Investigação contra Bolsonaro tem 572 dias de tensão até julgamento no STF

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem passado por uma série de percalços junto à Justiça desde que foi deflagrada, em fevereiro de 2024, a Operação Tempus Veritatis, com o objetivo de apurar a existência de uma organização criminosa envolvida na tentativa de golpe de Estado de 2022.

No período, o ex-presidente ficou impedido de sair do país, admitiu a possibilidade de pedir asilo, convocou manifestações a favor da anistia e viu crescer no exterior a chance de pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) contra uma condenação.

Ele também disse achar que morreria na prisão, chamou de “malucos” apoiadores que estiveram em acampamentos golpistas incentivados por ele e foi alvo de medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica.

Por fim, está sob prisão domiciliar desde 4 de agosto, em razão de descumprimento de cautelar que o proibia de usar as redes sociais, mesmo que por intermédio de terceiros.

Veja a seguir uma cronologia de momentos que marcaram a investigação sobre a tentativa de golpe contra Jair Bolsonaro, que completará 572 dias desde a deflagração da Tempus Veritatis até o julgamento no STF, marcado para começar na terça-feira (2).

Veja abaixo a cronologia com vídeos e imagens.

8.fev.24 –Operação Tempus Veritatis

Bolsonaro e aliados são alvo de operação para investigar a tentativa de golpe. O ex-presidente fica impedido de sair do país e de manter contato com aliados.

A operação foi embasada em material coletado no inquérito das milícias digitais e na delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do político.

12.fev.24 –Estadia na embaixada da Hungria

O ex-presidente fica dois dias na embaixada da Hungria em Brasília depois de operação da PF que apreendeu seu passaporte.

Posteriormente, a defesa do político disse que a visita ocorreu apenas no contexto de conversa com autoridades, sem que houvesse tentativa de fuga.

25.fev.24 –Manifestação na Paulista

Acuado com as investigações, Bolsonaro reúne milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, com críticas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e STF. Ele pede anistia aos ataques golpistas do 8 de Janeiro.

Um projeto no Legislativo abordava o pedido. Depois dele, outros PLs se somaram com brechas que poderiam beneficiar o ex-presidente. O político faria mais atos ao longo do ano.

15.mar.24 –Ex-chefe da FAB fala que golpe poderia ter sido consumado

O ex-comandante da Aeronáutica Baptista Júnior afirma em depoimento à Polícia Federal que o golpe teria sido consumado se o então comandante do Exército, general Freire Gomes, tivesse concordado.

Baptista Júnior afirmou que Freire Gomes chegou a comunicar que prenderia Bolsonaro caso o político tentasse o golpe. Em junho do ano seguinte, Gomes negaria a ameaça de prisão.

28.out.24 –Discussão sobre anistia protelada

O então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), durante cerimônia no Palácio do Planalto Pedro Ladeira – 18.set.24 Folhapress O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) **** O então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decide criar uma comissão especial para analisar o projeto de anistia a golpistas do 8 de Janeiro.

Com a medida, a discussão sobre o projeto volta à estaca zero. A anistia com extensão do perdão a Bolsonaro é vista como projeto central para políticos do PL.

13.nov.24 –Explosão em Brasília

Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiü França, morre ao se explodir em frente ao STF.

Dias depois, o ministro do STF Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, atrelam o episódio a investigações que envolvem Bolsonaro.

19.nov.24 –PF prende militares suspeitos de envolvimento com plano para matar autoridades

São presos os suspeitos de participarem de um plano para matar o presidente Lula (PT), seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e Moraes.

Entre os alvos da operação, batizada de Contragolpe, estava o general da reserva Mário Fernandes. Posteriormente, a PGR iria afirmar que Bolsonaro concordou com o plano. O político nega.

21.nov.24 –Indiciamento da PF

A PF (Polícia Federal) indicia Bolsonaro e mais 36 pessoas pela trama golpista, que teria sido engendrada a partir de diferentes frentes, de ataques ao sistema eleitoral à incitação de militares.

O indiciamento se deu com provas obtidas ao longo de quase dois anos, segundo a PF.

