[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Com queda de 20% em dezembro em razão do tarifaço norte-americano (que impôs alíquota de 50% aos produtos nacionais), as exportações brasileiras de calçados fecharam 2025 com alta em volume e queda na receita, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). O mercado dos Estados Unidos é responsável por aproximadamente 10% das vendas nacionais em volume e 20% em receita. “O resultado só não foi pior porque embarques para outros países, como Espanha, Paraguai e Equador aumentaram após o tarifaço”, afirmou o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. Segundo ele, os produtos vendidos para esses países têm valor médio menor. “E isso impactou na rentabilidade dos exportadores.” O preço médio do calçado vendido lá fora caiu 8%, para US$ 9,2 o par. Nos Estados Unidos, o valor é 2,3 vezes maior: US$ 20,8 (-1,1%). Na Espanha, país citado pelo executivo, o valor é de US$ 2,4 – as vendas cresceram 10,8% em volume, mas caíram 6% em receita.
A queda se concentra nos produtos de material têxtil e de couro – que em valores representam quase metade das vendas –, enquanto os sintéticos tiveram alta. As exportações de calçados esportivos, por exemplo, caíram 34% (em valor) – esse segmento tem 5,2% de participação. As vendas de chinelos (15,5% de participação) cresceram 23,1%. A categoria “outros” (79,3%) – que abrange ortopédicos, de segurança e pantufas – recuou 2,5%.
No total, as exportações brasileiras de calçados somaram US$ 958,2 milhões no ano passado, com 103,9 milhões de pares. Isso representa queda de 1,8% na receita ante 2024 e crescimento de 6,7% em volume. As importações totalizaram US$ 585,1 milhões e 43,2 milhões de pares, com altas de 22,5% e 20,6%, respectivamente. Os produtos importados vêm, principalmente, de Vietnã (US$ 285 milhões e 14,4 milhões de pares), China (US$ 46,5 milhões e 10,4 milhões) e Indonésia (US$ 142,3 milhões e 9 milhões). Todos com crescimento em receita e volume.
Para os Estados Unidos, as vendas de calçados brasileiros caíram 2% em receita (de US$ 216,3 milhões para US$ 211,9 milhões) e 1,1% em volume (de 10,3 milhões para 10,2 milhões). Apenas em dezembro, em relação a igual mês do ano anterior, as exportações caíram 20,1% em receita e 23,2% em volume. Apesar dos resultados negativos, a queda de 2025 em relação a 2024 foi menos intensa do que no período 2024/2023: -3,3% em volume e -4,8% em receita.
O segundo principal destino das exportações brasileiras é a Argentina. Também com queda em receita (-10,9%, para US$ 179,7 milhões) e alta em volume (+8,6%, para 13,7 milhões de pares). Em terceiro, o Paraguai, nesse caso com aumento nas duas comparações: 12,6% em valores (US$ 48,1 milhões) e 13,6% em quantidade (9,5 milhões).
ESTADOS – Entre os estados exportadores, o Rio Grande do Sul segue à frente, com US$ 457,7 milhões em exportações no ano passado (-5,7%) e 31,2 milhões de pares (-1%). O Ceará exportou US$ 189,4 milhões (-4,9%) e 32,6 milhões (+8%). São Paulo teve alta de receita (10,6%, para US$ 101 milhões) e volume (14,7%, para 6,7 milhões).
Haroldo Ferreira, Abicalçados
O tarifaço também teve impacto no emprego do setor. Segundo a Abicalçados, foram eliminadas 4 mil vagas apenas em novembro, sendo 1,5 mil no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, a indústria tem saldo de 7,9 mil postos de trabalho de janeiro a novembro, com estoque de 290,2 mil empregos formais. Bahia e São Paulo também perderam vagas em novembro, mas acumulam saldos de 3,7 mil e 2,5 mil postos com carteira.
Os dados finais da produção do setor no ano passado ainda não estão prontos. A indústria brasileira calcula chegar a 930 milhões de pares, praticamente estável em relação ao total de 2024 (929,5 milhões). E abaixo das projeções feitas pela Abicalçados, que estimava crescimento de 1,4% a 2,2% – de 942,5 milhões a 949,9 milhões de pares.