Nos cinco anos do Pix, diretor do BC destaca "estímulo à digitalização do varejo" e aumento do comércio formal

Uma image de notas de 20 reais
Criado há cinco anos, sistema já é usado por 170 milhões de pessoas e 20 milhões de empresas
(Karime Xavier/Folhapress)
  • Desde que o sistema foi criado, em 2020, valores movimentados saltaram de R$ 5,3 tri para R$ 26,4 tri. Ou 2,3 vezes o PIB brasileiro
  • Em um período de cinco anos, total de PJs quadruplica. "Este é um dos orgulhos do Pix", diz Renato Gomes
Por Vitor Nuzzi

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Com crescimento de 580% no número de transações e de 426% em valores, o Pix completa cinco anos dando ao país um “salto de eficiência”, segundo o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC), Renato Gomes. Ao participar de live sobre a evolução do sistema, ele afirmou que nos próximos anos o Pix “vai se fazer sentir por uma série de produtos que vão causar uma revolução silenciosa no mercado de crédito”. Citou iniciativas de internacionalização do sistema – e integração com outros sistemas de pagamento. “Essa é uma avenida que o Banco Central tem acompanhado com muita atenção.” A revolução, segundo ele, também passa pelo varejo que, com a modalidade pagamento, mitiga riscos de inadimplência, controla melhor as finanças e se regulariza. ” Este é um dos orgulhos do Pix.”

Quando iniciou os estudos para implementação do Pix – o que se efetivou em novembro de 2020 –, o BC identificava uma “lacuna a ser preenchida” no pagamento entre pessoas. “Mas a velocidade [de adoção] realmente surpreendeu”, afirmou o diretor. Assim, de 9,4 bilhões de transações em 2021 o total chegou a 63 bilhões no ano passado. E uma consulta ao sistema do BC mostra que, de janeiro a outubro deste ano, já são 63,9 bilhões de transações, superando o total de 2024. O valor envolvido foi de R$ 5,3 trilhões (2021) para R$ 26,4 trilhões (2024), ou 2,3 vezes o PIB do ano passado (R$ 11,7 trilhões). Agora já atinge quase R$ 28 trilhões.

“O que o Pix realmente substituiu foi o dinheiro em espécie”, disse Gomes. “A logística de distribuição do dinheiro é muito custosa.” Essa mudança, afirmou, foi positiva tanto para usuários como para bancos. O número de saques diminuiu de 1 bilhão, no terceiro trimestre de 2020, para 660 milhões em igual período de 2024. “E o Pix trouxe muita gente nova para o sistema.” De acordo com ele, antes, “sujeito recebia o salário, sacava tudo e tocava a vida com dinheiro.” Nos pagamentos recorrentes, o Pix passou a substituir o boleto.

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Segundo o diretor do BC, a expansão de usuários ativos (aqueles que realizaram pagamento digital ou fizeram operação de crédito nos últimos três meses) teve impacto, também, na formalização dos negócios. Em 2018, dois anos antes do Pix, entre as pessoas físicas havia 77 milhões de usuários ativos, que em 2023 (dois anos depois) passaram a 152 milhões. E o total de PJs, no mesmo período, quadruplicou: de 3,5 milhões para 12 milhões – com concentração em fintechs. Atualmente, 170 milhões de pessoas usam Pix, além de 20 milhões de empresas. “Virou instrumento de cidadania econômica.”

No início, 90% dos pagamentos e transferências eram de uma pessoa para outra, o que incluía os informais. Agora, metade já atinge os formais. “Houve um tremendo estímulo à digitalização do varejo. Quando o lojista se digitaliza, ele tem um estímulo à formalização”, afirmou Gomes. Segundo ele, além de reduzir o risco de inadimplência, há mais facilidade de controle financeiro por parte dos estabelecimentos. E a opção PJ não significa aumento de custos significativo: de acordo com o diretor do BC, ao receber, o lojista paga em média 0,3%, enquanto no cartão de débito a taxa fica entre 1,1% e 1,2%.

O diretor da instituição relacionou a autonomia do BC com o desenvolvimento dos sistemas. “A autonomia é muito importante para agendas de tecnologia.” Para ele, o que há de mais inovador no Pix é “a ideia que está por trás” do mecanismo: “Qualquer instituição pode oferecer um sistema de transferências digitais”. Em relação aos problemas apontados por usuários, Gomes observou que o banco tem aumentado o rigor nos critérios e afirmou que “os pontos fracos da cadeia estão mais vigiados”.



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