28.nov.24 –Bolsonaro admite possibilidade de asilo

O ex-presidente Jair Bolsonaro, indiciado pela PF na investigação da trama golpista Adriano Machado Reuters **** Bolsonaro admite a possibilidade de pedir refúgio em embaixada para evitar a prisão. “Embaixada, pelo que vejo na história do mundo, quem se vê perseguido, pode ir para lá”, disse.

“Se eu devesse alguma coisa, estaria nos Estados Unidos, não teria voltado.” A defesa do político nega que ele tenha, com a frase, admitido a possibilidade de asilo.

14.dez.24 –Braga Netto é preso

A PF prende o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa derrotada de 2022.

Endereços ligados ao general também foram alvo de busca e apreensão. A preventiva se dá em razão de tentativa de obstrução de Justiça.

7.fev.25 –Bolsonaro defende revogar a Ficha Limpa

O ex-presidente defende a revogação da Ficha Limpa para se beneficiar com a medida. Ele afirma em vídeo nas redes sociais que a lei serve para “perseguir a direita”.

A fala conta com suporte na Câmara dos Deputados com proposta de Bibo Nunes (PL-RS) de alterar a legislação.

18.fev.25 –PGR faz denúncia

A PGR denuncia Bolsonaro sob acusação de liderar a tentativa de golpe de Estado. Outras 33 pessoas são denunciadas, incluindo 23 militares, 7 deles oficiais-generais.

O ex-presidente é acusado de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e participação em uma organização criminosa.

20.fev.25 –Ex-presidente se pronuncia sobre denúncia

Em primeira fala pública sobre a denúncia, o político tripudia sobre a possibilidade de ser preso. “O tempo todo [é] ‘vamos prender o Bolsonaro’. Caguei para a prisão”, diz durante seminário de comunicação do PL.

18.mar.25 –Eduardo Bolsonaro anuncia licenciamento

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anuncia que vai se licenciar do mandato para continuar uma ofensiva nos Estados Unidos contra Moraes.

Ele já havia feito um périplo para conversar com autoridades americanas sobre o caso. A atuação do parlamentar se coaduna com falas públicas do pai, que já falou sobre a necessidade de “ajuda de fora” para alcançar seus objetivos políticos.

26.mar.25 –STF recebe denúncia contra Bolsonaro

A Primeira Turma do STF recebe, por unanimidade, a denúncia da PGR e torna réus Jair Bolsonaro e outros acusados de integrar o núcleo central da trama golpista de 2022.

No mesmo dia, na porta do Senado, o ex-presidente faz pronunciamento em que renova os ataques a Moraes e ao sistema eleitoral. A sessão no Supremo, com falas de ministros que retomam o golpe de 1964, é considerada histórica.

28.mar.25 –‘Débora do Batom’ vai para prisão domiciliar

A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, transformada pelo bolsonarismo em símbolo a favor da anistia, é transferida para prisão domiciliar. Ela estava detida em razão de preventiva decretada em março de 2023.

A decisão foi considerada por Bolsonaro um “recuo tático” em razão da crescente pressão por anistia. Débora foi condenada 3 dias antes a 14 anos de prisão em regime fechado pela participação no 8 de janeiro. O ministro Fux foi quem mais divergiu, com pedido de pena de 1 ano e 6 meses.

29.mar.25 –“É o fim da minha vida”, diz Bolsonaro

O ex-presidente fala à Folha que conversou com auxiliares sobre estado de defesa e sítio. Ele afirma que uma prisão seria o “fim” da sua vida, posicionamento reiterado posteriormente em outras entrevistas.

Pouco tempo depois, ele afirmaria “eu vou morrer na cadeia”.

6.abr.25 –Nova manifestação por anistia

Bolsonaro faz nova pressão por anistia. A manifestação conta com a presença de sete governadores, dentre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.

O batom foi um dos símbolos da manifestação, em referência a Débora.

9.jun.25 –Cid diz que Bolsonaro ‘enxugou’ minuta golpista

O delator Mauro Cid afirma em depoimento no STF que Bolsonaro recebeu e editou uma minuta de golpe no fim de 2022.

