[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A indústria de materiais de construção fechou 2025 com retração estimada em 0,5%, contrariando projeção de alta de 2,8% feita pela Abramat, a associação brasileira do setor. A estimativa já apontava desaceleração em relação a 2024, quando foi registrado crescimento de 5,5%. “Já aguardávamos um ano mais ameno”, afirmou o presidente-executivo da entidade, Paulo Engler. Mas a desaceleração da economia, a partir do segundo semestre, foi mais intensa que o previsto. Ele cita dois fatores básicos: juros e crédito. Mesmo assim, Engler disse manter um otimismo moderado para 2026, depois da “gangorra” do ano passado. “Eu acredito que o ano será positivo. Os fundamentos são melhores.”
A Abramat ainda não fez projeções para 2026. “Estamos aguardando a primeira reunião do Copom. Para ver a ata, o ambiente”, disse o presidente da associação à AGÊNCIA DC NEWS. O Comitê de Política Monetária do Banco Central reúne-se pela primeira vez, neste ano, na semana que vem. A expectativa majoritária no mercado é de que a taxa básica de juros comece a cair a partir do segundo encontro do Copom, em março. Segundo o boletim Focus, do BC, a projeção é de que a Selic termine o ano em 12,25%, ante os atuais 15%. “Os 15% espantaram a população de baixa renda da compra parcelada”, afirmou Engler. “E nós tivemos ainda uma inadimplência muito alta. Seja por falta de crédito ou porque os preços estavam proibitivos.”
A alta dos juros já indicava que seria um ano de mercado menos aquecido. Mas havia outros indicativos. Como o que o presidente da Abramat chamou de “não início” de novas obras. “A venda de material de acabamento estava muito bem e a de material básico, não”, afirmou. “E o varejo andando de lado.” O panorama se modificou na segunda metade do ano. Em dezembro, por exemplo, o faturamento teve alta de 2,4% na área de materiais básicos e queda de 1,8% nos de acabamento, na comparação com igual mês do ano anterior. No final, ambos fecharam 2025 com queda de 0,5%.
Um dos motivos para certo otimismo do setor vem do Programa Reforma Casa Brasil, criado pelo governo federal. “O programa da Caixa Econômica vai muito bem. Tem uma receptividade boa. E o varejo em dezembro, aparentemente, performou bem”, disse Engler. Além de medidas de estímulo, a indústria aguarda o início do corte dos juros. “Isso ajuda os demais agentes financeiros a oferecer crédito.” As vendas do setor somaram R$ 370,8 bilhões em 2024 (os dados do ano passado ainda não estão concluídos), com 33% das vendas para a própria indústria e 29% para o varejo, além de atacado, construtoras e exportação.