[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Três bilhões de pessoas vão movimentar globalmente US$ 5,765 trilhões em pagamentos biométricos neste ano, segundo estimativa da consultoria Goode Intelligence. No Brasil, sete em cada dez operações (73,6%) com cartão no varejo realizadas em 2025 não exigiram a digitação da senha, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em 2020, eram 5,5%. Foi a inovação que mais cresceu nos meios de pagamento no período e hoje movimenta R$ 1,9 trilhão. Essas tecnologias reduzem o atrito no caixa, aumentam a velocidade e integram os programas de fidelidade. Porém, a segurança das transações e dos dados dos clientes é sempre a maior das preocupações, tanto para as operadoras quanto para os comércios e os próprios consumidores. A Verifone, multinacional americana de soluções para pagamentos, investe nessa tendência crescente de operações contactless (por aproximação) para oferecer uma camada a mais de segurança. Um novo protocolo de reconhecimento facial, anunciado recentemente pela companhia, é capaz de reconhecer expressões faciais dos clientes. É como pagar uma conta com um sorriso — e com maior confiança no sucesso da transação e na proteção de informações.
O sistema, que também habilita pagamento pela palma da mão, está em fase de teste em uma rede de donuts nos Estados Unidos e, paralelamente, passando por processo de certificação no Brasil. Composta por hardware e software integrados, a solução poderá ser adotada do zero por uma empresa ou plugada a equipamentos tanto da Verifone quanto de outras fabricantes. “A solução pode se conectar ao sistema de uma loja que já tenha um programa de benefícios ou cashback”, disse Caetano Altieri, CEO da Verifone Brasil. O software consegue entender os hábitos de consumo do cliente e oferecer produtos ou descontos baseados nesse comportamento. Esse valor agregado de dados é usado para elevar o ticket médio do cliente final, segundo o executivo — como ocorre nas lojas de fast food que aderiram ao totem de autoatendimento, em que o consumidor recebe ofertas imediatas de produtos por um preço menor.
A possibilidade de integração com sistemas já consolidados em varejos de diversos tamanhos é um dos trunfos para a chegada do novo serviço ao país. O volume de processamento da Verifone no Brasil é de 1,5 bilhão de transações mensais apenas na plataforma Payware CMS. A companhia planeja disponibilizar a nova modalidade de biometria facial dentro de cinco meses para adquirentes, oferecendo uma janela de oportunidade para negócios de diversos tamanhos, com custos de implementação variados. “Custo não deve ser um impeditivo”, disse Altieri, ao observar que um aparelho dura entre três e cinco anos. “Obviamente, quando vamos com o adquirente para um varejo maior é mais fácil”, afirmou o executivo.
A AGÊNCIA DC NEWS conversou com Caetano Altieri sobre os planos de implementação do reconhecimento facial com sorriso no Brasil e outros detalhes da tecnologia. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
AGÊNCIA DC NEWS – O reconhecimento facial vem sendo apontado como uma forma prática e segura de autenticação. Como a Verifone enxerga o papel dessa tecnologia na transformação digital dos meios de pagamento no Brasil?
CAETANO ALTIERI – Golpes e fraudes estão cada vez mais sofisticados e nosso papel nesse meio é estar um passo à frente dos fraudadores. A Verifone sempre foi preocupada com seus terminais serem antifraude, com toda a nossa tecnologia embarcada. Então, nosso padrão de segurança é bem rígido, bem alto, obedecendo as regras de PCI [do inglês Payment Card Industry, um conjunto de normas para proteger dados de cartões de pagamento contra fraudes e vazamentos], teste de hacking ético [simulação de ataque cibernético], por exemplo, para que a gente se antecipe a qualquer coisa. No caso da biometria, é mais um fator de autenticação que dá mais uma camada de segurança, de uma forma também mais leve, porque no final do dia a experiência do consumidor acaba sendo um pouco diferente na hora de pagar. Você pode pagar sorrindo, pois quando você faz o movimento [com o rosto] a tecnologia identifica que é realmente o cliente e conclui sua transação.
AGÊNCIA DC NEWS – Culturalmente, como vocês enxergam o impacto dessa tecnologia na experiência de compra do consumidor brasileiro, já que temos diversos cenários dentro de um país só, com muitas diferenças e particularidades?
CAETANO ALTIERI – A gente acredita que o pico dessa tecnologia não é para curto prazo. Sabemos que isso é uma mudança cultural, então imaginamos que em dois anos isso vai ser mais normal. O que temos observado, e por isso que nós buscamos ter esse produto, é a tendência não só global, mas também aqui no Brasil, do uso cada vez maior da biometria para outros acessos. Quando houve a pandemia, digitalizou-se muito o acesso bancário e tivemos um crescimento exponencial de pessoas com uma conta corrente. Hoje são mais de 200 milhões de CPFs com conta. Até mesmo o governo adotou, na época da pandemia, o acesso para as carteiras digitais feito por biometria. Cada vez mais, culturalmente, estamos habituados a usar biometria, seja da mão, seja do rosto, para ter acesso a alguns serviços. Então, o pagamento vai ser mais uma utilidade para a biometria.
AGÊNCIA DC NEWS – E o custo de implementação dessa nova tecnologia, vai ser acessível para todos os perfis de varejistas?
CAETANO ALTIERI – Estamos prevendo duas categorias de custo para essa implementação no Brasil. Uma é quando trazemos uma tecnologia de pagamento, seja ela qual for, mais simples ou mais sofisticada. Existe um custo da implementação. Quando levamos a solução para uma adquirente, temos de ver o custo de implementar isso e certificar. Vamos até o cliente e implementamos o serviço completo, no âmbito geral, para daí a adquirente prover para os clientes dela. O segundo custo é um de investimento que a gente faz junto com as adquirentes, pois depois ela vai colocar isso na rotina de vendas e recuperar esse investimento. Algumas adquirentes têm um modelo de negócio de revenda e outras, de aluguel. Isso não é muito do nosso controle, mas da própria adquirente. Mas geralmente é um custo acessível que se paga ao longo do tempo com as transações que o cliente final vai fazendo e gera uma receita importante para as adquirentes.
AGÊNCIA DC NEWS – Problemas de leitura facial e vieses em relação a tons de pele ainda desafiam essa tecnologia. Que esforços a Verifone faz para garantir que o reconhecimento funcione de forma confiável na diversidade da população brasileira?
CAETANO ALTIERI – É importante salientar que, quando se faz uma autenticação em um banco ou aplicativo, você está usando a câmera do seu smartphone, pode ser que seu celular seja mais ou menos sofisticado e vai ter uma potência maior ou menor. No nosso caso, a biometria é reconhecida por câmeras dentro do nosso hardware. Quando dizemos que vendemos um hardware que se adapta a outro, ele tem uma câmera que se acopla no terminal de qualquer maquininha. Essa câmera é uma evolução em questão de hardware, porque ela consegue ter uma sensibilidade que consegue mapear as veias da sua mão e a sua expressão facial, o seu sorriso. Essa câmera tem sensores que são mais evoluídos do que um celular normal.