[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Com 400 expositores e 50 mil visitantes esperados, a 16ª edição da ABCasa Fair começa neste domingo (8) e vai até quarta-feira (11), no Expo Center Norte, em São Paulo. E consolida uma mudança de comportamento iniciada durante a pandemia – a permanência no ambiente doméstico – habito que se manteve na rotina, segundo o presidente da Associação Brasileira de Artigos para Casa, Decoração, Presentes e Utilidades Domésticas (ABC Casa), Eduardo Cincinato. “Hoje, o consumidor olha muito para dentro de casa”, afirmou. Com expectativa positiva, ele estima crescimento de 6% no faturamento do varejo do setor este ano – o que significaria um valor próximo dos R$ 129 bilhões.
A feira, na modalidade B2B, é também vista como o começo do planejamento anual do setor, cuja receita de vendas no varejo aumentou 27% desde 2021 – de R$ 95,5 bilhões naquele ano para estimados R$ 121,4 bilhões em 2025. Se confirmado, o resultado representa alta nominal de 5,7% frente a 2024. O resultado do ano passado, segundo o executivo, também foi ajudado pela política de preços. De acordo com a ABCasa, a inflação de artigos para casa subiram 2,13% no ano passado, exatamente a metade do IPCA (4,26%). “O resultado mostra o esforço do setor para conter repasses e sustentar o volume de vendas”, disse a entidade. “Ainda que isso represente desafios adicionais de rentabilidade.” O presidente acrescenta: “Com o câmbio um pouco mais estável, os fretes impactaram menos os preços”. As importações somaram US$ 2,2 bilhões (+10,9%) – 74% dos produtos vieram da China – e as exportações, US$ 853,4 milhões (+1%). A associação estima ainda alta nominal de 0,2% na produção do setor em 2025, atingindo valor de R$ 64,7 bilhões.
CAPACITAÇÃO – Para Cincinato, eventos como ABCasa Fair têm como objetivo, além de firmar negócios, trazer ao lojistas um melhor entendimento sobre o perfil do consumidor, como ele comporta e o que espera das compras. “É uma feira que gera negócios e também capacita”, disse. Segundo ele, o consumidor está mais atento ao preço e à utilidade do produto, e menos ao tempo de vida – bem diferente dos tempos do faqueiro que atravessava gerações familiares. “Ele procura bons produtos, não tão duráveis, mas eficientes.”
Segundo a edição mais recente da pesquisa ABCasa/Iemi, com dados relativos a 2024, o consumidor que pesquisou na internet antes de comprar considerou principalmente preço (48%), benefícios do produto (24%), prazo de entrega (19%) e frete (18%). A maioria (59%) comprou em lojas físicas, enquanto o e-commerce representa 41% do total. O gasto médio por pessoa foi de R$ 478 no ano. De acordo com os dados da entidade, são 144 mil lojas especializadas e 114 mil não especializadas. As compras se dividem em utilidades domésticas (56%) e artigos de decoração (44%).
Sobretudo, observa Cincinato, cuidar da decoração passou a ser uma questão cada vez mais individual e de criatividade. Ele fala em maximalismo, a combinação de tendências. “O que entrou na casa das pessoas, e que antes não entrava, foi o próprio estilo.”