Central do Varejo/NRF 2026 (dia 3): Marcos Luppe destaca lado humano no Wrap Up "para que toda a roda gire"

  • Luppe afirma que o lado humano é o motor que faz a IA girar, sendo a curadoria estratégica das pessoas indispensável para a aplicabilidade
  • O diferencial competitivo reside na valorização das equipes de linha de frente, unindo a verdade da marca à nova jornada de experiência
Por Da Redação

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
No encerramento da maior feira de varejo do mundo, a NRF, o Wrap Up da Central do Varejo, trouxe uma reflexão profunda sobre como a tecnologia e a sensibilidade humana devem caminhar juntas para o sucesso das operações comerciais. Durante o balanço final do evento, Marcos Luppe, professor coordenador do MBA Varejo Físico e Online da USP/Esalq, destacou em conversa com José Fugice, que o avanço das ferramentas digitais não substitui a necessidade de lideranças capacitadas. “O lado humano das pessoas é essencial para que toda essa roda gire”, afirmou. Afinal, a inteligência artificial demanda estratégias humanas para aplicabilidade. O programa integra a parceria editorial entre a Central do Varejo e a DC News para a produção de conteúdos sobre o principal evento global do setor.

Luppe, que também é coordenador do MBA em Gestão de Negócios Digitais e Inteligência Artificial (USP) e do Centro de Estudos e Pesquisas do Varejo na mesma universidade, observa que a velocidade das mudanças exige que as empresas organizem suas bases de dados antes de tentarem articular soluções complexas de automação. “Tudo isso precisa ser orquestrado por alguém e essa curadoria estratégica é fundamental”, disse. Para ele, as organizações precisam ganhar agilidade para buscar o que é realmente importante para o seu nicho, evitando investimentos em tecnologias que não conversam com a realidade da base operacional.

Outro ponto de destaque foi a saturação do consumidor diante do bombardeio de informações e estímulos comunicacionais, um tema reforçado pelas palestras de especialistas em redes sociais como Gary Vaynerchuk, chairman da VaynerX e CEO da VaynerMedia. O mercado agora exige que as marcas abandonem conteúdos pasteurizados em favor de uma comunicação mais autêntica, veloz e que gere relevância imediata para o público-alvo. “As pessoas já estão cansadas daquilo que parece inventado e fake no digital”, afirmou o professor da USP durante o Wrap Up. De acordo com Luppe, a espontaneidade e a verdade da marca tornaram-se ativos mais valiosos do que produções publicitárias extremamente elaboradas, mas sem alma.

EXPERIÊNCIA FÍSICA – A ressignificação da loja física é uma tendência irreversível que ganhou novos contornos nesta edição, com o foco total na redução de fricções e na integração de serviços. Casos como o do Walmart e da Target mostram que o espaço físico deve deixar de ser apenas transacional para se tornar um centro de curadoria e percepção de valor. “A loja física precisa ser ressignificada e ela vai ganhando novas funções agora”, disse Luppe. Bianca Murotani, da GD Design, que também entrou no bate-papo com José Fugice, disse que o design e o visual merchandising são ferramentas cruciais para transformar commodities em produtos de desejo, atraindo o cliente que hoje prioriza a conveniência do digital.

O sucesso dessa transformação digital e física depende, em última instância, do investimento contínuo no treinamento e na valorização das equipes de linha de frente. O varejo brasileiro, em especial, enfrenta o desafio de equilibrar a alta tecnologia com o atendimento personalizado que o consumidor ainda busca no balcão das lojas. “O varejo é muito intenso de pessoas e este é um ponto essencial”, afirmou Luppe. Ele conclui que, mesmo com as melhores ferramentas de IA do mundo, o cuidado com a gente e o treinamento focado na nova jornada do cliente são os verdadeiros diferenciais competitivos para 2024. Confira o Wrap Up completo.



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