[DC NEWS TALKS #96] Eduardo, Costurando Sucesso: "A dor do pequeno é achar que crescer dói. A do grande, se manter"

  • De camelô ao comando de uma consultoria, ele atende clientes como C&A e Guararapes. "Chega um ponto que não é só sobre costurar e vender"
  • Empresário diz que pequenas e grandes empresas sofrem dores diferentes, mas igualmente desafiadoras em gestão, produtividade e formalização
Por Bruna Lencioni

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A indústria têxtil e de confecção movimentou R$ 212 bilhões em 2024, e emprega cerca de 1,3 milhão diretamente, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). É um segmento marcado pela forte presença de grandes e pequenos negócios e problemas como altos índices de informalidade. Soma-se a isso, o afrontoso e ameaçador mercado chinês, que joga um jogo mais vantajoso do ponto de vista tributário, é competitivo e vem impondo à indústria brasileira melhorias de gestão e eficiência em nome da sobrevivência. É nesse ambiente que atua Eduardo Cristian, fundador da consultoria Costurando Sucesso, que saiu do chão de fábrica, passou pelo varejo, empreendeu como camelô e transformou sua vivência em método aplicado de gestão para confecções. “Eu vivi as dores do mercado no dia a dia”, disse ao DC NEWS TALKS, o videocast da Agência DC NEWS.

A partir de sua experiência, Eduardo se tornou referência ao traduzir problemas estruturais da cadeia produtiva em linguagem prática. “Eu trouxe o ‘confeccionês’”, disse. Na avaliação dele, pequenas e grandes empresas sofrem dores diferentes, mas igualmente desafiadoras em gestão, produtividade e formalização. “A dor do pequeno é achar que crescer dói”, afirmou. “A do grande é se manter grande”, disse. Hoje, com cinco mil clientes atendidos, de tamanhos variados, ele presta consultoria para grupos como Guararapes (Riachuelo), C&A, Grupo Betilha, Grupo Lin e Cotton Star, consolidando-se como uma das principais vozes do setor.
“Chega um ponto que não é mais sobre costurar e vender”, afirmou.

Eduardo Cristian é quem faz diagnóstico. Falhas operacionais, ineficiência, perdas e queda no faturamento. É nesse contexto que a Costurando Sucesso entra. E trabalha para ajuste de rota. “Muitas vezes é preciso dar passos para trás. Reduzir estoque e organizar planejamento e fábrica para voltar a crescer”, disse. Durante o videocast ele dá um exemplo de um caso em que precisou convencer o cliente a trocar de estratégia. “Os empresários têm suas jornadas. Não é algo fácil fazer um cliente mudar de ideia. Mas é preciso.”

AVANÇOS – Para o consultor, o avanço das exigências de governança, principalmente nas indústrias que abastecem grandes varejistas, elevou o nível de profissionalização ao longo dos últimos anos. “Os maiores faturamentos são 100% formais”, afirmou. Ele explica que redes certificadas pelo Programa ABVTEX possuem regras rígidas e não operam com fornecedores fora da lei, condição que molda a dinâmica da cadeia. “O mercado determina as regras”, disse. Mesmo assim, Eduardo destaca que a informalidade ainda representa grande parte da produção nacional. “O mercado paralelo é gigante”, afirmou. “É mais que o dobro do número formal”, disse.

Ele defende que boa parte dessa realidade não decorre de má-fé, mas de dificuldades de gestão, capital e estrutura. “A maioria não quer ser informal”, afirmou. O consultor explica que empreendedores iniciantes enfrentam excesso de demanda operacional e pouca capacidade de controle, o que os impede de crescer com segurança. “Se ele formalizar logo no começo, ele quebra”, disse. Ao mesmo tempo, quando se relaciona com varejistas maiores ou shoppings, a formalização se torna inevitável. “Se eu quero vender para shopping, eu tenho de ter empresa”, afirmou.

Mas, o consultor vê tendência clara de redução da informalidade nos próximos anos, movida por avanços regulatórios e tecnológicos. “A formalidade tem data para acabar”, disse. Segundo ele, a implementação gradual da reforma tributária, a digitalização fiscal e a rastreabilidade ampliada por sistemas financeiros como o Drex tendem a pressionar toda a cadeia para a conformidade. Em sua análise, o Brasil vive um momento decisivo para organizar o setor e elevar eficiência, ainda marcada por gargalos clássicos de gestão.

MBA FASHION DAY – Ao final, Eduardo resume a evolução contínua exigida de quem empreende em confecção e indústria. Ele, que estruturou sua marca entre 2012 e 2015, realizou 217 lives em 2020 e percorre o país ministrando treinamentos. Tem também o MBA Fashion Day – onde monta uma confecção no palco e mostra em tempo real problemas e soluções do início ao fim da cadeia. “Todo negócio passa por fases”, afirmou. Para ele, crescimento e sustentabilidade dependem menos de técnica e mais de disciplina, método e adaptação. “O jogo só para de mudar quando você para de mudar”, disse. O próximo MBA Fashion Day acontece entre os dias 31 de janeiro e 01 de fevereiro, no Ginásio do Ibirapuera. Confira a entrevista.

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