[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A Veesion, startup francesa de inteligência artificial aplicada à prevenção de furtos no varejo, quer faturar globalmente entre 50 milhões e 60 de euros milhões até 2027. A tecnologia da empresa funciona a partir da leitura e análise de gestos em tempo real, que identifica comportamentos suspeitos e envia alertas ao lojista. “É uma dor do varejo e a tecnologia veio para resolver”, disse Mathieu Le Roux, CEO da Veesion no Brasil, ao DC NEWS TALKS. Presente em 40 países, a filial brasileira já está em cerca de 350 PDVs e tem 400 clientes. “É no Brasil que mais entram clientes novos mês a mês”, disse.
“Estamos crescendo mais do que a média global aqui”. A Veesion foi fundada em 2018 e no primeiro semestre de 2025 levantou uma rodada série B de 40 milhões de euros para acelerar a expansão internacional, com foco no Brasil e nos Estados Unidos. Para Mathieu, o Brasil é um mercado estratégico, que busca soluções e é aberto à novas tecnologias. Uma curiosidade sobre a empresa é que um de seus investidores é um dos homens mais ricos do mundo, Bernard Arnault, chairman e CEO da LVMH, um dos maiores conglomerados de marcas de luxo do mundo.
O avanço da Veesion ocorre em um cenário de perdas bilionárias no varejo brasileiro. Segundo a Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), as quebras operacionais e furtos somaram mais de R$ 36,5 bilhões em 2025. Desse total, 21,86% referem-se a furtos externos e 9,46% a furtos internos. “Até hoje não encontrei nenhum lojista que diga que não tem problema de furto”, afirma Le Roux. No Brasil, os negócios que mais adotam a tecnologia são supermercados, farmácias e lojas de material de construção, ambientes em que produtos pequenos, de alto valor agregado e fácil ocultação. Carnes, bebidas alcoólicas, cosméticos, perfumes e até preservativos, concentram parte relevante das perdas nesses segmentos.
O executivo lembra que o impacto é direto no resultado. “A redução de furto vai direto para o lucro líquido”, afirmou. Segundo Mathieu, a taxa de assertividade varia entre 30% e 70%.
“Nosso histórico nos mostra que que 60% dos furtos são cometidos por clientes recorrentes”, disse. Um ponto sensível das tecnologias de imagem, e que não diz respeito à tecnologia da Veesion, é que ela não realiza reconhecimento facial, nem analisa características físicas. “Não captamos rosto, raça, gênero ou estilo. O que a gente fornece é um jeito de racionalizar a abordagem”, disse o CEO.
O sistema identifica cerca de 14 tipos de gestos, como esconder produtos sob a roupa ou dentro de mochilas, além do consumo de mercadorias dentro da loja. Ao ultrapassar determinado nível de probabilidade de furto, o alerta é enviado ao celular do responsável da loja. Embora ainda não seja a maior base instalada, posição ocupada pela Europa, é o país com maior número de novos clientes todos os meses. “O brasileiro é early adopter. Gosta de testar novidade. Se funciona, espalha”, disse Mathieu. A companhia opera com modelo de assinatura Annual Recurring Revenue (ARR) e aposta na expansão orgânica, com canais diretos e parceiros.
No país, já possui clientes como a rede Pague Menos e está em fase piloto com o Carrefour. “A gente já passou da fase de provar que o problema existe. Agora é execução”, afirmou o CEO. Embora avalie possibilidades futuras como reconhecimento facial via parceiros e aplicações adicionais da visão computacional, como análise de fluxo ou detecção de quedas em hospitais, a estratégia atual é foco total na prevenção de perdas. “O maior risco de uma startup é querer fazer tudo e fazer tudo mal”, disse. A aposta da empresa francesa é clara: transformar câmeras de segurança, antes subutilizadas, em ativos inteligentes capazes de proteger margens e reduzir prejuízos. “A gente não é solução milagrosa. Mas cria um novo fluxo de trabalho muito mais eficiente”, afirmou. Confira a entrevista.