Segundo o tenente-coronel, o ex-presidente retirou o nome de autoridades que iriam para a prisão, com a exceção de Alexandre de Moraes.

10.jun.25 –Interrogatório

Durante interrogatório no STF, Bolsonaro pede desculpas a Moraes por insinuar que o ministro ganhou dinheiro com fraudes eleitorais.

O ex-presidente admite ter estudado “possibilidades” sobre o resultado das eleições de 2022 e chama de “malucos” os apoiadores em acampamentos após o pleito.

9.jul.25 –Tarifaço

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impõe sobretaxa de 50% a produtos brasileiros e relaciona a medida ao julgamento de Bolsonaro no STF.

A decisão ocorre dias depois de manifestações de Trump nas redes sociais a favor do político brasileiro.

18.jul.25 –STF impõe tornozeleira a Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de buscas da PF e de medidas cautelares, como uso de tornozeleira e proibição de usar as redes sociais mesmo por intermédio de terceiros.

Ele passa a ser investigado por crimes como coação e obstrução de Justiça, imputados também a Eduardo Bolsonaro em inquérito sobre a atuação do parlamentar no exterior.

21.jul.25 –Eduardo Bolsonaro admite que sabia de possibilidade de tarifaço contra Brasil

Eduardo Bolsonaro, que já vinha atrelando o tarifaço dos EUA a sua ofensiva no exterior, admite que sabia que a sanção poderia ser aplicada ao Brasil.

Ele afirma que as medidas cautelares contra o pai eram previsíveis, haja vista tendência de Moraes de “dobrar a aposta” em momentos de tensão, na opinião do político.

24.jul.25 –Moraes nega pedido de prisão, mas diz que Bolsonaro descumpriu regras

O ministro do STF chama de “irregularidade isolada” replicação por Eduardo Bolsonaro de fala do ex-presidente nas redes sociais.

Segundo Moraes, o comportamento quebrou a proibição dada a Jair Bolsonaro de usar as redes sociais, explicada em despacho que gerou críticas por imprecisão.

30.jul.25 –EUA sancionam Moraes com Lei Magnitsky

Os Estados Unidos sancionam Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky, norma do país voltada a punir estrangeiros violadores dos direitos humanos e acusados de corrupção.

O país diz que o magistrado persegue Jair Bolsonaro e age contra a liberdade de expressão. O uso da Magnitsky contra Moraes é contestado por especialistas como William Browder, incentivador global da lei.

4.ago.25 –Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro

Moraes decreta a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, alegando que o político descumpriu, durante participação por intermédio de terceiros em manifestações do dia 3 de agosto, medida cautelar que proibia o uso de redes sociais.

As manifestações pediam o impeachment de Moraes e falavam a favor da anistia. Depois da prisão do político, aumentou a pressão de bolsonaristas sobre os dois temas, e parlamentares chegaram a fazer motim na Câmara dos Deputados.

20.ago.25 — PF indicia Bolsonaro por obstrução de Justiça

O ex-presidente é indiciado, junto a Eduardo Bolsonaro, por tentativa de obstruir o julgamento sobre a trama golpista. Mensagens com xingamento de Eduardo a Jair são vazadas, e o pastor Silas Malafaia é alvo de busca e apreensão.

A PF afirma que o ex-presidente preparou pedido de asilo para a Argentina.

26.ago.25 — Bolsonaro monitorado por policiais

Moraes manda a polícia monitorar 24 horas por dia a casa do ex-presidente. A medida foi considerada necessária para evitar fuga às vésperas do julgamento do golpe, marcado para começar no dia 2 de setembro.

2.set.25 — Início do julgamento

O ex-presidente e outros sete réus serão julgados pela Primeira Turma do STF pelos crimes contra a democracia. Estão previstas sessões até o dia 12 de setembro.

Se condenado, Bolsonaro pode pegar mais de 40 anos de prisão e aumentar a inelegibilidade, que atualmente vai até 2030.

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