Lava Jato, mensalão, PM, Banestado, Senado; conheça trajetória de advogados de réus da trama golpista

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Todas as câmeras se voltam agora para os vultos da advocacia brasileira. No julgamento da trama golpista, que se inicia nesta terça-feira (2), na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), alguns dos defensores mais poderosos do país, de escritórios contratados pelos oito réus do núcleo crucial, vão dividir o protagonismo das transmissões da televisão com os ministros da corte.

Cada um deles terá cerca de uma hora para apresentar seus argumentos de defesa pela última vez. As trajetórias dos advogados, de todo modo, não poderiam ser mais surpreendentes. A seguir, leia os perfis dos defensores que estarão presentes no julgamento da trama golpista.

CELSO VILARDI

Principal advogado de Jair Bolsonaro, é professor de direito penal da FGV. Tornou-se conhecido por atuar em casos de repercussão nacional. Defendeu o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, no processo do mensalão, e a construtora Camargo Corrêa, anulando o inquérito da Operação Castelo de Areia.

Também trabalhou para a Andrade Gutierrez, na Lava Jato, e o empresário Eike Batista. No passado, criticou a invasão aos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, e elogiou as investigações da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe.

Na pandemia, assinou um manifesto contra Bolsonaro, sua inação para conter o espalhamento do vírus e os sucessivos ataques às instituições. Também endossou, em 2022, a “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa da democracia”, lida num ato na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

PAULO AMADOR DA CUNHA BUENO

Professor da PUC-SP, é outro medalhão que compõe a equipe jurídica de Bolsonaro. Tem um “escritório boutique” no Itaim Bibi, zona sul da capital paulista, onde trabalham sete profissionais. Uma das integrantes é a modelo e atriz Angelita Feijó, estagiária e atual mulher do advogado.

Bueno tem simpatia pela monarquia –sua foto de perfil no WhatsApp é a bandeira do Brasil Império–, passou pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR) e fez parte também do conselho de administração da fabricante de armas Taurus, de 2011 a 2013. Competiu ainda em alguns campeonatos de tiro.

JOSÉ LUIS OLIVEIRA LIMA

Advogado do ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, defendeu José Dirceu (PT), ex-ministro de Lula, no mensalão. Na Lava Jato, foi contratado pelo ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Já trabalhou para o doleiro Alberto Youssef, também investigado pela Lava Jato, o médico Roger Abdelmassih, condenado por estupro de pacientes, e Pedro Guimarães, presidente da Caixa no governo Bolsonaro, réu sob acusação de assédio.

Por mais de uma vez publicou artigos na Folha com críticas a Bolsonaro. Em um deles, escreveu que o ex-presidente praticava um “populismo rasteiro”. Braga Netto cumpre prisão preventiva, desde dezembro, sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações da trama.

CÉZAR BITENCOURT

Autor de extensa obra sobre direito penal, trabalha para o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid. Foi uma voz contra o instituto da delação premiada, sobretudo no período da Lava Jato, e chegou a classificar a prisão de Lula como ilegal.

Mas, no caso da trama golpista, fechou um acordo de colaboração de Cid com a Justiça, visando a redução da pena. Bitencourt já atuou em defesa do empresário Rubens Catenacci, um dos investigados no Caso Banestado. Também já trabalhou para o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB), aliado de Michel Temer, que foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil.

DEMÓSTENES TORRES

Atua na defesa do ex-comandante da Marinha Almir Garnier, acusado de ter deixado as tropas à disposição para o golpe. Seu trabalho como advogado se desenvolve sobretudo em casos de empresas do setor agrário. Torres é mais conhecido, contudo, por ter tido o mandato de senador cassado, em 2012, devido ao seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, pivô da Máfia dos Caça-Níqueis. Torres sempre negou qualquer ligação com Cachoeira.

Gravações da Polícia Federal mostraram que Torres pediu dinheiro a Cachoeira, a quem vazou informações de reuniões oficiais. O advogado cumpriu, ao todo, três mandatos no Senado. Antes, foi promotor de Justiça e Secretário de Segurança Pública de Goiás, durante o governo Marconi Perillo (PSDB), de 1999 a 2002.

MATHEUS MAYER MILANEZ

O nome do advogado do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) no governo Bolsonaro, passou a ser conhecido por toda a internet, em junho, durante interrogatório de seu cliente no STF. Milanez pediu a Moraes o adiamento da sessão para poder “minimamente jantar”.

Em um momento de descontração, o ministro afirmou que também gostaria de ir para casa e não concedeu o pedido. “Vamos ver se nós terminamos amanhã, aí o senhor tem quarta-feira para tomar um belo brunch”, afirmou o ministro. Em sua página no Instagram, já criticou decisões do relator da trama golpista.

EUMAR NOVACKI

Ex-policial militar, passou a exercer a profissão depois de largar a farda. Advoga para o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Foi na casa de Torres que a Polícia Federal achou uma das versões da minuta golpista. Em 2019, foi Secretário de Estado-Chefe da Casa Civil do Distrito Federal, no governo Ibaneis Rocha (MDB). Como advogado, concentra a atuação em casos do agronegócio.

Em maio, Novacki recebeu bronca de Moraes, no depoimento do ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes. O ministro afirmou que não permitiria o advogado transformar o tribunal em um circo. Novacki fizera a mesma pergunta quatro vezes a Freire Gomes como estratégia retórica.

ANDREW FARIAS

Especializado em ações da Justiça Militar, integrou, na condição de advogado, o Tribunal do Júri que absolveu nove militares acusados de participar do Massacre da Estrutural, em 1998. Defende o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, com quem se altercou no depoimento ao STF.

Farias perguntou a Nogueira sobre o que fora discutido em uma reunião com comandantes das Forças Armadas para a decretação da Operação de Garantia da Lei e da Ordem. Seu cliente ficou irritado. “Vai me perguntar de reunião, cara?”, indagou Nogueira, general do Exército. “Andrew, eu já respondi tudo isso ao nobre presidente Alexandre de Moraes, ok?”. Moraes riu.

PAULO RENATO CINTRA

Defende o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem. Discreto, atua em ações penais e de improbidade administrativa. Especializado em direito eleitoral, foi assessor da Procuradoria-Geral da República, de 2006 a 2023. Deixou o cargo antes da posse do atual procurador-geral, Paulo Gonet.

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