Gustavo Succi, da Click Planos: “Corretagem de plano de saúde entra na era dos marketplaces”

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Gustavo Succi, da Click Planos, diz que modelo antigo de venda de plano se tornou menos eficaz
(Divulgação)
  • Plataforma reúne 1.039 planos e 1.135 hospitais e projeta faturar R$ 6 milhões em 2026, com valuation estimado em R$ 50 milhões
  • Para micro e pequenas empresas, plano de saúde vira ferramenta de retenção de funcionários em cenário de rotatividade e pressão por custos
Por Melina Dias

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A corretagem de planos de saúde, tradicionalmente marcada por negociações presenciais, troca de documentos e comparações manuais, começa a migrar para o modelo de marketplace digital no Brasil. De olho na demanda de micro, pequenas e médias empresas — que enfrentam jornadas longas e complexas para contratar o benefício — a Click Planos estruturou uma plataforma online que reúne 1.039 planos e 1.135 hospitais credenciados, prometendo reduzir a contratação de dias para minutos. A empresa projeta faturar R$ 6 milhões em 2026 e alcançar valuation estimado em R$ 50 milhões. “A jornada de compra tradicional ficou incompatível com a rotina do pequeno empresário”, afirma o fundador e CEO, Gustavo Succi.

A digitalização proposta pela Click ocorre em um mercado de grande escala e demanda persistente. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Brasil encerrou outubro de 2025 com 53,3 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares e 35,1 milhões em planos exclusivamente odontológicos, ambos em expansão. E esse é um número que deve seguir em crescimento. De acordo com pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), 61% dos brasileiros sem plano gostariam de contratar um, mas 53% apontam o preço como principal obstáculo. Entre os que não mostraram interesse em obter um plano, 82% citam falta de orçamento, percepção de preço alta e falta de transparência dos planos.

Apesar da base expressiva de beneficiários, a jornada de contratação permanece fragmentada. Para micro e pequenas empresas, especialmente no comércio e no varejo, onde a rotatividade é acentuada, o plano de saúde deixou de ser benefício acessório e passou a instrumento de retenção e estabilidade do time, afirmou Succi. O desafio é que a decisão ainda envolve negociações dispersas, dificuldade de comparação entre operadoras, leitura técnica de coberturas e tempo operacional elevado — um custo invisível para negócios de estrutura enxuta. “Ele [PME] não pode parar a operação para virar especialista em plano de saúde”, disse o executivo. Atuando como um marketplace, a empresa promete organizar informações de diferentes operadoras, combinando automação com atendimento consultivo. Confira a entrevista.

AGÊNCIA DC NEWS – O acesso a planos de saúde privados ficou mais caro e complexo nos últimos anos. Como você enxerga o cenário atual do mercado de saúde suplementar no Brasil?
GUSTAVO SUCCI ­–
Vejo um mercado com demanda firme, mas com uma jornada de compra que ficou incompatível com a rotina do consumidor e do pequeno empresário. O preço subiu, a oferta ficou mais fragmentada e a decisão passou a exigir comparação real de rede, cobertura e custo-benefício. Ao mesmo tempo, o cliente não aceita mais esperar dias por retorno, nem navegar em formulários intermináveis. Por isso, a tendência mais clara é a busca por clareza, rapidez e transparência, e a tecnologia virou o caminho para reduzir atrito e melhorar acesso.

AGÊNCIA DC NEWS – Quais são hoje as principais dificuldades enfrentadas por pequenos empresários e comerciantes na hora de contratar ou gerenciar planos de saúde para suas equipes?
GUSTAVO SUCCI ­–
Para o pequeno e médio empresário, os entraves costumam ser práticos: falta de tempo para pesquisar, dificuldade de entender diferenças entre produtos, insegurança para comparar redes credenciadas e regras, além de pouca previsibilidade de custo quando não há uma visão organizada do que existe no mercado. Também pesa o “vai e volta” operacional: cotação que demora, documentação que se repete, ajustes que dependem de várias conversas, e uma contratação que deveria ser simples, mas vira um projeto paralelo dentro do negócio.


AGÊNCIA DC NEWS – A Click Planos pode ser definida como um corretor virtual de planos de saúde? Como funciona a plataforma na prática?
GUSTAVO SUCCI ­–
A Click Planos funciona como um marketplace de planos de saúde: o cliente cota, compara e contrata em ambiente digital, com autonomia para avançar na jornada e com suporte quando precisa. A proposta é reunir, em um só lugar, as etapas que costumavam ficar espalhadas: pesquisa, comparação, contratação e implantação do plano.

