[DC NEWS TALKS #95]. Sanz, Leroy Merlin: "Seremos referência em serviços no país. Meta é chegar a R$ 1 bi nesta vertical em 2026"

  • Maior varejista de casa e construção do país agora aposta em serviços de reformas e instalações como alavanca de resultados
  • Atualmente cerca de 40 mil prestadores de serviços estão na base da empresa, que também passa a investir em lojas menores, no modelo express
Por Bruna Lencioni | Letícia Cassiano

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Com 54 lojas (14 estados) e cerca de 10 mil funcionários no Brasil, a Leroy Merlin (do grupo francês Adeo) é a 30ª maior varejista do país, segundo o IRTT 2025, e tem ampliado sua estratégia de negócios. A marca passou a oferecer serviços de instalação e reformas, além de apostar em marcas próprias com vistas no aumento de receita e margem. A vertical de serviços ganhou peso nos resultados da operação brasileira nos últimos três anos. “A gente vai ser referência no país no serviço de instalação e reformas para o cliente [sendo ou não consumidor Leroy]”, afirmou Vicente Sanz, diretor de Novos Negócios da Leroy Merlin no Brasil, em entrevista ao DC News Talks, o videocast da Agência DC News. Hoje, o departamento que ele dirige tem em sua base cerca de 40 mil prestadores e uma meta agressiva para este ano. “Queremos alcançar R$ 1 bilhão em 2026.” No ano passado, a área faturou R$ 500 milhões. O valor equivale a cerca de 10% do faturamento da companhia, que superou os R$ 9 bilhões em 2025 (sobre R$ 8,9 bilhões em 2024 e R$ 8,125 bilhões em 2023).

Questões macroeconômicas, como juros altos, seguraram crescimento, na análise do diretor. Verticais como a ligada ao departamento de Sanz passou, portanto, a ser vista como chave para novas fontes de receita e crescimento. Reformas e instalações nasceram de uma evolução natural do varejo da companhia, de acordo com ele. O que começou como um serviço complementar, com a possibilidade de comprar um produto e contratar a instalação, acabou se transformando em uma frente própria. Hoje, o cliente não precisa adquirir um produto na rede para contratar por conta (desde serviços básicos até reformas completas – do arquiteto ao instalador/montador).

Parte dos profissionais de serviços trabalha no mercado informal no país, e ter a marca Leroy Merlin associada à oferta de serviços de instalação e reforma é diferencial, na avaliação dele. “Um jogo de ganha-ganha”, disse Sanz. “O prestador precisa de cliente. Nós temos o cliente.” Ao mesmo tempo, a empresa reforça sua atuação com clientes corporativos, no B2B. “Buscamos estar perto do cliente para tudo o que ele precisar”, disse Vicente. Embora hoje cerca de 90% das vendas da Leroy ainda sejam para pessoa física, a meta é alcançar mais CNPJs. E adicionar 15% da receita até 2027 nessa frente.

MARCAS PRÓPRIAS – Outra estrategia da companhia envolve marcas próprias. Esses produtos já respondem por cerca de 20% do faturamento e fazem parte da proposta da empresa de ampliar o acesso a diferentes perfis de consumidores. “A filosofia da Leroy é dar soluções para todas as tipologias de clientes”, afirmou o diretor. A empresa também investe em lojas menores e mais próximas de bairros residenciais, com as unidades Leroy Merlin Express, e vem investindo na ampliação de um ecossistema que reúne venda de produtos, serviços e consultoria, para atender o cliente em diferentes plataformas. “Estamos sempre buscando novos mercados e oportunidades. As lojas Express são exemplo disso”, afirmou. Sanz não abriu números sobre estratégia de capilarização do modelo Express. Porém, disse que a tendência é de ampliação.

CRÉDITO – A expansão do setor, no entanto, esbarra em um problema estrutural da economia brasileira: o acesso ao crédito é um deles. Segundo Sanz, a dificuldade de financiamento ainda traz dificuldades do varejo de obras e reformas no país. Principalmente no público pessoa física. Grandes incorporadoras compram diretamente da indústria, o que reduz o espaço para intermediários. Para driblar o obstáculo do crédito, seja para cliente PF ou PJ, a Leroy Merlin tem ampliado soluções próprias de pagamento e financiamento. Confira a entrevista.

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