São Paulo, 29 de agosto de 2025 – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu nestasexta-feira (29) prudência diante do início do processo para aplicação da Lei da ReciprocidadeEconômica contra os Estados Unidos, autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva naquinta-feira (28) e detalhado nesta sexta (29) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Asinformações são da Agência Brasil.
Segundo a entidade, ainda é hora de insistir no diálogo para tentar reverter as tarifas de 50%impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a indústria brasileira continuarábuscando os caminhos do diálogo e da prudência e que não é o momento de acionar de fato a lei.
Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anosentre Brasil e Estados Unidos, declarou Alban. O executivo destacou ainda que o objetivo éencontrar uma negociação que leve à reversão da tarifa ou à ampliação das exceções paraprodutos brasileiros.
Missão empresarial
Na próxima semana, uma comitiva organizada pela CNI, com mais de 100 líderes empresariais erepresentantes de associações do setor, desembarca em Washington.
A agenda prevê encontros com autoridades e empresários norte-americanos, além de preparativospara a audiência pública marcada para 3 de setembro, nos Estados Unidos, sobre a investigaçãoaberta em julho nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. No último dia 18, ogoverno brasileiro enviou a resposta aos Estados Unidos.
Defesa de diálogo
Apesar de ter autorizado a abertura do processo pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lulaafirmou nesta sexta que não tem pressa em aplicar a lei contra os EUA.
Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei amedida porque eu tenho que andar o processo, disse o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia.
O governo brasileiro também abriu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e contratouum escritório de advocacia nos Estados Unidos para reforçar a defesa dos interesses nacionais.
Lula ressaltou, no entanto, que o Brasil segue aberto ao entendimento. Se os norte-americanosestiverem dispostos a negociar, nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia. Até agoranós não conseguimos falar com ninguém. Então eles não estão dispostos a negociar, declarou opresidente.