SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O executivo brasileiro Cristiano Amon, presidente e CEO da Qualcomm, foi reconhecido como um dos líderes mais importantes da inteligência artificial no cenário global.
Sob sua liderança, a empresa americana investiu pesado em pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial. Hoje, os chips para smartphones e tablets adaptados para IA já são o principal gancho de ganhos da companhia.
A Qualcomm desenvolve chips para PCs, óculos inteligentes e outros dispositivos nos setores automotivo e industrial. Como gigante do setor móvel, seu processador Snapdragon equipa os principais smartphones Android mundiais.
Cristiano Amon assumiu como CEO da Qualcomm, a maior fabricante de chips móveis do mundo, em junho de 2021, justamente quando a indústria de semicondutores estava enfrentando dificuldades para lidar com a escassez de suprimentos causada pela pandemia.
Quatro anos depois, o ciclo dos semicondutores mudou e o mercado de chips está em recuperação desse excesso de oferta. Além disso, os consumidores diminuíram gastos com dispositivos eletrônicos, em meio a uma onda inflacionária global
Amon, um engenheiro brasileiro que ingressou na Qualcomm em 1995, tentou diversificar a empresa sediada em San Diego (EUA) em novas áreas, incluindo PCs e carros.
No início deste ano, a empresa sediada em San Diego adquiriu a divisão de IA generativa da startup VinAI. O objetivo é desenvolver software de IA que possa ser aplicado em diversos setores, incluindo dispositivos móveis, PCs, veículos e óculos inteligentes.
A estratégia de Amon angariou relativo sucesso no mercado: em 2024, as ações da Qualcomm tiveram valorização de 11,5% na Bolsa de valores. Ainda assim, é um ganho modesto, diante de outros fabricantes de chip, como a Nvidia e a AMD.
No mercado para smartphones, os semicondutores da Qualcomm, chamados de Snapdragon, já contam com processamento dedicado à IA -os chips chamados de NPU (unidade de processamento neural).
Em 2024, a Qualcomm lançou um programa para incentivar desenvolvedores a criar aplicativos de inteligência artificial para celulares.
Amon define a IA como “a nova interface do usuário”. “Com a IA, um computador pode entender a linguagem humana, pode entender o que vemos, pode entender o que ouvimos, e isso está mudando fundamentalmente como usamos esses dispositivos”, declarou à revista Time.
A empresa de 40 anos nasceu na tecnologia sem fio, mas agora aposta na inteligência artificial como diferencial competitivo em variados mercados.
Além de Amon, outros dois brasileiros aparecem na lista da Time, na categoria “inovadores”, dedicada a pessoas que criaram ou contribuíram de forma significante para novos produtos.
O fundador do Instagram, Mike Krieger, hoje diretor de produtos da Anthropic, recebeu destaque pela sua contribuição à interface do chatbot Claude, um dos principais concorrentes do ChatGPT.
Ana Helena Ulbrich, por sua vez, foi lembrada por ter fundado a NoHarm, startup que usa IA para checar receitas de acordo com o histórico do paciente, a fim de evitar a prescrição de remédios que arrisquem a saúde das pessoas. O negócio já recebeu financiamento de Google e Amazon.