[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A produção industrial brasileira fechou 2025 com crescimento de 0,6%, depois de crescer 3,1% no ano anterior – esse resultado aponta atividade, no ano passado, equivalente a 20% do registrado em 2024. Foi o terceiro ano seguido no campo positivo (0,1% em 2023). Agora, a produção está 0,6% acima do patamar pré-pandemia e 16,3% abaixo do nível recorde (maio de 2011). De acordo com o IBGE, houve resultados positivos em duas das quatro categorias econômicas, 15 dos 25 ramos, 42 dos 80 grupos e 49,6% dos 789 produtos pesquisados. Entre os destaques, o instituto cita, entre outros, os setores de indústrias extrativas (alta de 4,9%) e produtos alimentícios (1,5%).
“Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo”, afirmou o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), André Macedo. “O setor industrial passou de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre.” Segundo ele, essa redução reflete a “política monetária mais restritiva”, com aumento na taxa de juros. “O que impacta diretamente as decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, disse ainda Macedo.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou que as vendas reais do setor avançaram 2,3% em 2025, acima do ano anterior (+0,7%). Mas, segundo a entidade, o ritmo de atividade deu “sinais claros de fadiga no último trimestre”. Além disso, houve redução de 0,5% nos salários reais médios, “sinalizando uma acomodação na renda após anos de ganhos consecutivos”. Para a Fiesp, os dados de dezembro (queda de 3,9% nas vendas) acenderam “sinal de alerta para as empresas. As horas trabalhadas diminuíram 1,3% e o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) passou de 79,1% para 74,8%. A ociosidade, somada a “eventos climáticos atípicos”, reforça o que a entidade chama de “perda de tração econômica”. A projeção para 2026 é de queda de 0,9% na produção da indústria de transformação do país.
A estimativa, de acordo com a Fiesp, se justifica pela manutenção das taxas de juros em nível, além de incertezas no mercado “e a crescente dificuldade do empresariado em contratar e reter mão de obra qualificada”. Assim, o setor entra em 2026 com “margem de manobra mais estreita, exigindo maior foco em produtividade e eficiência operacional”. No caso da pesquisa do IBGE, a produção caiu 1,2% de novembro para dezembro – queda mensal mais intensa desde julho de 2024 (-1,5%). No último trimestre do ano passado, a atividade recuou 0,5% ante igual período de 2024.
Além dos setores extrativo e de produtos alimentícios, o IBGE destaca o crescimento das atividades de máquinas&equipamentos (5%), manutenção, reparação e instalação de M&E (9,6%), metalurgia (1,6%), produtos têxteis (5,6%) e químicos (1%). A produção de coque e derivados de petróleo caiu 5,3% em 2025, principal impacto negativo na indústria. O instituto também apurou queda nos setores de bebidas (-2,6%), produtos de metal (-2,2%) e de madeira (-6%). Atividades ligadas a bens de consumo duráveis, por exemplo, tiveram crescimento de 2,5% no ano, com destaque para a produção de automóveis (3,3%) e motocicletas (12,2%).