma contrapartida equivalente em serviços públicos de qualidade”, diz Cotait. 

IMAGEM: ACSP

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