[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Prestes a completar 40 anos, em 2026, a Star Center vive o melhor momento em uma década, segundo o CEO da empresa, Edson Alves. “E temos boas perspectivas de crescimento”, afirmou o executivo à AGÊNCIA DC NEWS. O grupo reúne Star Center, DuctAir e KPM Service, com serviços especializados em sistemas de climatização. Depois de crescer 30% neste ano, em volume de contratos – a fabricante não divulga valores –, a projeção da Star Center é de crescer 20% ao ano nos próximos cinco. Um dos fatores – além de hospitais e da indústria farmacêutica – é a expansão de data centers. “É um processo mundial. Com a inteligência artificial, cada vez mais se exigem áreas para processar dados”, disse o CEO. “A gente entende que muitos devem vir para o país nos próximos anos.”
Além do mercado em ascensão, Alves cita um estímulo oficial para o setor. Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória (MP) 1.318, que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
A MP aguarda instalação de comissão mista (Câmara e Senado). O prazo para deliberação, no Congresso, termina em 25 de fevereiro. Data centers são uma atividade em expansão. Relatório da RB Investimentos traz estimativa de 200 ativos no país. Mais importante, assinala a consultoria, é a capacidade: já são mais de 300 megawatts (MW) instalados, “com potencial de dobrar em menos de 5 anos graças aos projetos em andamento“. Mas existe um gargalo chamado energia elétrica. “Novos mercados com alto consumo de energia elétrica vêm se desenvolvendo em escala global”, disse o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em documento sobre as perspectivas do Sistema Interligado Nacional (SIN). “Entre eles, destacam-se os setores de tecnologia, como
os data centers, e as indústrias voltadas à descarbonização da economia.”
No caso da Star Center, o foco, segundo o CEO, está “em grandes projetos, que requerem mais engenharia”. São obras de 20 MW para cima. Para o próximo ano, a indústria já tem contrato firmado para instalar o sistema de climatização em uma nova ala do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Já começamos o trabalho interno, com o projeto”, afirmou Alves. Ele estima que as obras comecem em março – e vão durar pelo menos dois anos. Congonhas – que recebe 24 milhões de passageiros/ano – está há dois anos sob gestão da operadora aeroportuária Aena Brasil, marca da espanhola Aena. Um novo terminal tem previsão de ser inaugurado em junho de 2028.
O segmento vai bem, independentemente do cenário geral. Poderia estar ainda melhor. “Mas é claro que muita coisa está represada por causa da economia”, afirmou o CEO. “Tem muitos projetos de shopping que a gente orçou, mas o investidor está inseguro.” O principal problema, neste momento, chama-se mão de obra. A Star Center enfrenta cada vez mais dificuldade para encontrar pessoal com a qualificação necessária. “Você não tem uma assertividade de pessoas que querem vir para a área ou querem se desenvolver.” Ele salienta que não é um problema apenas brasileiro. Há, em sua visão, uma mudança de mentalidade, com procura de opções de certa forma mais “rápidas” de colocação no mercado de trabalho e menos comprometimento com aperfeiçoamento profissional.
A empresa firmou parcerias com o Senai Ipiranga (para formação de técnicos de ar-condicionado na KPM) e com o Senai Diadema, para um curso de chaparia. Mesmo assim, não tem sido fácil contratar. “Antigamente teria fila. Hoje é a dedo que você consegue algumas pessoas”, disse Alves. Segundo ele, se a economia “se organizar” e proporcionar mais segurança aos investidores, o problema se tornará ainda mais sério em pouco tempo, de dois a três anos. Atualmente, o grupo tem aproximadamente 1,5 mil funcionários, sendo 670 com carteira assinada. Há três anos, as três empresas se concentraram em Diadema, município da região do ABC, em terreno de 8 mil metros quadrados adquirido em 2019. Até então, estavam espalhadas em três cidades (Diadema, São Caetano e Santo André).