AGÊNCIA DC NEWS – Quais etapas do processo de contratação de um plano de saúde foram simplificadas ou automatizadas pela Click?
GUSTAVO SUCCI ­–
Comparação de alternativas, cálculo e organização de informações, avanço de documentação e assinatura eletrônica. A ideia é reduzir o tempo morto, o intervalo entre a intenção de contratar e a contratação efetiva, e tornar o fluxo mais previsível, especialmente para quem não pode parar o negócio para “resolver plano”. Na prática, ao acessar o site clickplanos.com.br, o consumidor informa seus dados básicos, como cidade, idade e tipo de cobertura desejada, e em poucos segundos visualiza na tela as opções disponíveis de planos de saúde que atendem sua região. O sistema utiliza inteligência artificial para cruzar informações de preço, rede credenciada e perfil do usuário, facilitando a comparação entre operadoras.

AGÊNCIA DC NEWS – Qual o alcance hoje?
GUSTAVO SUCCI ­–
A plataforma reúne atualmente 1.039 planos e uma rede de 1.135 hospitais credenciados em todo o país. A contratação é feita de forma totalmente online, com suporte especializado em tempo real e validação das operadoras registradas na ANS. O modelo permite que o processo que antes levava dias, seja concluído em cerca de 2 minutos, trazendo agilidade e transparência a uma das etapas mais burocráticas do setor.


AGÊNCIA DC NEWS – Como a tecnologia ajuda a comparar preços, coberturas e operadoras de forma mais transparente para o cliente final?
GUSTAVO SUCCI ­–
A tecnologia organiza o que o mercado sempre teve, mas ainda entrega de forma dispersa. A Click usa recursos de cruzamento de informações para permitir comparação entre opções considerando preço, rede credenciada e perfil do usuário, reduzindo assimetria de informação e ajudando a decisão a ser objetiva. Transparência, aqui, é o cliente conseguir ver diferenças sem depender de múltiplas trocas e sem ficar refém do “me liga amanhã”.


AGÊNCIA DC NEWS – Sem desvalorizar o papel do corretor tradicional, como a Click complementa ou melhora essa experiência?
GUSTAVO SUCCI ­–
A Click Planos encurta a parte operacional e dá mais clareza na comparação. O corretor, quando entra, entra com mais qualidade: menos tempo em tarefas repetitivas e mais foco em orientação e ajuste fino. O que melhora é a jornada: menos fricção, menos ruído e mais autonomia para o cliente avançar no ritmo dele.


AGÊNCIA DC NEWS – Para um comerciante ou varejista que emprega poucas pessoas, por que oferecer plano de saúde virou um diferencial competitivo?
GUSTAVO SUCCI ­–
Porque virou um benefício que conversa com o que o trabalhador valoriza no dia a dia: segurança. Em negócios pequenos, a rotatividade custa caro, o absenteísmo pesa e o clima da equipe impacta direto a operação. Benefício bem escolhido ajuda retenção, reduz tensão do time e melhora a percepção de cuidado, sem exigir que a empresa vire especialista em saúde.

AGÊNCIA DC NEWS – Como a Click ajuda esse empreendedor a incluir o plano de saúde no planejamento financeiro do negócio?
GUSTAVO SUCCI ­–
Ao dar previsibilidade e velocidade de decisão. Quando o empresário compara opções de forma clara, ele entende o que cabe no caixa e o que entrega melhor custo-benefício para o perfil da equipe. A jornada digital reduz o custo de tempo, e isso também é financeiro: menos horas “perdidas” para contratar e ajustar.

AGÊNCIA DC NEWS – Existe ganho de previsibilidade de custos ou redução de desperdícios na contratação?
GUSTAVO SUCCI ­–
Sim, principalmente por reduzir contratação por impulso e decisão com informação incompleta. Quando o empresário consegue comparar e entender o produto, diminui a chance de pagar por uma rede que não faz sentido para o perfil do time ou de contratar com base em pouca clareza. O desperdício, muitas vezes, nasce da falta de transparência.

