2026: a chegada do agentic commerce
O desafio agora é claro: não basta vender bem para humanos, é preciso ser atraente também para algoritmos. Quem não entender, não se preparar ou não se adaptar vai perder o cliente

Depois de anos em que chatbots e IAs generativas se dedicaram a responder dúvidas e sugerir produtos, 2026 marca uma virada: entramos na era do agentic commerce. Mas o que isso significa, na prática, e por que isso muda radicalmente o varejo?
A diferença está entre falar e fazer. Enquanto chatbots conversam e sugerem, os agentes autônomos executam.
No modelo tradicional, o consumidor navega em sites, aplica filtros, compara preços e lê avaliações. Já no agentic commerce, o usuário atua como “diretor”, e a IA, como “assistente de compras”. Basta um comando: “compre um tênis de corrida preto, confortável, abaixo de R$ 500, com entrega para amanhã.” A partir daí, a IA assume todo o processo, da busca à transação, sem que o cliente precise clicar em nada. É o conceito de zero-click commerce.
Onde a IA elimina atritos na jornada
Os agentes autônomos reduzem tempo e esforço em três etapas críticas:
· Filtros: varrem inventários online instantaneamente, sem que o cliente precise navegar;
· Execução das atividades: finalizam a compra de forma invisível, transformando a vitrine em uma interface gerida pela IA;
· Análise mais racional: comparam dados técnicos, preço final e reputação da loja em milissegundos, sem cair em gatilhos visuais.
O desafio agora é claro: não basta vender bem para humanos, é preciso ser atraente também para algoritmos.
Como vender para agentes de IA
Se o “cliente” é um robô, sua loja precisa falar a língua dele. E isso exige novas práticas:
· Dados estruturados impecáveis: sem isso, seu produto é invisível para a IA;
· AEO (Answer Engine Optimization): mais do que SEO, é fornecer respostas exatas — frete, estoque em tempo real, política de devolução;
· Reputação como critério técnico: os agentes descartam lojas com avaliações ruins ou baixa confiabilidade;
· APIs abertas: a conexão direta garante inventário atualizado e aumenta a chance de conversão.
O papel humano
Com robôs comprando e vendendo, o humano se torna o diferencial de luxo. A automação resolve a transação; o relacionamento e a curadoria emocional ficam com pessoas e CRMs inteligentes.
Tudo isso pode parecer distante, não aderente ao mercado brasileiro e suas múltiplas realidades, pouco acessível, mas não é. É real, é atual e transformará a jornada de compra muito em breve. Quem não entender, não se preparar ou não se adaptar vai perder o cliente.
**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**
IMAGEM: Freepik