AGÊNCIA DC NEWS – Que tipo de empresa mais procura a Click Planos hoje? Há um perfil predominante?
GUSTAVO SUCCI ­–
O nosso foco conversa muito com micro, pequenas e médias empresas, especialmente comércio e varejo, justamente porque são negócios que precisam de agilidade e não têm estrutura interna para longas negociações. Esse é o público que mais sente a fricção do modelo tradicional e mais valoriza um caminho digital direto.

AGÊNCIA DC NEWS – Na sua visão, oferecer plano de saúde influencia diretamente a retenção de funcionários e a produtividade no pequeno negócio?
GUSTAVO SUCCI ­–
Influencia. Em operação pequena, cada ausência pesa e cada desligamento custa. Plano de saúde bem estruturado reduz insegurança, melhora a permanência e tende a diminuir perdas indiretas ligadas a faltas e rotatividade. Não é uma “mágica”, mas é um benefício com efeito prático na estabilidade do time.

AGÊNCIA DC NEWS – Que benefícios indiretos vocês observam quando uma empresa passa a estruturar melhor o cuidado com a saúde da equipe?
GUSTAVO SUCCI ­–
Melhora de clima, percepção de valorização e redução de conflitos ligados a urgências de saúde resolvidas de forma improvisada. Também há um ganho de gestão: quando o benefício sai do “apagar incêndio” e vira algo organizado, o empresário retoma foco na operação.

AGÊNCIA DC NEWS – A Click Planos atua apenas em São Paulo ou tem cobertura nacional?
GUSTAVO SUCCI ­– A plataforma é digital e opera online, com atendimento por canais como WhatsApp em horário comercial. A cobertura efetiva depende das operadoras e redes disponíveis por região, mas o desenho do serviço é para atender de forma remota e escalável.

AGÊNCIA DC NEWS – Como o modelo digital permite escalar o atendimento sem perder a personalização da consultoria?
GUSTAVO SUCCI ­–
Separando o que é etapa repetitiva do que é decisão. O digital automatiza a parte operacional, comparação, organização de dados, andamento de contratação e o atendimento humano entra onde realmente agrega: entendimento do perfil, prioridades do empresário e particularidades do time. Essa combinação mantém personalização sem travar a jornada.

AGÊNCIA DC NEWS – O mercado de benefícios corporativos deve crescer nos próximos anos?
GUSTAVO SUCCI ­–
A tendência é de expansão, porque o benefício virou ferramenta de competitividade, sobretudo para PME, que disputa mão de obra com empresas maiores. Quando o custo de vida pressiona e a saúde vira preocupação central, o benefício deixa de ser “extra” e entra na estratégia de manter equipe.

AGÊNCIA DC NEWS – Qual o próximo passo da Click dentro desse ecossistema de saúde, tecnologia e serviços financeiros para empresas?
GUSTAVO SUCCI ­–
Nos consolidar como um ambiente único de decisão e contratação, ampliando a jornada digital com mais automação, segurança e transparência, sem perder o componente consultivo. A ambição é ser ponte eficiente entre operadoras, corretores e consumidores, elevando o padrão de informação e experiência no setor. A Click Planos projeta atingir R$ 6 milhões em faturamento até 2026 e alcançar valuation de R$ 50 milhões, impulsionada pela expansão da digitalização no acesso a planos de saúde. A expansão do setor, porém, contrasta com uma contradição persistente: a jornada de contratação ainda é lenta, complexa e dependente de intermediações humanas. Nesse cenário, o avanço das plataformas digitais começa a romper um ciclo histórico de ineficiência.

AGÊNCIA DC NEWS – Como se preparam para entrar nessa empreitada?
GUSTAVO SUCCI ­–
Foram dois anos entre estudo de mercado e desenvolvimento da plataforma. Hoje, temos a patente da solução no Brasil e estamos em processo na Suíça. Já está no nosso Road Map a internacionalização em 2028. A Click Planos tem em seu quadro de fundadores nomes de diferentes áreas, com experiências complementares em saúde, tecnologia, direito e finanças. Além de mim, fazem parte da estrutura societária Caio H. Adams Soares, COO e Advogado especializado em Direito da Saúde; Victor Reis, presidente do Grupo Med+; José Lamontanha, CTO e responsável pelo desenvolvimento tecnológico da plataforma; e Fabrizio Gueratto, sócio do Banco Modal, que atua no apoio estratégico e de comunicação.

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